segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Quanto mais livre for, mais junto o amor fica. Texto de Marcel Camargo

“O amor é isso. Não prende, não aperta, não sufoca. Porque, quando vira nó, já deixou de ser laço.” (Mário Quintana)

A gente perde emprego, deixa de ser amado, vê as pessoas indo embora, vê o dinheiro sumir, porém, ninguém nos tira as verdades que carregamos dentro do peito. Não somos donos de nada nem de ninguém, não controlamos o daqui a pouco, nem temos poder algum sobre os acontecimentos da vida. Ninguém é de ninguém. Nada é de ninguém.

Uma das atitudes mais descabidas que há vem a ser essa necessidade de querer se achar dono do outro, determinando-lhe os rumos de vida, controlando os seus passos, querendo que aja conforme aquilo que ditamos. Tiranizar o semelhante é um comportamento covarde e injusto, pois ninguém tem o direito de limitar as dimensões dos sonhos de liberdade de alguém.

O mesmo se aplica ao amor. Pessoas devem ficar juntas, sendo parceiras e companheiras por livre e espontânea vontade, de ambas as partes. Infelizmente, muitos confundem relacionamento com prisão, parceria com obrigação, afeto com devoção. E, assim, acabam por privar o parceiro de tudo aquilo em que não estejam incluídos, afastando-o de amigos, de eventos, até mesmo da família.

Amor não tem amarras, simplesmente porque sentimento não tem limites claros, são infinitos, imensuráveis, ilimitados. Sentimento se expande, se multiplica, pois sua natureza é livre e espontânea. Não dá para tentar prender o que não consegue se diminuir, delimitar-se, o que não tem medida. O amor verdadeiro se instala e pronto, ficando de bom grado onde é regado e livre.

Quem quer trair trai, não importa o que o outro faça, não importa o que o outro diga, porque trair é uma decisão de quem não assume compromisso, só finge. Por mais que o parceiro prenda, a liberdade sempre lutará por ocupar todo e qualquer espaço inalcançável, pois é disso que ela se alimenta, dessa ânsia pelo infinito.

Quem fica, é porque ama, trazendo toda a verdade que seu peito carrega e, por isso mesmo, não precisa de que o outro lhe diga o que fazer, com quem sair, para onde ir ou não ir. Quem fica, ali está porque realmente quer. Deixe que vá quem você ama, pois ele voltará, e o fará porque precisa de seu amor. É assim que o amor fica.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

É Proibido. Poema do poeta chileno Pablo Neruda.

É Proibido

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

INVEJA - OSHO . O Livro da Sabedoria, vol. II

INVEJA
Inveja é comparação.
E nós fomos ensinados a comparar;
Fomos condicionados a comparar, a sempre comparar.
Alguém tem uma casa melhor, alguém tem um corpo mais bonito, alguém tem mais dinheiro, alguém tem uma personalidade mais carismática: compare.
Continue comparando você com todo mundo que passar e uma grande inveja será o resultado; é um subproduto desse condicionamento.
Caso contrário, a inveja desaparece se você deixar cair a comparação. Então você simplesmente sabe quem você é e você não é ninguém mais e não há necessidade de ser, também.
É bom que você não se compare com as árvores, caso contrário você vai começar a sentir muita inveja: por que não está verde? E por que a existência foi tão dura com você - sem flores?
É melhor que você não se compare com os pássaros, com os rios, com as montanhas, senão você vai sofrer. Você só se compara com os homens, porque é assim que você foi condicionado; você não se compara com pavões e papagaios.
Caso contrário, sua inveja seria mais e maior: você estaria tão sobrecarregado pela inveja que não estaria apto a viver.
A comparação é uma atitude muito tola, porque cada um é individualmente único e incomparável. Uma vez que este entendimento se estabelece em você, a inveja desaparece.
Cada um é único e incomparável. Você é apenas você mesmo: ninguém nunca existiu como você e ninguém nunca vai ser como você. E você não precisa ser como qualquer outra pessoa também.
A existência só cria originais; Ela não acredita em cópias de carbono.

Ser ovelha implica atribuir a responsabilidade dos nossos actos ao pastor. Via Abílio de Sousa

Ser ovelha implica atribuir a responsabilidade dos nossos actos ao pastor. A maioria dos crimes contra a Humanidade foram feitas dessa maneira.
Atrocidades horríveis realizadas por mentes obedientes. Mentes que não puseram em causa os seus próprios actos.

As nossas escolas transformaram-se em fábricas enormes para a produção de robôs.

" As nossas escolas transformaram-se em fábricas enormes para a produção de robôs. Nós já não mandamos os nossos filhos para a escola para serem ensinados e para que lhes sejam dadas ferramentas para pensar; nem sequer para serem informados ou adquirirem conhecimentos, mas para serem "socializados" - o que, na semântica actual significa serem submetidos ao sistema e forçados a se conformar. "
Robert Lindner, (1956)

Oração do Amor Próprio. Texto de Meire Oliveira

Que eu saiba primeiro me encontrar, antes de me doar.

Que eu possa respeitar os meus próprios limites e aprender a dizer não quando essa é a minha real vontade e direção.

Nos erros que cometo, que eu possa me olhar com todo amor e compaixão, pois sei que faço e dou o meu melhor, que eu aprecie a autogratidão.

Em cada alegria celebro a grandeza de ser quem sou, sem querer ser uma imagem que pintaram de mim, esse tempo acabou.

Com carinho eu me cuido e me amparo a cada passo, a cada queda. Sei que minha força se refaz no meu tempo, e nele meu coração celebra.

ue eu não me critique ou me culpe, drenando assim minha própria energia. Que eu saiba respeitar o meu tempo de florescer a cada dor, que eu possa também me permitir a alegria.

Que antes de eu cuidar do outro, eu olhe para a minha vida, regue o meu jardim para que a doação não me deixe um buraco e eu me sinta depois dolorida.

Que eu não abandone a mim mesma, esperando que alguém venha me salvar, ao invés disso que eu saiba me olhar com amor e me curar.

sábado, 30 de setembro de 2017

Como você está interpretando a vida? Texto de Maria Cristina Ramos Britto

Os pensamentos estão sempre conosco, mesmo quando não lhes damos atenção. Eles são inquilinos da mente que acumulam ideias como alguns juntam quinquilharias: são (pre)conceitos e crenças, reunidos ao longo da vida, costurados por influência da família, da escola, da sociedade que se tornam certezas, mesmo que não tenham evidências de que sejam corretos. O que significa isso? Que você pode acreditar em coisas que o fazem sofrer e elas existirem apenas em sua cabeça.

Quer um exemplo? Você supõe que, se for a uma festa, ficará ansioso e as pessoas vão ignorá-lo.

Você antecipou uma série de eventos sem qualquer prova de que eles acontecerão, partindo do pressuposto de que é inábil e não sabe se comportar em grupo. Na verdade, são as crenças que tem a respeito de si mesmo que desencadeiam emoções e comportamentos desadaptativos, no caso, não ir à festa, por exemplo, que reforçarão os pensamentos (sou incapaz de manter relacionamentos), as emoções (frustração, fracasso, tristeza) e os comportamentos (evitação, isolamento). Você criou um cenário catastrófico que não tem base real.

Isso não quer dizer que todos os pensamentos estejam errados, apenas que, vivendo no automático regido pelas crenças de desamor, desvalor e desamparo, a maioria das situações de vida serão encaradas como dolorosas, ameaçadoras, difíceis, perigosas, e reforçarão os comportamentos que levem a evitá-las, que intensificarão as emoções negativas, que vão corroborar as crenças de desamor, desvalor e desamparo. Percebeu o círculo vicioso?

