segunda-feira, 25 de março de 2013

Arranje maneira de rir todos os dias.

Há dias que não estou para brincadeiras. É aqueles dias em que mundo parece estar contra mim. São as notícias depressivas do telejornais, das conversas deprimentes que ouço nos cafés que me põem rabugento e triste. É verdade que os aspectos exteriores podem influenciar o nosso estado espírito. Mas é, certo, elas nos afectam se deixarmos. No meu lugar era o meu estado espírito que estava a exagerar tudo, a fazer daquilo mais do que era.
Como sempre, a minha amiga Teresa Velaz, encontrou uma solução perfeita. Estávamos os dois sentados na esplanada dum café em frente de uma loja de espelhos. Ela disse com uma voz carinhosa: “ Abílio, dou-te 5 euros se conseguires olhar-te ao espelho durante um minuto inteiro sem desatares a rir. “
Ao princípio, pensei que seriam os 5 euros mais fáceis de ganhar de sempre. Mas estava enganado. Quando espreitei para espelho, aguentei 5 segundos antes de ver como parecia ridículo com um ar carrancudo. Em pouco segundos, estava a sorrir, e pouco depois comecei a rir-me tanto que as lágrimas escorriam-me pela cara. Quando a Teresa me pediu o dinheiro, estava a rir-me que me doía a barriga.
Uma vez ouvi dizer que são precisos muito mais músculos para franzir o sobrolho do que para sorrir. Também sei que, quando sorrimos é muito mais  difícil sentirmo-nos deprimidos ou até arreliados. O sorriso e o riso são bons remédios, independentemente de como nós ficam.
Temos de ver o valor do riso, em vez de o descartarmos com uma coisa frívola ou de o reservarmos para os bons momentos. Assim que o virmos a esta luz, reconheceremos que há muitas maneiras de lá chegar. Se eu consigo olhar simplesmente para o meu ar carrancudo no espelho e começar a rir-me  numa questão de segundo, imagina como seria fácil para si arranjar maneiras criativas de se fazer rir.
Os meus amigos que precisam de se rir passam mais tempo com as crianças pequenas – isso geralmente funciona, porque os miúdos quase sempre trazem um sorriso aos nossos lábios. Também se pode ler um livro divertido, ou ver a nossa comédia preferida.
Decerto que há alturas em que é apropriado e imperativo lidar com questões importantes de forma séria. No entanto, quando ser sério nos leva ao ponto de nos sentirmos esgotados, deprimidos, ansiosos e desmoralizados, qualquer decisão que tomemos provavelmente não será boa. O riso um dos melhores remédios quando começamos a levar as coisas demasiado a sério.
Quer seja no trabalho ou em casa, quando se perde o sentido de humor, perde-se também a capacidade de pôr as coisas em perspectiva. O acto de rir funciona como um botão de reiniciar e permite-nos encarar tudo a partir de uma perspectiva mais ampla. O riso é a maneira que a nossa mente tem de nos dizer que tudo pode e vai ficar bem. Quando nos rimos, os nossos corpos libertam moléculas chamadas endorfinas que fazem com que comecemos a sentir-nos imediatamente melhor. Dito de forma mais simples, o riso é a maneira mais simples e mais natural que temos de nos sentirmos imediatamente melhor.
É certamente verdade que a maior parte da vida tem de ser levada a sério. Contudo, isso não significa que precisamos de perder o nosso sentido de humor. Pelo contrário, o poder curativo do riso é acima de tudo uma razão para mantermos e promovermos o riso nas nossas vidas. Por isso, arranje pelo menos uma razão para se rir hoje, amanhã e todos os dias.

 

 

 

 

segunda-feira, 18 de março de 2013

A sua vida pode mudar de um momento para outro.

A mudança súbita é muitas vezes um assunto difícil de abordar com as pessoas porque acham que estou a ser um pouco pessimista.

