sábado, 27 de abril de 2013

Cuidado, não leias!


Cuidado,  não leias! Ler o livro abala os teus preconceitos.
Cuidado, não leias! Ler o livro põe-te a duvidar.

Cuidado, não leias! Ler o livro enriquece o teu vocabulário.
Cuidado, não leias! Ler o livro torna-te mais culto.

 O livro aprendes que a vida é feita de perguntas que respostas. Se achas que tens as respostas então não leias.
Cuidado, não leias! Ler o livro permite teres o conhecimento que não aprendestes na escola.

 Cuidado, não leias! Ler o livro torna-te mais humano.
Cuidado, não leias! Ler o  livro prejudica gravemente a ignorância.


CUIDADO, NÃO LEIAS!

A rejeição.

“ Não me apetece ir ao cinema contigo “ ;  “ Lamento, mas a equipa já está completa “ ; “ O lugar  que se candidatou foi preenchida “ . Não, não, não... Todos os dias, enfrentamos dezenas de nãos e tempos de lidar com as criticas e opiniões das pessoas que nos rodeiam. É assim que funciona a engrenagem social. Continuamente põem-nos de lado ou somos nos a por alguém de lado ( o que tem acontecido com as pessoas que me pedem amizade no facebook e depois excluem-me do seu grupo de amigos, ou , aquelas que bloqueiam-me e continuam interagir com amigos que fazem parte do meu círculo de amizade !! ). Enfim, escolhemos  e somos escolhidos. É inevitável. Não se pode agradar a toda a gente. No entanto, tendemos, por vezes, interpretar essas negativas de forma muito pessoal, o que põe de rastos a nosso a auto-estima.
A rejeição é o sentimento que atinge a pessoa quando recebe dos outros que não é aceite.
Pode ser uma rejeição objectiva, como acontece nos casos de intimidação no trabalho ou na escola, ou de uma impressão subjectiva.
De facto, a maioria dos casos, não existe uma explicação racional , mas a pessoa apercebe-se e interpreta os sinais consoante as suas expectativas negativas, em função de experiências que teve anteriormente.
É normal ter algum medo, de vez em quando, de ser rejeitado; o medo da rejeição só se torna um problema quando impede a pessoa de manter relações e estabelecer laços. Nessa altura , transforma-se num pesadelo que afecta a maneira de ser da pessoa.
Assim as crianças que receiam ser rejeitadas costumam mostrar um comportamento agressivo e provocam mais conflitos na escola. Na adolescência, tem a tendência para se fecharem entre si e dificuldades em fazer amigos. E, quando se tornam adultos, continuam a ter problemas para se relacionar  com os colegas de trabalho. 
No entanto, e no campo amoroso, sem dúvida, que mais sofrem: sentem pânico ao imaginar que podem ser abandonados pelo seu par, pelo que necessitam continuamente de provas de afecto.
A verdade é que, quando nos sentimos mal, tendemos projectar esse sentimento em nos próprios e o amor-próprio baixa vários pontos. A auto-estima  faz parte  de um sistema primitivo de alerta emocional que é activado quando surgem indícios de se estar socialmente excluído.
“ Everybody Hurts “ ( toda a gente sente dor ) cantava, há uns anos, a popular banda norte-americana  R.E.M. Não se trata de uma metáfora: ser rejeitado doí fisicamente, e muito.
É certo que a baixa auto-estima leva as pessoas a  “ procurar “ a exclusão mas depende da forma como encaram a rejeição.
Felizmente há terapias de desenvolvimento pessoal que procuram tornar as pessoas consciente de que não são os outros que a rejeitam , mas ela própria.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

As dádivas da Vida .