Em resumo, pensamentos não são fatos, e é preciso estar atento à qualidade dos mesmos. Se são frequentemente negativos, exagerados e antecipam apenas situações catastróficas, desconsiderando outros cenários possíveis, é preciso reestruturá-los. Isso não significa trocar os pensamentos negativos por positivos, mas ter uma visão mais realista de todas as circunstâncias, e assim poder enfrentar melhor até mesmo as desfavoráveis. Na escala de cores, entre o preto e o branco há uma infinidade de tons, e na vida também existem nuances que muitas vezes são esquecidas.

Para terminar: se estiver difícil encarar seus problemas, procure ajuda. A terapia cognitivo-comportamental é breve, objetiva e orientada para resultados.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Então temos de perguntar a nós mesmos… o que há dentro da minha xícara?

Você está segurando uma xícara de café quando alguém chega e encosta ou balança seu braço, fazendo com que derrame o café por todo lado. Por que você derramou o café?

“Bem, porque alguém encostou em mim, é claro!”

Resposta errada.

Você derramou o café porque o café estava na xícara.

Se dentro houvesse chá, você teria derramado chá.

O que quer que esteja dentro da xícara é o que será derramado.
Portanto, quando a vida chega e balança você (algo que com certeza irá acontecer), seja o que for que esteja dentro de você irá sair.

É fácil fingir até que você seja chacoalhado.

Então temos de perguntar a nós mesmos… o que há dentro da minha xícara?

Quando a vida fica difícil, o que derrama?

Alegria, gratidão, paz e humildade?

Ou fúria, amargura, palavras e ações duras?

Você escolhe!

Hoje vamos nos esforçar para encher nossas xícaras com gratidão, perdão, alegria, palavras de afirmação para nós e aos outros, bondade, gentileza e amor.

Autor desconhecido

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Até o coração mais forte cansa de ser maltratado. Texto de Valéria Amado

Até a personalidade mais forte se cansa de ser maltratada, boicotada e manipulada. Porque o coração forte não é um coração frio, muito menos imune à maldade e ao carinho com segundas intenções. Todos nós temos limites; no entanto, as personalidades acostumadas a “resistir” são as que mais sofrem, as que mais demoram a reagir.

Algo que muitas vezes se entende de forma errônea é que a pessoa emocionalmente forte é alguém que sabe controlar seus sentimentos. Nos dias de hoje, apesar da facilidade com que lidamos com os termos associados à “inteligência emocional”, ainda mantemos ideias equivocadas, como pensar que as emoções, por exemplo, são o oposto da razão.


“Um coração é uma riqueza que não se vende nem se compra: se presenteia.”
-Gustav Flaubert-

Ao imaginar um coração forte, visualizamos quase instantaneamente uma pessoa barricada por trás de uma armadura forte, alguém que mantém a cabeça fria e o olhar firme para manter o controle sobre esse mundo complexo, às vezes doloroso e exigente, que é o universo das emoções e dos sentimentos. No entanto, a personalidade forte nem sempre apresenta este tipo de arquitetura psicológica.

A resistência ou força emocional muitas vezes responde ao compromisso pessoal que uma pessoa mantém com as outras. É se manter firme para prestar ajuda quando os outros caem, tentando ser sempre úteis, próximos. São perfis que se alçam como o mastro de um barco em uma noite de tormenta, são o pilar onde todos se apoiam, a rocha onde todos põem seus pés para atravessar os rios…

Elas parecem fortes, até que um dia se rompem ou simplesmente cansam. Propomos que você reflita sobre isso.

O coração cansado de ser forte

Muitas vezes, quando uma pessoa recorre à terapia para buscar ajuda, a primeira coisa que ela expressa é seu cansaço. Elas sentem um esgotamento que nunca haviam experimentado antes, estão sobrecarregados, exasperados, e com a clara sensação de ter chegado no limite de suas forças. Seus exames médicos não revelam quaisquer problemas de saúde, no entanto, perderam “sua respiração vital”.

Algo que deveríamos deixar muito claro a respeito da intervenção psicológica ou da psicoterapia é que não são apenas pessoas com personalidades instáveis que a solicitam, não são apenas perfis com necessidades clínicas ou pacientes que precisam de estratégias adequadas para gerir suas emoções e seus problemas.

Às vezes, chegam pessoas bem cientes de que o nível de seu estresse as ultrapassou. Estão em dia com diversos mecanismos de enfrentamento, conhecem a atenção plena e outras ferramentas que tentaram aplicar sem obter benefício algum. Sua capacidade de desempenho e de autocuidado foi tão diluída pelo cansaço que são incapazes de se reconhecer diante do espelho. Mas eu era uma pessoa muito forte! O que aconteceu comigo?

O que aconteceu é que o seu cérebro disse ‘chega’. Quando aprofundamos um pouco mais em suas realidades pessoais, descobrimos sempre o grande excesso de responsabilidade que carregam sobre seus ombros, sobre seu coração. Na verdade, mais que pessoas fortes, elas são personalidades acostumadas a praticar uma resistência extrema e pouco higiênica, onde não existe autoproteção.

São mulheres e homens acostumados a calar suas necessidades para aparentar força e, assim, ser essa luz constante e sempre perdurável para os outros. No entanto, o que muitas vezes eles recebem em troca é amargura, egoísmo e solidão.

Simples conselhos para as pessoas cansadas de ser fortes

Vamos visualizar por um instante uma esteira. A pessoa que precisa ser forte se acostumou a manter um ritmo muito elevado em termos de velocidade e de exigência em sua vida. Ela se sente orgulhosa de si mesma, seu coração é muito forte, e pensa que vai poder manter esse ritmo por toda sua vida.

“Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.”
-Antoine de Saint Exupéry-

No entanto, mais cedo ou mais tarde chegam as câimbras, a dor e o esgotamento. A esteira continua se movendo na mesma intensidade, as pessoas ao seu redor continuam com o mesmo nível de demanda e de exigência sem ver o mau estado de seu colega, familiar, parceiro ou amigo. No entanto, o nosso protagonista chegou ao limite e não sabe como parar essa esteira, essa espiral destrutiva.

O que deveríamos fazer neste caso? Diminuir o ritmo, reduzir a intensidade? Absolutamente. O mais adequado nesta situação é parar: nosso coração precisa se recuperar.

É hora de cuidar de si mesmo

Você não precisa de uma pausa nem de parar ao longo do caminho. Você precisa ser forte para si mesmo e não só para os outros, e para isso você deve fazer mudanças, focar as encruzilhadas vitais e cotidianas de uma forma mais harmônica, consistente e saudável.


 Tire alguns segundos para pensar nas seguintes propostas:

Renuncie aos conflitos, problemas ou situações que não têm solução. Você já perdeu muito tempo e energia em coisas e pessoas que não valem a pena.

Não espere que as pessoas ajam da forma que você agiria. Essa é uma forte característica da frustração.

Comece a tomar consciência das suas necessidades, escute-as todos os dias e dê prioridade a elas.

Lembre-se, acima de tudo, de que você não é um herói. Sua função não é tornar possível o impossível, você não é mago nem arquiteto de pontes de um lugar onde não há bancos. Você também não pode salvar o impossível nem dar felicidade a quem não sabe o que é alegria, respeito ou reciprocidade.

Aprenda a cuidar emocionalmente de si mesmo, aprenda a ser forte também para a sua própria pessoa.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

ESTA ENTREVISTA COM AUGUSTO CURY DEVERIA SER LIDA POR TODOS OS PAIS.

