segunda-feira, 31 de julho de 2017

A Era da Indiferença. Por Erick Morais.

Quão valiosos somos para as outras pessoas? Não digo qualquer pessoa, mas para aquelas que dizem se importar conosco. Quão importantes de fato somos para elas? Tenho me pegado pensando constantemente nisso e por mais que você tenha uma visão esperançosa em relação ao homem, parece-me que realmente vivemos na era da indiferença.

A vida contemporânea exige muito de nós, isso é algo sabido por todos. No entanto, isso não justifica o modo como agimos uns com os outros. As relações são meramente questões de conveniência, é uma troca de fardos no mercado da personalidade, de tal maneira que apenas me aproximo de determinada pessoa e mantenho uma relação com ela se houver algo dela que possa usar. Ou seja, as relações humanas seguem lógicas comerciais e, assim, todos nos tornamos mercadorias.

Obviamente, não estou querendo dizer que devemos nos submeter a relações degradantes, que apenas usurpam nossas forças ou que não devemos esperar reciprocidade ao se envolver com alguém. Mas, ao implementarmos uma lógica comercial às relações humanas, deixamos de considerar totalmente as nuances e complexidades que formam o ser humano.

Isto é, ninguém está bem o tempo inteiro, tampouco, possui uma constante na vida. Todos nós temos nossos dias ruins, passamos por problemas e atravessamos os nossos períodos de crise, de modo que, ao doutrinar as relações humanas à cartilha comercial, os pontos baixos da vida de um indivíduo são desconsiderados, o que implica automaticamente a descartabilidade daqueles que sucumbem às suas fraquezas.

Sendo assim, somos tão somente importantes e amados na medida em que temos um sorriso no rosto, uma história engraçada para contar e somos úteis de algum modo. Em outras palavras, somos queridos apenas nos nossos bons momentos, quando estamos no auge e tudo parece dar certo. Entretanto, como disse, a vida não é uma constante, de maneira que inevitavelmente passaremos por momentos ruins, em que tudo dá errado e nós perdemos a esperança.

Nesses instantes, percebemos a fragilidades dos laços humanos e a nossa indiferença, a nossa incapacidade de se colocar no lugar do outro e buscar entender o porquê do sofrimento, da angústia, da insônia, do medo e da lágrima oculta no olhar, porque quando uma relação é construída com laços fortes, lutamos contra o egoísmo para poder sentir a dor que aflige e esmaga o peito de quem sofre.

Quando uma relação é mais do que uma ação na bolsa de valores do amor líquido, temos empatia e esta não é ver uma pessoa triste e fazer coisas para que ela fingir estar feliz. É ver uma pessoa triste e ser capaz de ajudá-la a chorar.

Acho que os nossos tempos estão carentes de pessoas corajosas o bastante para abraçar alguém e dizer que a ama enquanto as lágrimas se precipitam e anunciam uma torrente de dor em forma de choro intercalada com soluços. Por outro lado, o mundo está repleto de pessoas que abraçam e riem junto com você, mas, tão somente enquanto você também estiver com um sorriso no rosto. Pessoas que descartam as outras com imensa facilidade quando outras ações, digo, pessoas, acenam com possibilidades melhores e sorrisos mais audaciosos.

Tudo isso é uma pena, porque, no fim das contas, todos nós precisamos de alguém que nos ajude a chorar, já que só lágrimas de compaixão podem limpar a alma da indiferença. E como as lágrimas não caem, porque estamos ocupados demais com nossas trivialidades mesquinhas, o mundo continua sujo, ecoando pelos esgotos a nossa era da indiferença.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

O medo da escolha em tempos de excesso. Texto de Claudia Zalaquett

Desde pequenos somos ensinados sobre a importância de fazer boas escolhas, afinal, são elas que determinam os nossos próximos passos, que abrem caminhos, que projetam o futuro. Viver é ter que escolher o tempo todo.

Às vezes acho que fazer escolhas já foi uma tarefa mais simples. Antigamente existiam menos opções em relação a tudo, logo, as pessoas se sentiam satisfeitas com menos também. Hoje, tomar decisões se tornou um assunto bem mais complexo.