As violências, as situações negativas, as dificuldades, os reveses, parecem deixar mais marcas no nosso espírito, na nossa memória, no nosso corpo e na nossa história pessoal do que os acontecimentos felizes que possam ter vivido.As ocorrências nefastas provocam fracturas, falhas, abrem espaços vazios e relevam carências.
Marcam-nos como feridas, como páginas magoadas ou rasgadas da nossa história que nos apressamos a virar, a pôr de lado, a esquecer.
Parece que o nosso próprio plano de consciência continua preso a uma percepção dividida e fundamentalmente dual da realidade: dum lado encontra-se tudo o que existe de bom, tudo o que releva da ordem do prazer, do gratificante e do tranquilizador (todas as mensagens desta naturezas são cultivadas, incorporadas, procuradas ou mesmo endeusadas segundo uma ideologia positivista); do outro lado, está tudo o que gera mágoas e nos confronta com inaceitável, com a insegurança, e que é negado, perseguido, totalmente rejeitado, deixando apesar disso marcas profundas que jamais desaparecem.
Parece que não aprendemos ainda a descodificar as mensagens da vida contidas em cada acontecimento para além da sua conotação imediata com o sofrimento, os obstáculos, ou as dificuldades; ou não conseguíssemos perceber, e ainda menos aceitar, os fenómenos gratificantes, os factos positivos, as dádivas da vida, escondidos mas presentes…em tudo o que acontece.Os índios da costa oeste do Canadá acreditam que «qualquer acontecimento, qualquer descoberta, tem atrás de si uma dádiva » desde que aceitamos considerá-los nessa qualidade.
Uma tal disponibilidade e abertura de espírito pressupõe que sejamos capazes de engendrar uma forma de comunhão, uma harmonia no sentido vibratório do termo, entre o que nos é dado pela vida e maneira como encaramos, recebemos, o integramos ou assimilamos.
Com efeito, tudo se decide na alquimia dum encontro misterioso e subtil em que o exterior e o interior, a realidade e o real, se combinam e fazem emergir o sentido profundo dum acto ou duma situação única.O « real » torna-se assim a transformação pessoal e características de cada um duma parte da realidade.
Quando passamos por aborrecimentos, confusões ou contrariedades, quando temos um acidente ou sofremos uma doença, quando um ente querido nos deixa, é-nos difícil a princípio perceber em que medida estes acontecimentos podem ser positivos, que dádivas é que nos podem trazer.
Os acontecimentos brutais e a violência que lhes é inerente irritam-nos, revoltam-nos, atormenta-nos e desestabilizam-nos fazendo com que a reajamos com atitudes defensivos. Por vezes esses acontecimentos chegam a ferir-nos e a martirizar-nos, podendo ter efeitos demolidores e destruir uma parte essencial de nós mesmos.
Tornam-se necessários, um olhar introspecção, para se voltar a encontrar a faísca vivaz da vida frágil e a possibilidade duma abertura e duma mudança após o período de insegurança; e para se descobrir a parte de milagre oferecida no que apenas deixava ver, numa primeira impressão, uma aparência de violência, de caos, de injustiça e de desordem inaceitáveis.
Um acontecimento traumático pode despoletar potencialidades inexploradas, aspectos desconhecidos de nós mesmos.Uma crise, um conflito grave, podem ser um catalizador para reunir energias dispersas, para activar riquezas desconhecidas, para revelar potencialidades inesperadas.A vida contém muitas dádivas.
O mecanismo parece ser o seguinte. Os sinais positivos, quando são reconhecidos como tal e são aproveitados, são uma energia e esta energia transforma-se de certa maneira numa irradiação de bem-estar, de amor. Pelo contrário, os sinais negativos podem ser entendidos como violência que despertam feridas, as quais por seu lado segregam sofrimento. O sofrimento, as mágoas, desvitalizam, consomem energia.
Com base nestes conhecimentos, temos a possibilidade de empreender uma aprendizagem das relações humanas que nos permite acolher com gratidão a vida contida em qualquer acontecimento, em qualquer união ou em qualquer relação.
Não restam assim dúvidas de que estar vivo é acolher a vida.
Nós não recebemos apenas a vida no momento da nossa concepção ou do nosso nascimento, como um capital que estivesse em definitivo adquirido e que teríamos apenas de gerir ao longo da nossa existência terrestre. Creio que podemos acolher, dinamizar a vida que se nos apresente em todas as suas formas, a partir da simples existência quotidiana.Em qualquer momento, por meio de estímulos que nos vêm da natureza e dos seres, como acontecimentos e das situações que interagem connosco, a vida está presente, omnipresente, à espera que a descubram. Nós somos de certo modo transmissores, passadores da vida. O sentido da nossa passagem pela Terra talvez seja acolher a vida, valorizá-la, enriquecê-la e espalha-la à nossa volta. Saibamos assim renunciar a muitos logros, a muitas falsas ideias sobre o amor, de tal modo que, aprendendo a amar-nos, sejamos capazes de alargar as nossas relações em termos de « ecologia relacional » .
Nós recebemos dádivas da vida se as soubermos acolhê-las, mas podemos também oferecê-las, espalhá-las, criá-las.
Cada um de nós pode interrogar-se à noite antes de adormecer.
Que dádiva de vida fui capaz de oferecer hoje?
Que palavra,
que olhar,
que sorriso,
que gesto que conforto,
ofereci,
recebi,
revelei?
De que forma afectou a estado espírito da pessoa que leu o texto?
Que dádiva lhe deu?