O famoso autor e psiquiatra Augusto Cury deu uma entrevista pra lá de interessante a revista Cláudia, sobre a educação das crianças. Confira:

– Nunca tivemos uma geração tão triste

Nunca tivemos uma geração tão triste, tão depressiva. Precisamos ensinar nossas crianças a fazerem pausas e contemplar o belo. Essa geração precisa de muito para sentir prazer: viciamos nossos filhos e alunos a receber muitos estímulos para sentir migalhas de prazer. O resultado: são intolerantes e superficiais. O índice de suicídio tem aumentado. A família precisa se lembrar de que o consumo não faz ninguém feliz. Suplico aos pais: os adolescentes precisam ser estimulados a se aventurar, a ter contato com a natureza, se encantar com astronomia, com os estímulos lentos, estáveis e profundos da natureza que não são rápidos como as redes sociais.

Pais precisam criar intimidade com os filhos

Pais que não cruzam seu mundo com o dos filhos e só atuam como manuais de regras estão aptos a lidar com máquinas. É preciso criar uma intimidade real com os pequenos, uma empatia verdadeira. A família não pode só criticar comportamentos, apontar falhas. A emoção deve ser transmitida na relação. Os pais devem ser os melhores brinquedos dos seus filhos. A nutrição emocional é importante mesmo que não se tenha tempo, o tempo precisa ser qualitativo. Quinze minutos na semana podem valer por um ano. Pais têm que ser mestres da vida dos filhos. As escolas também precisam mudar. São muito cartesianas, ensinam raciocínio e pensamento lógico, mas se esquecem das habilidades sócio-emocionais.

Incentivar mais e criticar menos

Em vez de apontar falhas, os pais devem promover os acertos. Todos os dias, filhos e alunos têm pequenos acertos e atitudes inteligentes. Pais que só criticam e educadores que só constrangem provocam timidez, insegurança, dificuldade em empreender. Os educadores precisam ser carismáticos, promover os seus educandos. Assim, o filho e o aluno vão ter o prazer de receber o elogio. Isso não tem ocorrido. O ser humano tem apontado comportamentos errados e não promovido características saudáveis.

Mais brincadeira, menos informação

Criança tem que ter infância. Precisa brincar, e não ficar com uma agenda pré-estabelecida o tempo todo, com aulas variadas. É importante que criem brincadeiras, desenvolvendo a criatividade. Hoje, uma criança de sete anos tem mais informação do que um imperador romano. São informações desacompanhadas de conhecimento. Os pais podem e devem impor limites ao tempo que os filhos passam em frente às telas. Sugiro duas horas por dia. Se você não colocar limite, eles vão desenvolver uma emoção viciante, precisando de cada vez mais para sentir cada vez menos: vão deixar de refletir, se interiorizar, brincar e contemplar o belo.

Conselho final para os pais

Vejo pais que reclamam de tudo e de todos, não sabem ouvir não, não sabem trabalhar as perdas. São adultos, mas com idade emocional não desenvolvida. Para atuar como verdadeiros mestres, pai e mãe precisam estar equilibrados emocionalmente. Devem desligar o celular no fim de semana e ser pais. Muitos são viciados em smartphones, não conseguem se desconectar. Como vão ensinar os seus filhos e fazer pausas e contemplar a vida? Se os adultos têm o que eu chamo de síndrome do pensamento acelerado, que é viver sem conseguir aquietar e mente, como vão ajudar seus filhos a diminuírem a ansiedade?

Pois, é uma das crenças que confunde bondade com estupidez!! De Abílio de Sousa

Uma das crenças que quase todos nós fomos educados que deveríamos sentir culpados por não colocar os outros em primeiro lugar e a nossa pessoa deveria ser renegada para segundo plano!
Pois, é uma das crenças que confunde bondade com estupidez!!

“As escolas preparam alunos para os hospitais psiquiátricos”, diz Augusto Cury

O psiquiatra e escritor Augusto Cury lançou uma campanha de combate ao jogo Baleia Azul. A ideia é promover nas redes sociais o debate entre jovens e também com os pais.

Cury é crítico ao atual sistema de ensino e acredita que a pressão escolar, o excesso de informação e atividades está prejudicando as crianças e jovens.

Para ele, as crianças se tornaram escravas da informação e não têm mais tempo para viver a infância. Ainda que os pais, “desesperados”, assumam seus erros, ele acredita que é nas escolas que estão as grandes falhas. Ao focar unicamente no pensamento lógico, as instituições de ensino deixam de lado o controle emocional.

Em entrevista exclusiva ao Viver Bem, o psiquiatra colocou em xeque o uso da internet, que, segundo ele, está criando vícios e doenças, como a síndrome do Pensamento Acelerado, e afeta cerca de 80% de pessoas no mundo.

Como melhorar a inteligência emocional?

A inteligência emocional não está inserida no código genético, ela é aprendida. Só que nós estamos falando de uma outra inteligência agora, que é a inteligência da gestão da emoção. Inteligência emocional é como se fosse uma montanha, a gestão da emoção é você implodir essa montanha, pegar os blocos, usar argamassa, pisos, azulejos e construir os vários edifícios. E quais são os edifícios? Aprender a pensar antes de reagir, trabalhar perdas e frustrações, filtrar estímulos estressantes, proteger a emoção, gerenciar a ansiedade, se reinventar no caos, desenvolver resiliência, trabalhar perdas e frustrações, ser generoso, ser altruísta e não ser autopunitivo.

E como a internet tem influenciado na gestão das emoções?

A internet trouxe acessibilidade, expansão da produtividade, democratização das informações, mas trouxe também efeitos colaterais gravíssimos. Um deles é a intoxicação digital. Celulares podem viciar como drogas estimulantes, apresentando sintomas da síndrome de abstinência como a cocaína. Por exemplo, quando você retira por um ou dois dias o celular de um jovem que usa o aparelho por 3 ou 4 horas diariamente, ele vai ter síndrome de abstinência. Os sintomas são irritabilidade, baixa limiar para frustração, um tédio intenso, dificuldade de lidar com perdas e frustrações, transtorno do sono e, às vezes, humor depressivo. São as características básicas de uma síndrome de abstinência. E outra consequência importante: a geração minuto. Ou seja, tudo para eles têm que ser rápido e pronto. Essa geração aumentou os níveis de ansiedade numa velocidade nunca antes vista.

Como se caracteriza essa ansiedade?

É uma ansiedade que eu tive o privilégio de descobrir e a infelicidade de saber que grande parte da população é acometida por ela. Chama Síndrome do Pensamento Acelerado. Pensar é bom. Pensar com consciência crítica é ótimo. Pensar demais e sem gerenciamento é uma bomba contra a saúde emocional.

Quais os sintomas dessa síndrome?

Os sintomas são acordar cansado, dor de cabeça, dores musculares, sofrimento por antecipação, dificuldade de proteger a emoção nos focos de tensão, dificuldade de conviver com pessoas lentas, transtorno do sono e déficit de memória. Se tiver dois ou três sintomas, já caracteriza a síndrome do pensamento acelerado. Essas pessoas precisam reciclar sua forma de vida, senão serão futuros pacientes de psiquiatras, médicos psicossomáticos ou de clínicos gerais.

A internet é a grande causadora de tudo isso?

A causa é, em primeiro lugar, o excesso de informação. Uma criança de 7 anos de idade tem mais informações do que um imperador romano, uma de 8 a 9 anos tem mais informações que Sócrates, Platão e Aristóteles. Em segundo lugar, o excesso de atividade. Infelizmente nós estamos assistindo a um trabalho infantil escravo intelectual. Crianças que têm tempo para tudo, mas não têm tempo para ter infância. Têm mil atividades, mas não conseguem lidar com o tédio e a ansiedade inerente à psique humana.

E qual o papel da educação, dos pais e professores, diante disso?

Antigamente, os pais nunca assumiam que erraram na educação. Agora, como digo no livro que estou lançando (“20 Regras de Ouro para Educar Filhos e Alunos” Ed. Academia de Inteligência), os pais estão tão desesperados que já assumiram que falharam. E as regras de ouro precisam ser trabalhadas na educação, caso contrário, vamos continuar no erro. As escolas preparam os alunos para os hospitais psiquiátricos. Essa educação cartesiana que bombardeia o córtex cerebral com milhões de dados está doente.