Devido ao excesso de informações e possibilidades que a vida moderna nos oferece, é cada vez mais comum nos sentirmos sufocados, indecisos e confusos. A clareza se perde no meio de tantas alternativas e o medo de fazer escolhas erradas nos paralisa.

Com isso, muitas vezes, passamos a inventar desculpas e criar obstáculos que nos impedem de tomar decisões importantes e de realizar determinadas tarefas. Deixamos aquilo que nos parece mais difícil e complicado para depois, e nos distraímos com outras atividades que trazem gratificação instantânea, porém passageira. Em seguida, nos sentimos frustrados, improdutivos e com baixa autoestima por não termos realizado o que era realmente importante naquele momento. De certa forma, “deixar para depois” também é uma escolha, mesmo que inconsciente.

A procrastinação é um mal que vem assombrando a maioria de nós. Adiar responsabilidades e compromissos é como pisar em uma areia movediça, onde nos afundamos cada vez mais. Para sair dela é preciso acabar com a estagnação, enfrentar o medo que nos limita e ouvir a nossa voz interior com mais coragem e menos autojulgamento.

Gosto de uma frase que diz: Toda escolha requer ousadia. Que as nossas decisões, então, sejam feitas de forma consciente, segura e com uma dose de atrevimento. Erros e acertos fazem parte do caminho e isso deve ser encarado com mais naturalidade e leveza. Penso que só assim saberemos enxergar, com mais nitidez, as boas oportunidades que a vida tem para nos oferecer.

O que acontece em nossas vidas é neutro, nem positivo nem negativo.Texto adaptado de Amor Incondicional de Paul Ferrini

O que acontece em nossas vidas é neutro, nem positivo nem negativo. Somos nós que decidimos se é positivo ou negativo. Em nossas experiências, qualquer coisa pode se investir de qualidades espirituais se permearmos de amor, aceitação e perdão. Até mesmo as coisas ruins do ano que passou podem ser transformadas pelo poder do amor. Achamos que conhecemos o significado dos eventos que ocorrem em nossas vidas. Nada poderia estar mais longe da verdade. Nós não conhecemos o significado de nada, pois a tudo nós impomos o nosso próprio significado.

Se quer conhecer o significado do que acontece na sua vida, pare de dar a sua própria interpretação. Deixe que a situação se defina. Sinta-a por inteiro. Deixe que a situação lhe mostre a razão por que surgiu na sua vida. Pergunte-se "Como essa situação pode me ajudar a amar mais plenamente? O que ela está exigindo de mim que ainda estou me negando a fazer?" Essa simples pergunta vai levá-lo ao âmago da questão, pois demonstra a sua disposição para olhar a situação como um presente e não como um castigo.

domingo, 16 de julho de 2017

Não , não somos obrigados a aguentar tudo. Paciência tem limites e a vida é para ser vivida , não suportada .Por Sílvia Marques.


A vida é feita para ser vivida , não suportada. Quando somos obrigados a relevar tudo, ignorando os nossos sentimentos , ignorando feridas ainda abertas, impomos a nós mesmos uma espécie de tortura psicológica. E não devemos impor sofrimento a ninguém, incluindo a nós mesmos, para agradar as outras pessoas.

Ser gentil, amigável e prestativo é uma coisa ótima. Se mais pessoas dispusessem de um pouco do seu tempo e energia para ajudar os outros , provavelmente o mundo seria um lugar bem menos hostil e viver seria muito mais leve.

Por outro lado, não devemos confundir gentileza com passividade. Não devemos permitir que abusem da nossa boa vontade e passem por cima de nós porque somos bonzinhos e vamos aceitar e perdoar tudo.

Acredito firmemente no perdão. Porém, acredito também que deve ser perdoado quem pede perdão, quem deseja ser perdoado, quem demonstra arrependimento e vontade de dar um novo rumo para a relação.

Não, não somos obrigados a aguentar tudo. Paciência tem limites. Ninguém precisa sair pelo mundo se vingando, mas também ninguém deve ser obrigado a conviver e a ser gentil e a distribuir beijinhos e sorrisinhos para quem nos provocou sofrimento, para quem nos magoou gratuitamente.

Na maioria das vezes, como afirma o ditado popular , quem bate , esquece . Mas quem apanha não.