É essencial que nos apercebamos de que as nossas vidas podem mudar a qualquer momento. Falando de uma forma realista, tempos virão em que a nossa vida quotidiana se alterará de forma súbita. Só não sabemos quando é que será.
Muitos de nós receberemos aquela telefonema terrível, dar-nos más notícias.Talvez o seu médico lhe venha a dizer que tem algum problema de saúde. Ou talvez venha a perder o emprego inesperadamente.
A mudança também funciona ao contrário. A sua vida pode alterar-se para melhor num instante. Quando menos esperar, pode conhecer um novo amigo, apaixonar-se loucamente, ter uma ideia brilhante ou descobrir um novo trajecto profissional. Nunca se sabe, e essa é uma das razões por que a vida é tão cativante e misteriosa.
Muitos de nós tememos a ideia da mudança. Gostamos das coisas da maneira como são. No entanto, quer se goste quer não se goste, as coisas vão mudar. Viver a vida com a noção de que as coisas vão mudar ajuda-o a preparar-se para o inevitável. Em vez de ficar chocado ou confuso quando surgir uma mudança, pode reagir com serena aceitação.
Nunca me hei-de esquecer daquele vez em que estava sentado com o meu amigo Ivan quando recebeu um telefonema inesperado do seu advogado a informá-lo de que o banco ia avançar com a execução de hipoteca da sua casa. Ele estava atrasado nos pagamentos da hipoteca , tinha perdido o emprego há pouco tempo e, sem sombra de dúvida, andava em maré de azar. Surpreendentemente, parecia que eu me sentia pior por causa da hipoteca do que ele. A sua aceitação das notícias e da situação era espantosa. Ele ficou calmo e controlado e continuou com a sua vida como de costume.
Depois de me certificar de que esta reacção foi sincera e de que ele não estava a tentar manter as aparências por minha causa, perguntei-lhe com é que conseguia manter-se tão calmo.Ele revelou-me que tinha aprendido há muito tempo que as lições mais importantes da vida é a de que, um dia, tudo acaba por mudar. “ A única dúvida “, disse ele, “ é quando “. Prosseguiu, declarando que o “ quando “, no caso dele, era agora. Mesmo com a crise a abater-se sobre ele, foi capaz de me lembrar desta lição de vida.
Todos os dias, cada um de nós é sujeito a situações nas quais a questão subjacente é o simples facto de que a vida esta a mudar.

A mudança acontece. A nossa função é lembramo-nos de que é uma constante e de que a forma como reagirmos a ela muitas vezes ajuda a determinar se é positiva ou negativa.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Repare no que o irrita.

As pessoas ficam irritadas com as coisas mais disparadas. Eu irrito-me quando estou a falar com uma pessoa e a pessoa está a falar com outra pessoa. Por outro lado, conheço quem fique aborrecido com a maneira como as pessoas estacionam os carros na rua, pessoas a falar ao telemóvel em voz alta nos transportes públicos. A lista é interminável.

Uma das observações mais poderosas que alguma fiz acerca do stresse é esta: vivermos obcecados com o que nos deixa em stresse pode provocar mais stresse do que aquilo que começou por nos deixar em stresse. Eu sei que é difícil de dizer, mas é verdade. E assim que vir a relevância desta afirmação, a sua vida nunca será a mesma. Ela vai ao âmago do que realmente provoca o stresse.
Pense em todas as coisas que o incomodam diariamente, a cada momento. Para a maioria de nós, as coisas incomodativos são quase ilimitadas. Por outras palavras, quase tudo nos pode deixar em stresse – tudo, desde pessoas arrogantes ou pessoas que falam alto, passando por maus condutores e pela maneira de vestir das pessoas até àquela que gesticulam muito quando falam.
Se começar a prestar atenção as situações, afirmações e atitudes que o irritam, depressa irá perceber que não são estas coisas específicas que lhe provocam stresse, mas sim a maneira como reage a elas. Portanto, em vez de reagir como faz normalmente – fica frustrado, furioso e irritado – limita-se a anotar em que ponto é que fica incomodado e exactamente quando é que fica mortinho por reagir.