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Não aceite migalhas! Afinal, você nasceu completo, não é? Texto de Neuropsicóloga Clínica e Coach, BRUNA MOREIRA.

Todas as coisas que hoje são realidade nasceram primeiro no pensamento de alguém. E esse alguém só conseguiu transformar esse pensamento em realidade porque acreditou que era possível. Acreditando ser possível, ele pôde fazer acontecer.

Pensando desta forma, sabemos que tudo é possível e que podemos ser seres humanos brilhantes, incríveis e com amor-próprio. Podemos fazer muitas coisas sem ninguém, podemos ser cada dia mais inteligentes, buscando somente aquilo que agregue em nossas vidas, diariamente vemos e conversamos com pessoas, e desses encontros podemos usufruir e aprender algo ou somente nos decepcionar com algumas pessoas, as quais, possivelmente, não precisamos que façam parte de nossa vida.

Mas porque algumas pessoas insistem em ser rodeados de pessoas que não agregam em nada e só lhes fazem mal?

Então, não espere que alguém enxergue o seu valor, comece essa tarefa por você, decida ver a si mesmo com olhos de amor e não de piedade e entenda que você não merece qualquer coisa.

Você não merece migalhas. Queira muito e queira por inteiro. Seja amigos, conselhos, amores, favores. Assim como você deve recusar as migalhas, não seja este tipo de indivíduo com os outros.

Porque ninguém nasceu para implorar nada a ninguém. Recupere seu amor-próprio, ajude-se, ame-se, valorize-se! Não espere que os outros façam o que você não é capaz de fazer por si mesmo!

Você não precisa de alguém para completá-lo(a), porque não há vazios, não há espaços para migalhas e incertezas.
Você já é inteiro(a). Queira alguém que o(a) transborde. Porque ninguém nasceu para implorar nada de ninguém, muito menos amor.

Recupere seu amor-próprio, cuide-se, ame-se, valorize-se! Não espere que os outros façam o que não é capaz de fazer por si mesmo!

domingo, 10 de setembro de 2017

Não duvide das pessoas que foram quebradas pela vida! Texto de Marcel Camargo.

“ Gosto das pessoas que foram quebradas pela vida, existe uma beleza única nas suas rachaduras.” (Zack Magiezi)

É complicado tentar comparar ou mensurar sofrimento, porque as pessoas recebem e digerem o que vem da vida, conforme aquilo que possuem dentro delas; trata-se de algo muito pessoal. A dimensão que os acontecimentos tomam depende da forma como cada um encara o mundo, dos valores e crenças que carrega, independentemente de qualquer outra coisa. Talvez a dor seja proporcionalmente mais intensa, quanto maior a quantidade de expectativas que ela quebre.

As pessoas reagem de forma diferente aos mesmos acontecimentos, com maior ou menor intensidade. Ademais, certos indivíduos externam o que sentem sem pestanejar, enquanto outros prendem mais fortemente, somente para si, as escuridões que seu íntimo enfrenta.

Por essa razão é que se torna um tanto quanto injusto compararmos as dores das pessoas tão somente nos baseando no que elas nos mostram. Dentro de muitos, há tempestades dolorosas se formando.
Embora não possamos comparar o sofrimento, ao menos conseguimos discernir que certos acontecimentos machucam muito, de uma forma avassaladora, retirando o chão de qualquer um. Existem tragédias que sequer imaginamos em nossas vidas, tais como a perda de um filho, a perda de todo um patrimônio, uma deformação física abrupta, uma doença terminal, condições adversas extremas. Infelizmente, ninguém está livre de ter de enfrentar a perda do que lhe é vital.
Há inúmeros exemplos por aí, à nossa volta, de gente que sobrevive ao que parecia impossível de se suportar, ao que nada mais traz do que desesperança, desespero e dor. Provavelmente, até entre nossos colegas, existem pessoas que já atravessaram os corredores amargos das escuridões dolorosas e sobreviveram. Porque são humanos e as pessoas são incríveis, possuem uma capacidade interminável de se reinventarem, de se fortalecerem e de se reergueram de novo e de novo, sobrevivendo ao que parece inconcebível, impossível.

E o que move, no fundo, a todos os sobreviventes, que não sucumbem ao que parece intolerável, é a esperança. Sim, esperança, fé, olhos fixos adiante, no horizonte de possibilidades que ainda estarão por vir, na certeza de que há um porquê por detrás de cada tombo nesta vida.

Esperança na própria força, nas pessoas, esperança no amor. Porque quem tem amor dentro de si jamais estará desamparado, ainda que esteja sozinho.

ENTENDER OS OUTROS . José Luís Peixoto - in 'Em Teu Ventre'

ENTENDER OS OUTROS

Entender os outros não é uma tarefa que comece nos outros. O início somos sempre nós próprios, a pessoa em que acordámos nesse dia. Entender os outros é uma tarefa que nunca nos dispensa. Ser os outros é uma ilusão. Quando estamos lá, a ver aquilo que os outros vêem, a sentir na pele a aragem que outros sentem, somos sempre nós próprios, são os nossos olhos, é a nossa pele. Não somos nós a sermos os outros, somos nós a sermos nós. Nós nunca somos os outros. Podemos entendê-los, que é o mesmo que dizer: podemos acreditar que os entendemos. Os outros até podem garantir que estamos a entendê-los. Mas essa será sempre uma fé. Aquilo que entendemos está fechado em nós. Aquilo que procuramos entender está fechado nos outros.

José Luís Peixoto - in 'Em Teu Ventre'

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Lembro os pais cujos filhos vão começar mais um ano lectivo. Texto de Abílio de Sousa

Pais.
Não cabe os professores educar os seus filhos pois é uma tarefa que vos compete.

Pais.
Digam aos seus filhos se aprenderem devagar não significa que são menos inteligentes que os colegas pois cada ser humano é inteligente ao seu ritmo.

Pais.
Digam aos seus filhos se tiverem notas negativas não é fim do mundo pois como tudo na vida, quem nunca fracassou jamais saberá o significado de Sucesso. Pois quem nunca sentiu o sabor da derrota jamais saberá o significado de Vitória.

Pais.
Digam aos seus filhos ter boa instrução não significa boa educação.

Pais.
Digam aos seus filhos que ter Cultura e Respeito está para além de diplomas ou certidões académicas.

Pais.
Digam aos seus filhos que há vida fora do recinto escolar. Competências que se aprende em casa como lavar louca, ir ao lixo, arrumar o quarto, praticar desporto, desligar o smartphone por algumas horas, ir ao biblioteca, ter tempo para eles mesmos, aprender a cozinhar, etc...

Pais.
Digam aos seus filhos que a felicidade não depende do exterior. Ensine-lhes ter amor-próprio para que no futuro não mendiguem amor e amizade.
Eduque-lhes a ser o que quer ser e não o que a sociedade quer que eles sejam.
Eduque-lhes a viver os seus sonhos ao invés de viver os sonhos dos outros.


Pais, desejo aos vossos filhos UM BOM ANO LECTIVO!


Abílio de Sousa










segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A necessidade de ser popular nos afasta da nossa essência. Autor que desconheço.

A sociedade competitiva na qual vivemos provoca uma necessidade de ser popular aos olhos das pessoas que nos rodeiam, por sobrevivência e adaptação, para obtermos o que desejamos e conseguir não sair da “normalidade”.

Esta necessidade de ser popular pode surgir em qualquer situação e em qualquer meio. É muito comum na atualidade as pessoas se exibirem nas redes sociais com a intenção de serem populares.