 

 

 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Os pensamentos são gerados por ti.

Os nossos pensamentos são a ferramenta mais poderosa que nos foi dado nesta vida.  Podemos usá-los para criar alegria, antecipação, entusiasmo, divertimento, felicidade e paz.
E claro que, com a mesma facilidade, podemos permitir que os nossos pensamentos sejam armas autodestrutivas. Podemos acordar de manhã com uma lista de queixas tão comprida como a primeira página de um jornal. E seja qual for o caminho que tomemos – positivo ou negativo – é provável que a nossa escolha tenha pouco ou nada a ver com quão “ boa “ a nossa vida verdadeiramente é, vista de “ fora “.
Seja como for, o nosso bem-estar depende da maneira como lidamos com as nossas vidas por dentro – no nosso pensamento. Em que estamos a pensar? Quando pensamos? Que importância damos o nosso pensamento? E, mais importante do que tudo, será nos lembramos que somos nós que estamos a pensar?
Se conseguires ter em mente a realidade de que controla os teus próprios pensamentos e mais nada, estarás  em boa forma. Sempre que o negativismo se alojar na tua mente ( o que acontecera com frequência ), lembras de duas coisas: estás a criar o negativismo com o teu próprio pensamento. Mas, mais importante do isso, tens o poder de impedi-lo.
Os nossos pensamentos tem o poder, se os deixarmos fazer o que quiserem, de nos elevar aos picos da felicidade ou nos fazer mergulhar nas profundezas da infelicidade . É por isso que é tão importante lembramo-nos de que somos nós que detemos o controlo. Podemos seguir os nossos pensamentos a medida que eles surgem ou podemos alterá-los ou largá-los. Só nos podemos fazer a escolha.
Incentivo-te a começar a prestar atenção aos pensamentos que estão ocupar a tua mente. Eles estão a levar-te a sítios aonde queres ir? Ou estão incentivar-te a ser infeliz, derrotista, irritado ou frustrado?

 

terça-feira, 9 de abril de 2013

A leitura é para todos.

Há cerca de trinta e cinco anos descobri o prazer da leitura foi quando o meu amigo Daniel emprestou um livro. Um livro que contava a história de um rapaz endiabrado com o seu inseparável amigo. Estou a falar do livro “ As aventuras do  Tom Sawyer “ de Mark Twain. O meu amigo Daniel  ( Daniel faleceu com 24 anos vitimado pela S.I.D.A. Se tivesse vivo teria 42 anos ),  ajudou-me a ver que, se formos um bocadinho motivados, todos nós temos tempo para ler. Ele sabia que uma das razões  pelas quais as pessoas não lêem e por não terem apanhado o bichinho da leitura. Por outras palavras, não sabem como é divertido estar sentado, entusiasmado, a imaginar o que vem a seguir, incapaz de pousar o livro; ainda não descobriram que a leitura pode entreter-nos completamente, onde quer que se vá, a qualquer hora do dia. Quando ficamos preso a leitura, as nossas vidas tornam-se muito mais ricas e interessantes.
Aquele ano foi um ponto de viragem na minha vida. Encarei a leitura como uma coisa que tinha de fazer. E decidi entrar na biblioteca perto de casa. Os funcionários da biblioteca olharam-me com desprezo como se fosse uma personagem saído do livro de Jorge Amado , “ Os capitães de areia “ porque as roupas que vestia eram provenientes das doações da igreja. Vestia roupa acima do meu número. Mas naquele momento não pensava da minha aparência apenas queria entrar na biblioteca.
No chão estava um comprido tapete amarelo que ia em direcção a estante com os livros do Júlio Verne. Peguei no livro “ Volta ao mundo em 80 dias “. Sentei no chão porque as cadeiras estavam ocupadas pelas outras crianças. Abri o livro e comecei... a viajar. Uma viagem que ainda não terminei.
Cada livro que lia ou leio é como ver o mundo de diferentes perspectivas. Descobrir pessoas que pensam diferente de mim. Outra ideia, a leitura expande a nossa mente, conhecemos as palavras, aperfeiçoamos o nosso vocabulário e construímos facilmente temas de conversa.