Quando ofendemos ou prejudicamos de forma mais objetiva uma pessoa , causando danos à sua vida , devemos sim tentar consertar o que fizemos de errado ou pelo menos tentar amenizar de alguma forma o estrago que provocamos.

Sim, nem sempre é possível consertar nossos erros. Nem sempre é possível se aproximar de quem prejudicamos para demonstrar nosso arrependimento. Em alguns casos , nos mantermos longe é o melhor a se fazer. Mas neste post, quero me centrar nos casos em que é possível voltar atrás e corrigir o erro e mesmo assim a pessoa se recusa. Quero me centrar no fato de que ninguém é obrigado a engolir tudo porque é gentil e amigável.

A vida é feita para ser vivida , não suportada. Quando somos obrigados a relevar tudo, ignorando os nossos sentimentos , ignorando feridas ainda abertas, impomos a nós mesmos uma espécie de tortura psicológica. E não devemos impor sofrimento a ninguém, incluindo a nós mesmos, para agradar as outras pessoas.

Não, não somos obrigados a conviver com gente que nos põe para baixo com um sorriso falso nos lábios e palavras pseudo educadas. Não somos obrigados a conviver com gente que rouba o nosso ar, que baixa a nossa energia , que nos promove qualquer tipo de constrangimento. Não somos obrigados a agradar quem não se esforça minimamente para nos alegrar. Não somos obrigados a nos sacrificar por quem não dá a mínima por nossos sentimentos. Não somos obrigados a compreender e a demonstrar empatia por quem nos atropelou feito um trator.

Como disse Caetano Veloso, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Sim, somos nós que conhecemos os nossos limites e sabemos até onde podemos caminhar sem forçar as articulações da alma. Somos nós que podemos mensurar o peso de uma ofensa e a extensão de um estrago sofrido em nossa vida.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

O rebelde é o ser espiritual real.

O rebelde é o ser espiritual real.

Ele não pertence a rebanho algum,
não pertence a sistema algum,
não pertence a organização alguma, não pertence a filosofia alguma.

Em palavras simples e conclusivas:
ele não se empresta aos outros.

Escava fundo dentro de si mesmo e encontra seus próprios néctares da vida, encontra suas próprias fontes de vida.

Qual a necessidade de um caminho? Você já está aqui- você existe, você é consciente. Tudo que é necessário à busca básica é dado a você pela própria existência.

Olhe para dentro de sua consciência e descubra o seu sabor.

Olhe para dentro de sua vida e descubra a eternidade.

Olhe para dentro de você mesmo e descobrirá que o mais puro, o mais sagrado templo é seu próprio corpo- porque ele guarda o sagrado, o divino, tudo que é belo, tudo que é verdadeiro, tudo que é valioso.

Osho

Não é Amor que enche as igrejas mas o Medo!

" Nenhum estado, nenhuma igreja e nenhum interesse investido jamais quiseram que as pessoas tivessem almas fortes porque uma pessoa com energia espiritual está fadada a ser rebelde.
O amor lhe faz rebelde, revolucionário. O amor lhe dá asas para voar alto. O amor lhe dá 'insight' nas coisas, assim ninguém pode lhe enganar, lhe explorar, lhe oprimir. E os padres e os políticos só sobrevivem com o seu sangue – eles só sobrevivem na exploração. Eles são parasitas, todos os sacerdotes e todos os políticos.
Para lhe tornar espiritualmente fraco eles descobriram um método seguro, cem por cento garantido, e esse é ensinar a você a não amar a si mesmo – porque se um homem não pode amar a si mesmo ele também não pode amar mais ninguém. O ensinamento é muito ardiloso."

( Osho )

Amor e Ego não podem estar juntos.

Amor e Ego não podem estar juntos.

“Conhecimento e ego ficam perfeitamente bem juntos, mas amor e ego não podem ficar juntos. Eles não podem fazer companhia um ao outro. Eles são como a escuridão e a luz. Se a luz está lá a escuridão não pode estar. A escuridão pode estar apenas se a luz não estiver lá. Se o amor não está lá o ego pode estar. E vice-versa, se o ego é descartado, o amor chega por todas as direções. Ele simplesmente começa a derramar-se em você por todos os lugares”.