O exemplo mais claro disso está no Facebook, onde tenta-se conseguir o maior número possível de “curtidas”. E muitas pessoas dedicam um grande tempo de suas vidas para realizar verdadeiras peripécias virtuais, mostrando toda a sua vida íntima para chegar ao maior número de curtidas.

A sedução para conseguir ser popular

Ainda que o termo sedução costume ser empregado como um comportamento sexual para atrair a quem gostamos, nos valemos da sedução como um recurso para sermos populares em qualquer âmbito de nossas vidas.

A sedução é algo que todas as pessoas irão desenvolver ao longo do tempo. Desde que somos bebês tentamos seduzir para conseguir o que desejamos.

A sedução é uma capacidade inata que nos ajuda a sobreviver; o bebê com seu sorriso e sua ternura está preparado para seduzir, para que sem muito esforço, com um leve gesto apenas, ele possa chamar a atenção de seus cuidadores e obter o que precisa.

O mesmo ocorre em situações cotidianas como uma entrevista de trabalho, na relação com os pais, com a família, com os amigos/as, com o parceiro/a, etc. Nestas ocasiões surge o nosso repertório de sedução; lançamos mão de comportamentos precisos, como utilizar as palavras que os outros querem ouvir, sorrir e mostrar nesse momento o melhor de nós mesmos.

udo é focado em querer ser popular e conseguir aquilo a que nós nos propusemos. Isto não precisa sequer ser consciente, sai de forma automática diante a oportunidade de uma interação na qual podemos obter um benefício pessoal.

“A sedução poderia ser considerada como o conjunto de expressões e manifestações de uma pessoa, seus aspectos físicos, comportamentais, particulares, sua forma de ser, tudo isto é produto de sua história e trajetória vital e que produz em seu conjunto ou em alguns aspectos, a atração de algumas pessoas”.

(Fina Sanz)

A necessidade de ser popular para nos sentirmos bem

Quando o fato de querer ser popular se converte em uma necessidade, de tal modo que fazemos o possível para agradar ao máximo a todas as pessoas, nós estamos perdendo a nós mesmos, deixamos para trás a nossa essência e a nossa honestidade.

Nos esquecemos assim, por completo, do que realmente queremos, já que nos adaptamos a todo tipo de circunstâncias relacionadas a outras pessoas. Além disto, eventualmente descobriremos que é impossível agradar a todos, e que a frustração será constante em nossas vidas.

Tentar ser popular com todo mundo é deixar de ser você mesmo para adquirir a forma que melhor se encaixe à outra pessoa. Com isso, não estamos mostrando o que somos e estamos perdendo toda a nossa essência e encanto particular.

Esse encanto é o que as pessoas gostam, e por isso elas irão nos aceitar tal e como somos. Se ficarmos criando falsas expectativas, em algum momento seremos desmascarados e os relacionamentos podem terminar por causa da mentira.

 “Não conheço a chave do sucesso, mas sei que a chave do fracasso é tentar agradar a todo mundo”
(Woody Allen)

Nosso encanto particular, encontrado em nossa verdadeira essência, é o que nos enriquece e nos cerca de pessoas honestas e de confiança, para que possamos estabelecer vínculos realmente estáveis e satisfatórios, sem barreiras que nos impeçam de nos mostrar como somos.

Encontrar nossa essência passa pela aceitação de nossos erros e de nossos defeitos, além de reconhecer e valorizar nossas virtudes e potenciais.

Seduziremos mais quando gostarmos de nós mesmos, quando nos permitirmos ser nós mesmos e quando valorizarmos a pessoa que somos. Seguiremos com a segurança de não precisar ser popular para nos sentirmos bem. Já que o essencial, antes de mais nada, é gostar de si mesmo…

“O homem, em sua essência, não deve ser escravo, nem de si mesmo, nem dos outros, mas sim amante. Sua finalidade única deve ser o amar”.
(Rabindranath Tagore)

PERCEBEMOS A EDUCAÇÃO DE UMA PESSOA PELA MANEIRA COMO ELA DISCORDA DE NÓS. TEXTO DE MARCEL CAMARGO

Existem muitos tiranos por aí, prontos a ditar regras aos outros, impondo suas ideias e não aceitando serem contraditos, em hipótese alguma. Não sabem ouvir não, não suportam ser contrariados – os adultos mimados vida afora.

A maneira como lidamos com o que frustra nossas expectativas e com quem nos rejeita diz muito sobre quem somos, da mesma forma acontece com nossas discordâncias. Ao longo dos dias, teremos que discordar de muitas pessoas, teremos que argumentar e fazer valer o nosso ponto de vista, teremos que confrontar várias pessoas que pensam completamente diferente de nós, inclusive convivendo com muitas delas em ambientes que nos forçarão a isso.

Não conseguiremos fugir a locais de trabalho, a salas de aula, a encontros sociais, onde haja quem discorde de nós, onde nem todos pensarão como nós. E ouviremos gente confrontando-nos em nossas convicções, desequilibrando nossas verdades, algumas vezes de forma deseducada e agressiva.

Porque a muitos será impossível repensar os próprios caminhos – não sejamos nós quem não reflete sobre si mesmo.

É extremamente saudável quando podemos confrontar nossas ideias com ideias contrárias, uma vez que é assim que rompemos com o que impede os avanços a que temos direito, à medida que oxigenamos nossa mentalidade. O mundo vive em constante transformação e essa ressignificação também deve fazer parte de nós, enquanto nos ajustamos frente ao novo, que sempre vem.

Infelizmente, muitas pessoas confundem argumentação com gritaria, com imposição, como se todos fôssemos obrigados a falar amém a tudo que elas dizem, como se estivessem sempre certas. Existem muitos tiranos por aí, prontos a ditar regras aos outros, impondo suas ideias e não aceitando serem contraditos, em hipótese alguma. Não sabem ouvir não, não suportam ser contrariados – os adultos mimados vida afora.

Por permanecerem presos ao egocentrismo, por recusarem-se a crescer, acabam se destemperando além da conta quando se veem confrontados no que julgam ser inquestionável, inabalável. E encontram no tom de voz alto e na agressividade recursos com que tentam esconder a incapacidade de defender o que querem com mínima coerência. Como dizem, carroças vazias são as mais barulhentas.

Bom mesmo é encontrar quem discorda de nós e consegue desenvolver uma discussão equilibrada, rica e produtiva. É somente assim que o conhecimento se espalha e a gente se torna melhor. Não existe quem consiga se desenvolver rodeado somente de ovelhas dóceis e obedientes, pois são as diferenças que nos tornam únicos e especiais, à nossa maneira. Mas com educação, por favor.


segunda-feira, 28 de agosto de 2017

" O velho samurai: como responder adequadamente a uma provocação. "

" O velho samurai: como responder adequadamente a uma provocação.

Uma das muitas frases atribuídas a Buda diz que “estamos neste mundo para viver em harmonia. Aqueles que sabem disso não lutam entre si”. Uma frase sábia que pode ser útil para responder a uma provocação de forma adequada. Então, vamos conhecer a história do velho samurai.
Há muito tempo, nas proximidades de Tóquio, vivia um velho samurai. Tinha vencido muitas batalhas e por isso era muito respeitado. No entanto, seu tempo como lutador já havia passado.

Toda a sua sabedoria e experiência era aproveitada pelos jovens que o velho guerreiro ensinava. Nessa época, havia uma lenda em torno desse velho samurai: ele era um guerreiro tão formidável que conseguia vencer qualquer rival, por mais valente que fosse.

No verão, apareceu na sua casa um famoso guerreiro conhecido por ser pouco cavalheiro. O seu caráter provocador criava muito desconforto nos seus adversários que “baixavam a guarda” movidos pela raiva e atacavam cegamente. Por isso, ele desejava vencer o velho samurai, para aumentar a sua fama dentro da própria lenda que ele pretendia escrever com a sua atitude.