A leitura é uma daquelas coisas extraordinárias da vida: quanto mais se lê, mais se adora!
Quem sabe, pode ser um leitor nato e nem sequer precisa de nenhum incentivo adicional para ler. Mas talvez alguém da sua família, ou alguém de quem goste, precise um incentivo.
Ler é uma pequena mudança que irá encher a sua mente com muita energia positiva e trazer divertimento inimaginável.

Além disso
a 
“ Leitura prejudica gravemente a ignorância.

Leia mais viva mais. “

 

Ouça sem interromper.

Há uns anos conversei com meu amigo monge budista tibetano, Xing Pi.
Depois de uma hora de meditação, o meu querido amigo Xing sugeriu que fizéssemos um intervalo de 15 minutos. Durante o intervalo, perguntou-me se podia falar comigo.
- Abílio – disse o meu amigo-, eu gostaria de fazer uma pequena sugestão que pode mudar a tua vida. Na realidade , é uma mudança minúscula, mas farei a sugestão com teu consentimento e só estiveres realmente interessante em saber que se trata.
-Agora deixastes mesmo curioso- disse eu -. É claro que saber do que se trata.
– Está bem, Abílio. De agora em diante, quando alguém aqui der uma sugestão, quero que ouças essa pessoa como se estivesses a ouvir música. Deixa-a entrar completamente. Não faças comentários acerca da sugestão e, faças o que fizeres, não digas a pessoa porque é que a ideia não vai funcionar. E nada de interrupções. O mesmo se aplica a tua própria mente, dentro do teu pensamento. Limita-te a ouvir em silêncio e permitir que a sugestão faça efeito. Não faças nada ainda com as sugestões. Deixe que elas penetrem um pouco. Se algum pensamento desagradável entrar na tua mente, liberta-te dele. Combinado?
- Combinado – disse eu, sentindo-me um pouco tolo por me aperceber de que não tinha estado realmente a ouvir nenhum dos meus amigos durante muitos anos.
Xing prossegui para explicar: - Quando começas a criticar o que está a ser dito enquanto está a ser dito, em vez de te limitares a ouvir, os teus próprios preconceitos, juízos de valor e ideias metem-se no caminho. Eles impedem-te de aprenderes alguma coisa nova.
Esta foi um experiência reveladora para mim. Sempre pensara que era um ouvinte irrepressível, mas naquele dia aprendi ouvir de verdade, e isso foi o início de uma vida completamente nova para mim. Naquele dia compreendi que não há nenhuma vantagem em interromper nem criticar mentalmente alguém que está a dar-nos um conselho. Afinal de contas, pode-se sempre levar em consideração o conselho e mais tarde decidir-se em não o aceitar.

Pois bem,
quando ouve com uma mente mais silenciosa os seus entes queridos, colegas, amigos ou qualquer outra pessoa cuja opinião lhe é crucial ouvir, tanto para si como a pessoa quem está a ouvir vão sentir toda a diferença do mundo. Consegue imaginar como o mundo seria diferente se amigos, maridos, mulheres, e até mesmo líderes políticos se pudessem ouvir uns aos outros desta forma?
Um dos aspectos mais bonitos deste tipo de capacidade de ouvir é a sua simplicidade. Tudo o que tem de fazer ignorar o ruído na sua mente enquanto os outros falam consigo e morder a língua quanto esta tentado a interromper.