Osho, The Secret, Capítulo # 1

Se você não tiver nenhum ego...

Se você não tiver nenhum ego,
não importa se alguém diz que você é um idiota
ou se alguém diz que você é um gênio.

Não importa... são opiniões dos outros.

Você sabe quem você é
– você não depende da opinião dos outros.

Seu ego depende.

Seu ego o mantém um escravo da sociedade
dentro da qual você vive.

Comumente as pessoas pensam que o ego é uma coisa preciosa.

Ele não é nada mais do que a escravidão delas.

OSHO

segunda-feira, 10 de julho de 2017

“Torna-te quem tu és” . Por Erick Morais Morais

Galeano, com a sua incrível arte de “galeanear”, diz que mais do que feitos de átomos, nós somos feitos de histórias. Não à toa, Drummond em um dos seus versos disse que “Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar”. Sendo assim, não existem pessoas iguais, tampouco há como colocar todos em uma mesma forma e tentar estabelecer uma padronização de comportamento, gostos, sonhos e histórias. Todavia, tenho a impressão de que há uma tentativa muito forte e eficiente de estabelecer uma certa “ordem” entre as histórias perambulantes que formam o ser presente no homem.

Não é raro ver pessoas tristes, desestimuladas, desanimadas, cansadas da vida; o que se reverbera nos índices cada vez mais altos de pessoas com depressão, ansiedade, síndrome do pânico e tantos outros transtornos psicológicos. Essa conjuntura é um contrassenso ao alto grau de desenvolvimento tecnológico que a sociedade alcançou, afinal, o jargão diz que somos melhores que ontem, pois somos a geração do progresso, do mundo na palma da mão. E diante desse paradoxo fica a questão: será que precisamos disso tudo para sermos felizes? Ou melhor, essa estrutura em que o mundo se organiza permite que as pessoas sejam quem elas são?

Apesar de ser fundada sobre a liberdade, a sociedade contemporânea, em verdade, criou algo muito mais próximo de um mito do que da realidade. A liberdade que é colocada para que possamos usufruir é uma “liberdade” extremamente limitadora e direcional. Devemos seguir padrões rígidos de comportamento e se por ventura tentamos nos desviar, somos punidos e cobrados a retornar. Se livrar dessas amarras, então, é algo que cobra um alto preço psicológico, pois uma vez sendo seres sociais, é extremamente difícil nadar no sentido contrário ao que aponta a correnteza.

Dessa maneira, como é possível que os indivíduos possam ser de fato felizes se não são sujeitos? Isto é, não possuem autonomia sobre as suas próprias vidas. Não há possibilidade de vida feliz sem liberdade, ainda que esta diante da nossa precariedade não possa ser atingida em sua totalidade, o que também não significa que não possamos e devamos ter autonomia sobre as nossas próprias vidas, cabendo a cada indivíduo, assim, seguir o caminho que melhor apraz o seu espírito e traz vigor a sua alma.

Em outras palavras, é preciso que o indivíduo tenha autonomia suficiente para buscar a si mesmo, conhecendo as suas interioridades a fim de encontrar ou construir no mundo exterior pontes que se liguem a sua humanidade. Dessa forma, é insignificante termos diminuído as distâncias geográficas, se aumentamos a distância de nós mesmos, pois a viagem mais importante que ainda temos que fazer é o mergulho nas profundezas do nosso ser.

Assim sendo, não adianta estar de acordo com as normas, com os padrões ou caminhar pelas estradas mais “perfeitas” se ao longo dessa estrada enxergamos tão somente a sombra da nossa existência. Precisamos compreender que se somos feitos de histórias, então, cada um é uma história diferente, em que algumas se dão em poesia, outras se dão em prosa, mas cada um tem a necessidade de contar a sua própria história e, consequentemente, viver enxergando o que somos no que fazemos e o que fazemos no que somos, pois, lembrando mais uma vez Galeano, somos todos foguinhos, com vontade de por meio do nosso fogo iluminar noites escuras, aquecer corpos gelados e incendiar almas dormentes.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