No entanto, este guerreiro das artes escuras não conseguiu provocar o velho samurai. Por mais que ele tentasse, o samurai não desembainhava a sua espada. Então, o guerreiro se deu por vencido e se sentiu muito humilhado.

Os alunos do velho samurai ficaram muito chateados com essa atitude; consideraram que era uma covardia do seu professor. Então, censuraram o samurai por não lutar e ele respondeu que um presente que não é aceito pertence a quem o enviou. Da mesma forma, a raiva, o ódio e os insultos não aceitos pertencem a quem os proferiu. Exceto se você os aceitar e assumir como seus, é claro.

O que podemos aprender com a história do velho samurai

Como você pode imaginar, podemos aprender lições valiosas com a história deste velho e sábio samurai. Porque todos nós carregamos muita insatisfação, raiva, frustração, culpa e medo. No entanto, isso não significa que devemos compartilhar a nossa frustração com as outras pessoas.

“Agarrar-se à raiva é como segurar um carvão quente com a intenção de jogá-lo em alguém; você mesmo se queima”.
  – Buda –

No entanto, por mais cargas que carreguemos, sempre encontraremos outras pessoas muito mais tóxicas do que nós mesmos. Pessoas destrutivas que se disfarçam com a intenção de ajudar para prejudicar, gerar culpa, diminuir os nossos esforços, alimentar nossos medos e inseguranças.

Mas se formos capazes de responder sem reagir, poderemos manter essa serenidade que é tão necessária em todos os momentos. Isto é, se você não aceitar a provocação, respondendo de forma consciente e evitando os seus presentes tóxicos, evitará o contágio do seu veneno.

Responder à provocação de forma consciente

Se aprendermos a responder conscientemente às provocações em vez de reagir prontamente, será mais difícil nos ofender. Desta forma, não ficaremos indefesos, não nos sentiremos atacados por futilidades. Para isso é muito útil:

Descobrir o que nos faz reagir e em quais situações perdemos o controle. Assim, poderemos racionalizar para evitar essas explosões.
Deixar o passado para trás. O que está feito está feito; não podemos viver com vergonha ou medo do que aconteceu há muito tempo. É preciso aprender com os erros para que não se repitam. A aprendizagem é precisamente o que nos fortalece e nos dá segurança, apesar de sermos ou não bem-sucedidos.
Controlar as emoções será muito útil. Se nos deixarmos levar, é fácil perder o controle. Se racionalizarmos, conseguirmos identificar o que pode nos causar sofrimento, estaremos preparados para evitar qualquer toxicidade.
“Qualquer palavra que pronunciamos deve ser escolhida com cuidado, porque as pessoas que irão ouvi-la serão influenciadas para o bem ou para o mal”.
 – Buda –

Portanto, está em nossas mãos agir como o velho samurai diante de uma provocação: aceitar ou rejeitar o que o outro pretende que assumamos como nosso. "

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

O desespero de Sinéad O’Connor e a desumanização da sociedade.

" O desespero de Sinéad O’Connor e a desumanização da sociedade. "

Muitos perguntam “Quanto ganhas?”, poucos perguntam “Em que posso ajudar?”; muitos querem saber “Em que trabalhas?”, poucos se preocupam: “És feliz?”
– por António Soares

Esta desumanização é consequência da sociedade de consumo na qual todos somos todos pequenos capitalistas Consumimos e esquecemos quase com a mesma facilidade um produto e uma emoção.

Todos sabemos de um pai abandonado ou uma mãe violentada, um filho rejeitado, um animal espancado. Torna-se ainda mais fácil quando o outro é desconhecido ou um número na engrenagem de uma qualquer indústria. Muitos perguntam “Quanto ganhas?”, poucos perguntam “Em que posso ajudar?”; muitos querem saber “Em que trabalhas?”, poucos se preocupam: “És feliz?”. E afastam-se se não te sentem a utilidade, se não lhes transpira ao faro algum proveito, se lhes fricciona na nuca a maçada que trazes.

O primeiro pecado mortal deveria ser a ingratidão. Humanizar o capitalismo sempre foi utopia; sentir a necessidade humanizar a humanidade é tomar consciência de que talvez nada haja a fazer.
Com depressão, Sinéad O’Connor faz vídeo alarmante sobre a doença
Sinéad O’Connor é uma cantora irlandesa de 50 anos de idade que já lançou dez discos de estúdio e explodiu no mundo inteiro logo na sua estreia com The Lion and the Cobra, de 1987.
Três anos depois veio I Do Not Want What I Haven’t Got e nele aparece a versão incrível de “Nothing Compares 2 U”, do Prince, que tornou uma espécie de marca registrada da artista.
Seu último álbum é I’m Not Bossy, I’m The Boss (2014) e já há algum tempo existem relatos de que Sinéad está passando por problemas bastante sérios relacionados à depressão.

O desespero de Sinéad O’Connor e a desumanização da sociedade.
“De repente todas as pessoas que deveriam te amar e tomar conta de você te tratam como merda. É como uma caça às bruxas.”

“Eu estou completamente sozinha. E não há ninguém na minha vida além do meu médico, meu psiquiatra, o homem mais doce do mundo, que diz que eu sou sua heroína, e essa é a única coisa que me mantém viva no momento. E isso é meio patético”, afirma O’Connor.
Espero que este vídeo de alguma forma ajude, não eu, mas as milhões e milhões de pessoas que são como eu”, diz. “Consegui escapar do meu país, do meu estigma, de tudo o que significava que era ok usar o fato de que eu tenho três transtornos mentais como algo para me bater”, conta O’Connor.

“É o estigma que mata pessoas, não são os transtornos”
“Transtornos mentais são como drogas. Não dão a mínima para quem você é.”

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Não existe pior prisão do que uma mente fechada. Texto de Erick Morais.

Carl Jung disse certa vez que “Todos nós nascemos originais e morremos cópias”. Ao analisar a frase de Jung à luz da contemporaneidade, poderíamos encontrar um enorme problema, uma vez que vivemos em um mundo regido sumariamente pela liberdade. Isto é, o fundamento maior da nossa sociedade é a liberdade, que se ramifica em diversos aspectos, desde o econômico até o comportamental. Entretanto, se olharmos com profundidade, perceberemos que essa estrutura de mundo “livre” existe tão somente no plano teórico e, assim, somos só reprodutores da ordem vigente ou simplesmente cópias, como argumenta Jung.

Obviamente, a nossa cosmovisão sofre influências externas, esse é um processo natural. Da mesma maneira que a vida em sociedade necessita de regras a fim de manter o convívio social dentro de certos limites éticos. Sendo assim, pensar no exercício da liberdade como algo ilimitado é impossível, já que todas as coisas possuem o seu contraponto e limitações. Apesar disso, a existência de pontos limitadores não implica a inexistência da liberdade e o condicionamento irrestrito a valores passados por uma ordem “superior”.

Todavia, é isso que tem acontecido, temos sido escravizados ou, lembrando o João Neto Pitta, “colonizados pelo pensamento alheio”. E pior, por uma ideologia extremamente nociva para nós enquanto seres humanos. Fomos reduzidos a estatística, na qual somos divididos entres os condicionados e os condicionáveis. Ou seja, não existe nessa estrutura a concepção de um ser livre, que exerce a capacidade de raciocínio e afeto para discernir sobre o que quer e deseja. Todos são domesticáveis em potencial.

Esse controle é feito por meio da conversão à sociedade de consumo e seus valores fundamentais, que reduz tudo a um valor mercadológico precário, rotativo e obsoleto. A mídia com todos os seus tentáculos está a serviço do grande capital, que não visa outra coisa a não ser a conversão de mais pessoas, contemplando o deus consumo em seu templo maior: os shoppings centers. Lugar de alegria, satisfação, preenchimento de vazios e liberdade irrestrita, pelo menos teoricamente ou midiaticamente. Mas, em um mundo regido também pelas aparências, pelo espetáculo, o importante não é o que é, e sim, o que aparenta ser, sobretudo, aos olhos dos outros.