Torne-se observador das suas próprias reacções. Ao início, pode nem sequer se aperceber de que perdeu as estribeiras até  passarem muitas horas depois de isso acontecer. Então, de repente, vai dizer a si mesmo qualquer coisa como “ Bolas  passei mesmo “ ou “ Ena, fiquei apanhado “ . Não faz mal se demorar algum tempo a chegar a esta conclusão.
O que é importante é que seja capaz de ver o que aconteceu e de saber que o stresse  foi provocado não pela situação exterior em si, mas sim pelo facto de a sua mente se ter concentrado nisso.
Com o tempo, o intervalo entre estar perturbado e reparar naquilo que o deixou perturbado vai ficando cada vez mais pequeno. A maior parte das nossas reacções de reflexo devem-se a uma falta de consciencialização. Não é objecto da minha frustração mas sim o facto de isso prender a minha atenção, que me deixa perturbado. 

quarta-feira, 6 de março de 2013

“ Nenhum Olhar "

Gosto muito a escrita de José Luís Peixoto.
Reli o seu livro “ Nenhum Olhar “.
Uma obra tal como os outros conduz o leitor as profundezas do Ser. Como apreciador de boas leituras gostaria de partilhar convosco um pequeno excerto que ficou na minha mente. Um excerto que, no fundo, nos identifica como seres humanos.


Eis:

“ As nossas campas no cemitério serão por uns tempos cuidadas e visitadas por aqueles que deixámos, mas também esses morrerão um dia; e as nossas campas encher-se-ão de musgo e de ervas, e alguém que passe por nós não passará , e mesmo esses que deixámos não serão recordados por ninguém, pois tudo o que amamos morreu; e esta casa que foi importante para nós terá desaparecido, e crescerá talvez um sobreiro no seu lugar, e o cemitério onde estamos será arrasado, e alguém que nunca conheceremos lavrará essa terra em que nos transformamos, e esse alguém que não se lembrara de nós lavrará pensando talvez nos seus filhos e sonhando e esquecendo-se de que também ele morrerá e se tornará terra e também os seus filhos pequenos e também os filhos por nascer dos seus filhos. “

José Luís Peixoto, “ Nenhum Olhar “.


sábado, 2 de março de 2013

Lembre-se do Poder da Esperança.


A esperança é uma das forças mais poderosas da nossa vida. Mantém-nos felizes em vez de deprimidos, a olhar para o futuro em vez do passado, e conscientes de que há sempre a hipótese de a vida poder ser melhor do que é agora, independentemente das nossas circunstâncias. A esperança mantém vivo o espírito  humano. Dá-nos uma razão para seguir em frente mesmo em tempos de difíceis. Mantém-nos entusiasmados, inspirados e optimistas. Também nos dá uma razão para dar uma oportunidade aos outros, mesmo quando eles tenham feito qualquer coisa mal ou quando parece que podem não o “ merecer “.

Um amigo meu partilhou uma frase do arcebispo Desmond Tutu, que trabalhou  toda a vida para mudar o sistema de apartheid na África de Sul. Leio-o quase todos os dias.

Eis o que disse o arcebispo Tutu:

“ Não existe nenhuma situação que não seja transformável.
   Não existe nenhuma pessoa que não tenha salvação.
   Não existe nenhum conjunto de circunstâncias que não possam ser alteradas por seres humanos comuns e pela sua capacidade natural de amar profundamente. “

Talvez o aspecto mais notável da esperança seja o facto de ser inteiramente interior. Muitos timorenses que passaram por dores  inimagináveis nas torturas que foram sujeitos durante a ocupação das tropas da Indonésia em Timor-Leste mantiveram a esperança de conseguirem sobreviver e ver o seu país livre. Os pais de que passaram por algum pesadelo envolvendo a saúde ou bem-estar de um filho sobreviveram à provação muito por causa de esperança que tinham de um dia o filho ficar bem.
Em tudo, desde estas situações extremamente dolorosas às situações quotidianas, a esperança acalma a alma. Por exemplo, podemos estar ser considerados para uma promoção no emprego. Estamos entusiasmados, ansiosos e nervosos, tudo ao mesmo tempo. O que nos faz sair inteiros desta montanha- russa de emoções é a esperança. Temos a esperança de conseguir o trabalho. A esperança é a energia positiva que nos mantém motivados e entusiasmados enquanto esperamos. E se não conseguirmos o trabalho, e mais uma vez a esperança que nos diz que para a próxima podemos ter sorte. A esperança é aquela força invisível que torna as coisas possíveis.
Não sei se para si fará sentido que fale sobre a esperança. Todavia ela existe na luta que trava no dia-a-dia.

Pois,
viver é lutar,

lutar é acreditar
e

acreditar é ter Esperança.