A ruína é o caminho que leva à transformação. Por Erick Morais

Nietzsche diz que “É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante”. Apesar de muito bonito, sabemos que isso na grande maioria das vezes não acontece de modo tão fácil. Por sermos falíveis e finitos, sentimos muita dificuldade em ter uma compreensão mais ampla da vida, entendendo-a como uma sucessão de acontecimentos e ciclos que de alguma forma nos leva ao que somos. E, assim, acabamos por nos afastar ainda mais do nosso eu e, consequentemente, da possibilidade de uma vida feliz e em sintonia com o universo.
Dessa maneira, ao estarmos envolvidos em um problema, ou mais precisamente, em um período ruim das nossas vidas, em que nada parece dar certo, como se nós estivéssemos destinados ao fracasso em todas as áreas de nossa existência; tendemos a mergulhar ainda mais nesse buraco que se abre diante dos nossos olhos. E, assim, quanto mais a situação parece crítica, mais o buraco se abre e, por tabela, nos afundamos nele, buscando de algum modo um refúgio para tudo aquilo que está acontecendo.
O esconderijo, no entanto, se transforma em uma prisão, que nos afasta das outras pessoas, do mundo e, sobretudo, de nós. Nesse processo de “autoperda” vem problemas como depressão, ansiedade, pânico, stress profundo, enfim, tudo que nos afasta ainda mais da busca por equilíbrio e, até mesmo, retira a vontade de continuar vivendo e experimentar o mundo.
Em outras palavras, o que ocorre é que há momentos em que os problemas são tantos que retiram o nosso fôlego e nos sufocam. Enxergamos que a nossa vida é ruim de tal maneira, que ao olharmos para dentro não enxergamos nada. E, dessa forma, a única coisa que queremos é desaparecer nesse vazio.
O que nos falta nesses momentos é um olhar mais perspectivo, isto é, que não esquece todas as possibilidades existentes para ficar preso tão somente a um momento em que as coisas não estão dando certo. Não se trata de não ficar chateado e puto com a vida, e sim, de entender a complexidade e a amplitude da existência. De perceber que momentos ruins, fracassos, decepções, não só são inexoráveis à vida, como também são elementos importantes para o nosso crescimento, amadurecimento e, acima de tudo, aproximação daquilo que somos essencialmente, fator primordial para a felicidade.
Aquilo que somos e que precisamos ser não passa somente pelas escolhas corretas que fazemos e nossos sucessos. Passa, principalmente, pelos erros, pelas quedas, pelas tristezas, pelo caos que se instala dentro da gente. Assim sendo, é preciso que tenhamos um olhar mais contemplativo em relação à vida, não apenas no sentido de educar os olhos para ver e enxergar, mas também para compreendê-la na sua dimensão infinita de ciclos que se iniciam, se renovam e se encerram.
Desse modo, conseguimos perceber que o sofrimento é um sinal que a nossa alma nos manda a fim de demonstrar que as coisas não estão boas e que, portanto, precisamos mudar. Todavia, a mudança não está em nos fecharmos. Ela reside em sair para o mundo e enfrentar o que nos incomoda. Obviamente, esse processo é doloroso, já que ao decidirmos entrar no nosso eu – não para se esconder, como antes – mas para transformar o que já não faz bem para a pessoa que precisamos e queremos ser, muito sangue precisa ser lavado.
Contudo, as dores que enfrentamos nesse processo, que mais do qualquer outra coisa representam uma viagem de autodescoberta, servem com impulso para que caminhemos para novos lugares, novos sonhos e novos prazeres. E, desta vez, muito melhores, porque estamos em muito mais sintonia conosco e com o universo, de maneira que já não vemos uma crise como o fim do mundo, e sim, como a ponte para uma nova estrada, um novo ciclo e uma nova mudança.
Pablo Neruda em um de seus versos diz que: “O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido”. Acredito que Nietzsche concordaria com isso, afinal, de que outro modo podemos dar à luz uma estrela sem que haja sofrimento? O caos, assim, não é algo a ser temido, porque ele é a nossa alma dizendo para aonde quer ir. Da mesma forma que a ruína não é o fim de tudo, mas antes, uma estrada que se abre para o novo, ou se preferirem: o caminho que leva à transformação.