Aliás, nesse esquema, não basta ter, é necessário parecer que tenha, expor, mostrar, iludir, ganhar aplausos, tapinhas nas costas, sorrisos falsos e olhar invejosos. Em outras palavras, é preciso confessar ao mundo que você é um vencedor, que é um bom filho de “Deus”, que é recompensado por seguir os seus preceitos, ir ao seu templo e contemplá-lo 24 horas por dia. E existem ferramentas muito úteis para isso, as redes sociais que o digam.

Toda essa teatralidade da vida cotidiana, montada com cortinas que nunca se fecham, é apresentada como verdade e nós — com nossa psique altamente fragilizada — a compramos com extrema facilidade. Para os mais duros na queda, nada que mil repetições não sejam capazes de construir, afinal, como disse Joseph Goebbels, ministro da propaganda na Alemanha Nazista: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”.

Apesar disso, a grande maioria de nós não está revoltada com a sua condição, pelo contrário, aceitamos o jugo de bom grado. Ou pior, o buscamos. É claro que não possuímos o domínio das relações de força na sociedade, não controlamos as leis, o sistema jurídico, tampouco, a mídia. Somos “apenas” espectadores vorazes de uma batalha desigual e opressora. Entretanto, será que não há o que ser feito? Será que não existem alguns pontos de luz que tentam nos iluminar? Eu sei o quanto é difícil se libertar e quão alto é o preço que se paga pela liberdade. Mas de que adianta ter o conforto de uma vida “segura”, se é por meio dessa “segurança” que a servidão e os males decorrentes desta se tornam possíveis?

Como disse Rosa Luxemburgo: “Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem”. É preciso, então, se movimentar, correr, gesticular, falar, até que o som das correntes seja insuportável e nós consigamos despertar de um sonho ridículo que apresenta um espetáculo celestial em meio a um inferno cercado de grades manchadas com sangue, suor e sofrimento. Se uma mente que se abre jamais volta ao tamanho original, a que se liberta jamais aceita retornar à prisão; porque por mais que as condições sejam adversas, o princípio da autonomia está dentro de nós, quando decidimos romper o medo de abrir os olhos e passamos a enxergar. Sendo assim, o cárcere não é criado do lado de fora, é criado do lado de dentro, já que a chave que prende é a mesma que liberta, pois não existe pior prisão do que uma mente fechada.

Filhos educados por pais homossexuais. Palavras de Abílio de Sousa.

Muitos continuam achar que os filhos educados por pais homossexuais vão ser crianças com baixa-estima. Os problemas não são elas. O problema é que estão inseridas numa sociedade repleta de preconceitos onde muitos têm a tendência de apontar o dedo ao invés de compreender.
Abílio de Sousa

Só precisamos de estar despertos, vivos no momento presente." De Thich Nhat Hanh

Podemos sorrir, respirar, andar, e comer as nossas refeições de uma forma que nos permita estar em contato com a abundância de felicidade que está disponível. Somos muito bons a preparar-nos para viver, mas não muito bons a viver. Sabemos como sacrificar dez anos por um diploma, e estamos dispostos a trabalhar muito para arranjar um emprego, um carro, uma casa, e assim por diante. Mas temos dificuldade em lembrar que estamos vivos no momento presente, o único momento em que temos de estar vivos. Cada respiração que nós fazemos, cada passo que damos, pode ser cheio de paz, alegria e serenidade. Só precisamos de estar despertos, vivos no momento presente.


Thich Nhat Hanh

segunda-feira, 31 de julho de 2017

A Era da Indiferença. Por Erick Morais.

Quão valiosos somos para as outras pessoas? Não digo qualquer pessoa, mas para aquelas que dizem se importar conosco. Quão importantes de fato somos para elas? Tenho me pegado pensando constantemente nisso e por mais que você tenha uma visão esperançosa em relação ao homem, parece-me que realmente vivemos na era da indiferença.

A vida contemporânea exige muito de nós, isso é algo sabido por todos. No entanto, isso não justifica o modo como agimos uns com os outros. As relações são meramente questões de conveniência, é uma troca de fardos no mercado da personalidade, de tal maneira que apenas me aproximo de determinada pessoa e mantenho uma relação com ela se houver algo dela que possa usar. Ou seja, as relações humanas seguem lógicas comerciais e, assim, todos nos tornamos mercadorias.

Obviamente, não estou querendo dizer que devemos nos submeter a relações degradantes, que apenas usurpam nossas forças ou que não devemos esperar reciprocidade ao se envolver com alguém. Mas, ao implementarmos uma lógica comercial às relações humanas, deixamos de considerar totalmente as nuances e complexidades que formam o ser humano.

Isto é, ninguém está bem o tempo inteiro, tampouco, possui uma constante na vida. Todos nós temos nossos dias ruins, passamos por problemas e atravessamos os nossos períodos de crise, de modo que, ao doutrinar as relações humanas à cartilha comercial, os pontos baixos da vida de um indivíduo são desconsiderados, o que implica automaticamente a descartabilidade daqueles que sucumbem às suas fraquezas.

Sendo assim, somos tão somente importantes e amados na medida em que temos um sorriso no rosto, uma história engraçada para contar e somos úteis de algum modo. Em outras palavras, somos queridos apenas nos nossos bons momentos, quando estamos no auge e tudo parece dar certo. Entretanto, como disse, a vida não é uma constante, de maneira que inevitavelmente passaremos por momentos ruins, em que tudo dá errado e nós perdemos a esperança.

Nesses instantes, percebemos a fragilidades dos laços humanos e a nossa indiferença, a nossa incapacidade de se colocar no lugar do outro e buscar entender o porquê do sofrimento, da angústia, da insônia, do medo e da lágrima oculta no olhar, porque quando uma relação é construída com laços fortes, lutamos contra o egoísmo para poder sentir a dor que aflige e esmaga o peito de quem sofre.

Quando uma relação é mais do que uma ação na bolsa de valores do amor líquido, temos empatia e esta não é ver uma pessoa triste e fazer coisas para que ela fingir estar feliz. É ver uma pessoa triste e ser capaz de ajudá-la a chorar.

Acho que os nossos tempos estão carentes de pessoas corajosas o bastante para abraçar alguém e dizer que a ama enquanto as lágrimas se precipitam e anunciam uma torrente de dor em forma de choro intercalada com soluços. Por outro lado, o mundo está repleto de pessoas que abraçam e riem junto com você, mas, tão somente enquanto você também estiver com um sorriso no rosto. Pessoas que descartam as outras com imensa facilidade quando outras ações, digo, pessoas, acenam com possibilidades melhores e sorrisos mais audaciosos.

Tudo isso é uma pena, porque, no fim das contas, todos nós precisamos de alguém que nos ajude a chorar, já que só lágrimas de compaixão podem limpar a alma da indiferença. E como as lágrimas não caem, porque estamos ocupados demais com nossas trivialidades mesquinhas, o mundo continua sujo, ecoando pelos esgotos a nossa era da indiferença.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

O medo da escolha em tempos de excesso. Texto de Claudia Zalaquett

Desde pequenos somos ensinados sobre a importância de fazer boas escolhas, afinal, são elas que determinam os nossos próximos passos, que abrem caminhos, que projetam o futuro. Viver é ter que escolher o tempo todo.

Às vezes acho que fazer escolhas já foi uma tarefa mais simples. Antigamente existiam menos opções em relação a tudo, logo, as pessoas se sentiam satisfeitas com menos também. Hoje, tomar decisões se tornou um assunto bem mais complexo.

