sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O discurso cada vez mais actual.

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“ Não é dia para políticas.
Guardei esta oportunidade…
O meu único evento de hoje…
Para vos falar brevemente…
Sobre a insensata ameaça de violência na América…
Que mancha, de novo, a nossa terra e todas as nossas vidas.
Não é preocupação exclusiva de uma raça.
As vítimas de violência são negros e brancos…
Ricos e pobres…
Famosos e desconhecidos…
Jovens e velhos…
São, acima de tudo, seres humanos…
Que outros seres humanos amavam e de que precisavam.
Ninguém…
Não importa onde viva…
Ou o que faça…
Pode ter a certeza de quem irá sofrer a seguir…
Por causa da insensatez de um acto sangrento.
E, no entanto, continua sem parar…
Sem parar…
Sem parar…
Neste nosso país.
Porquê ?
O que foi que a violência alguma vez conseguiu ?
O que foi que alguma vez criou ?
Sempre que a vida dum americano…
É tirada por outro americano, desnecessariamente…
Quer seja em nome da lei…
Quer em desafio à lei…
Por um homem ou por um bando…
A sangue frio…
Ou numa fúria descontrolada…
Num ataque de violência…
Sempre que destruímos o tecido de vidas…
Que outro homem penosamente…
E com dificuldades teceu para si e para os seus filhos…
Sempre que fazemos isso…
Toda a nação se degrada.
No entanto, parece que toleramos um nível crescente de violência…
Que ignora a nossa comum humanidade…
E o nosso direito à civilização.
Com demasiada frequência, honramos a agressividade e arrogância.
E quem usa da força.
Com demasiada frequência, desculpamos os que…
Querem construir as suas vidas…
Sobre os sonhos destroçados de outros seres humanos.
Mas uma coisa é certa:
Violência gera violência.
Repressão cria retaliação.
E só uma limpeza de toda a nossa sociedade…
Pode remover esta doença das nossas almas.
Porque quando se ensina um homem a odiar e temer o seu irmão…
Quando se ensina que ele é um ser superior…
Por causa da sua cor ou das suas crenças…
Ou políticas que segue…
Quando ensina que quem é diferente de nós ameaça a nossa liberdade…
Ou o nosso trabalho, ou a nossa casa, ou a nossa família…
Então, também aprendemos a confrontar os outros…
Não como concidadãos, mas como inimigos.
Não negociamos com paz mas a vencermos com violência.
A sermos subjugados e dominados.
Aprendemos, finalmente, a vermos os nossos irmãos como estranhos.
Estranhos com quem partilhamos uma cidade…
Mas não uma comunidade.
Homens ligados a nós por um espaço comum…
Mas não por um esforço comum.
Aprendemos a partilhar apenas um medo comum…
Apenas um desejo comum…
De nos afastarmos uns dos outros.
Apenas um impulso comum…
De enfrentar o desacordo com força.
As nossas vidas neste planeta são muito curtas.
O trabalho a ser feito é demasiado grande…
Para deixar que este estado de coisas avance…
Nesta nossa terra.
Claro que não podemos bani-lo com um programa, nem com uma resolução…
Mas talvez possamos lembrar-nos…
Mesmo que seja só por algum tempo…
Que os que vivem connosco são nossos irmãos…
Que partilham connosco o mesmo curto momento de vida…
Apenas as oportunidades para viver as suas vidas…
Com um propósito e com felicidade…
Conseguindo a satisfação e a realização que podem.
Certamente, este laço de destino comum…
Este laço de objectivos comuns…
Pode começar a ensinar-nos alguma coisa.
Certamente, podemos aprender, pelo menos…
A olhar em volta para o próximo…
E, certamente, podemos começar a esforçar-nos um pouco mais…
Para sarar as feridas entre nós…
E torna-nos dentro dos nossos corações…
Irmão e compatriotas, de novo. “
 
Discurso de “ Bobby “ Kennedy
Robert Francis Kennedy morreu no Hospital Good Samaritan na manhã de 06 de Junho de 1968 em virtude do atentado sofrido após o discurso de vitória nas eleições primárias.
Este discurso, escrito a 41 anos atrás, continua tão actual quer para a sociedade americana quer para o resto do mundo.