segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Apoie-se a si próprio.

A minha amiga “ Raquel “, nome fictício  por respeito que tenho por ela, era simpática para quase toda a gente menos para uma pessoa – ela própria. Era atenciosa, paciente, amável e carinhosa. Surpreendia os amigos com postais afectuosos, telefonava aqueles de quem gostava só para dizer olá e enviava presentes aos amigos e familiares em ocasiões especiais. No entanto, raramente fazia alguma coisa simpática por si própria. Além disso, repreendia-se regularmente por qualquer coisa que considerasse que tinha feito mal e falava de si mesmo de forma negativa. Em suma, tratava-se a si própria como trataria alguém de quem não gostasse nada, e esses hábitos tinham-se traduzido numa fraca autoconfiança.
À medida que os anos passaram, “ Raquel “ foi ficando cansada e pouco rancorosa. Apercebeu-se finalmente de forma como se tratava a si própria e deixou de ter amor e a energia de que precisava para agradar a toda a gente.
No entanto, quando a conheci, ela era tão positiva em relação a si mesma e àqueles à sua volta que fiquei chocado quando me falou da sua transformação. Uma amiga chegada tinha apresentado “ Raquel “ a uma terapeuta fantástica que partilhou com ela um dos segredos da “ pequena mudança “ mais importantes do universo: só se pode dar aos outros aquilo que se tem para dar. E uma das melhores maneiras de se ter mais amor para dar é primeiro dar esse amor a si próprio.
É triste, mas, de todas as pessoas das nossas vidas, se calhar, a pessoa com quem a maior parte de nós somos mais ríspidos, a quem prestamos menos atenção e a quem damos menos amor é a nós próprios.
Quando somos amáveis e arranjamos tempo para nós, sobra-nos alguma coisa para as outras pessoas. Se não amarmo-nos a nós, não podemos oferecer muito amor aos outros.
Pode tornar-se melhor para si próprio de duas maneiras. Primeiro, evite sabotar-se com negativismo e auto-repugnância ao cair em afirmações depreciativas e derrotistas. Pensamentos como “ Não consigo “ e “ Não tenho sido um bom amigo ( ou companheiro, pai, filho, etc. ) “ também reduzem em muito a largura de banda nas “ frequências internas “ de muita pessoas. Quando começa a prestar regularmente atenção aquilo em que esta a pensar, pode ficar chocado com a quantidade de vezes que pensa de forma negativa em relação a si próprio.
Quando der por si a pensar de forma negativa, tire o pensamento da sua mente e depois dê a si próprio uma palmadinha na costas. Todos nós temos uma auto-estima inata que começa a funcionar assim que paramos de ser ríspidos, connosco próprio. Pergunte-se a si mesmo: “ Estarei a ser tão bom para mim próprio como seria para um amigo? “ Se a resposta for não, é altura de perguntar “ Porquê?” e de mudar as suas prioridades.
A segunda maneira de se tornar melhor para si próprio é reservar tempo só para si, durante o seu dia ou semana.
A forma especifica da bondade não é tão importante como a própria bondade. Quer seja tempo passado em reflexão silenciosa, a ler, em oração ou meditação, em exercício regular, num passeio a sua livraria preferida ou um banho quente de espuma, é importante que arranje tempo para fazer coisas simpáticas só para si. Reconheça que merece um tratamento especial e que ganhou a bondade que indubitavelmente tanto tenta dar aos outros.
Longe de ser egoísta, a sua bondade afectuosa em relação a si próprio vai despoletar o seu instinto natural de querer dar esse amor em troca aos outros.
Quando a “ Raquel “ começou a arranjar tempo para ela – dando passeios, lendo livros, fazendo uma massagem de vez em quando e passando tempo com amigos – ficou feliz, e o seu amor pelos outros regressou em abundância.
Lembre-se, cá se fazem, cá se pagam. No que toca a bondade, tudo começa consigo.

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