Devido ao excesso de informações e possibilidades que a vida moderna nos oferece, é cada vez mais comum nos sentirmos sufocados, indecisos e confusos. A clareza se perde no meio de tantas alternativas e o medo de fazer escolhas erradas nos paralisa.

Com isso, muitas vezes, passamos a inventar desculpas e criar obstáculos que nos impedem de tomar decisões importantes e de realizar determinadas tarefas. Deixamos aquilo que nos parece mais difícil e complicado para depois, e nos distraímos com outras atividades que trazem gratificação instantânea, porém passageira. Em seguida, nos sentimos frustrados, improdutivos e com baixa autoestima por não termos realizado o que era realmente importante naquele momento. De certa forma, “deixar para depois” também é uma escolha, mesmo que inconsciente.

A procrastinação é um mal que vem assombrando a maioria de nós. Adiar responsabilidades e compromissos é como pisar em uma areia movediça, onde nos afundamos cada vez mais. Para sair dela é preciso acabar com a estagnação, enfrentar o medo que nos limita e ouvir a nossa voz interior com mais coragem e menos autojulgamento.

Gosto de uma frase que diz: Toda escolha requer ousadia. Que as nossas decisões, então, sejam feitas de forma consciente, segura e com uma dose de atrevimento. Erros e acertos fazem parte do caminho e isso deve ser encarado com mais naturalidade e leveza. Penso que só assim saberemos enxergar, com mais nitidez, as boas oportunidades que a vida tem para nos oferecer.

O que acontece em nossas vidas é neutro, nem positivo nem negativo.Texto adaptado de Amor Incondicional de Paul Ferrini

O que acontece em nossas vidas é neutro, nem positivo nem negativo. Somos nós que decidimos se é positivo ou negativo. Em nossas experiências, qualquer coisa pode se investir de qualidades espirituais se permearmos de amor, aceitação e perdão. Até mesmo as coisas ruins do ano que passou podem ser transformadas pelo poder do amor. Achamos que conhecemos o significado dos eventos que ocorrem em nossas vidas. Nada poderia estar mais longe da verdade. Nós não conhecemos o significado de nada, pois a tudo nós impomos o nosso próprio significado.

Se quer conhecer o significado do que acontece na sua vida, pare de dar a sua própria interpretação. Deixe que a situação se defina. Sinta-a por inteiro. Deixe que a situação lhe mostre a razão por que surgiu na sua vida. Pergunte-se "Como essa situação pode me ajudar a amar mais plenamente? O que ela está exigindo de mim que ainda estou me negando a fazer?" Essa simples pergunta vai levá-lo ao âmago da questão, pois demonstra a sua disposição para olhar a situação como um presente e não como um castigo.

domingo, 16 de julho de 2017

Não , não somos obrigados a aguentar tudo. Paciência tem limites e a vida é para ser vivida , não suportada .Por Sílvia Marques.


A vida é feita para ser vivida , não suportada. Quando somos obrigados a relevar tudo, ignorando os nossos sentimentos , ignorando feridas ainda abertas, impomos a nós mesmos uma espécie de tortura psicológica. E não devemos impor sofrimento a ninguém, incluindo a nós mesmos, para agradar as outras pessoas.

Ser gentil, amigável e prestativo é uma coisa ótima. Se mais pessoas dispusessem de um pouco do seu tempo e energia para ajudar os outros , provavelmente o mundo seria um lugar bem menos hostil e viver seria muito mais leve.

Por outro lado, não devemos confundir gentileza com passividade. Não devemos permitir que abusem da nossa boa vontade e passem por cima de nós porque somos bonzinhos e vamos aceitar e perdoar tudo.

Acredito firmemente no perdão. Porém, acredito também que deve ser perdoado quem pede perdão, quem deseja ser perdoado, quem demonstra arrependimento e vontade de dar um novo rumo para a relação.

Não, não somos obrigados a aguentar tudo. Paciência tem limites. Ninguém precisa sair pelo mundo se vingando, mas também ninguém deve ser obrigado a conviver e a ser gentil e a distribuir beijinhos e sorrisinhos para quem nos provocou sofrimento, para quem nos magoou gratuitamente.

Na maioria das vezes, como afirma o ditado popular , quem bate , esquece . Mas quem apanha não.

Quando ofendemos ou prejudicamos de forma mais objetiva uma pessoa , causando danos à sua vida , devemos sim tentar consertar o que fizemos de errado ou pelo menos tentar amenizar de alguma forma o estrago que provocamos.

Sim, nem sempre é possível consertar nossos erros. Nem sempre é possível se aproximar de quem prejudicamos para demonstrar nosso arrependimento. Em alguns casos , nos mantermos longe é o melhor a se fazer. Mas neste post, quero me centrar nos casos em que é possível voltar atrás e corrigir o erro e mesmo assim a pessoa se recusa. Quero me centrar no fato de que ninguém é obrigado a engolir tudo porque é gentil e amigável.

A vida é feita para ser vivida , não suportada. Quando somos obrigados a relevar tudo, ignorando os nossos sentimentos , ignorando feridas ainda abertas, impomos a nós mesmos uma espécie de tortura psicológica. E não devemos impor sofrimento a ninguém, incluindo a nós mesmos, para agradar as outras pessoas.

Não, não somos obrigados a conviver com gente que nos põe para baixo com um sorriso falso nos lábios e palavras pseudo educadas. Não somos obrigados a conviver com gente que rouba o nosso ar, que baixa a nossa energia , que nos promove qualquer tipo de constrangimento. Não somos obrigados a agradar quem não se esforça minimamente para nos alegrar. Não somos obrigados a nos sacrificar por quem não dá a mínima por nossos sentimentos. Não somos obrigados a compreender e a demonstrar empatia por quem nos atropelou feito um trator.

Como disse Caetano Veloso, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Sim, somos nós que conhecemos os nossos limites e sabemos até onde podemos caminhar sem forçar as articulações da alma. Somos nós que podemos mensurar o peso de uma ofensa e a extensão de um estrago sofrido em nossa vida.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

O rebelde é o ser espiritual real.

O rebelde é o ser espiritual real.

Ele não pertence a rebanho algum,
não pertence a sistema algum,
não pertence a organização alguma, não pertence a filosofia alguma.

Em palavras simples e conclusivas:
ele não se empresta aos outros.

Escava fundo dentro de si mesmo e encontra seus próprios néctares da vida, encontra suas próprias fontes de vida.

Qual a necessidade de um caminho? Você já está aqui- você existe, você é consciente. Tudo que é necessário à busca básica é dado a você pela própria existência.

Olhe para dentro de sua consciência e descubra o seu sabor.

Olhe para dentro de sua vida e descubra a eternidade.

Olhe para dentro de você mesmo e descobrirá que o mais puro, o mais sagrado templo é seu próprio corpo- porque ele guarda o sagrado, o divino, tudo que é belo, tudo que é verdadeiro, tudo que é valioso.

Osho

Não é Amor que enche as igrejas mas o Medo!

" Nenhum estado, nenhuma igreja e nenhum interesse investido jamais quiseram que as pessoas tivessem almas fortes porque uma pessoa com energia espiritual está fadada a ser rebelde.
O amor lhe faz rebelde, revolucionário. O amor lhe dá asas para voar alto. O amor lhe dá 'insight' nas coisas, assim ninguém pode lhe enganar, lhe explorar, lhe oprimir. E os padres e os políticos só sobrevivem com o seu sangue – eles só sobrevivem na exploração. Eles são parasitas, todos os sacerdotes e todos os políticos.
Para lhe tornar espiritualmente fraco eles descobriram um método seguro, cem por cento garantido, e esse é ensinar a você a não amar a si mesmo – porque se um homem não pode amar a si mesmo ele também não pode amar mais ninguém. O ensinamento é muito ardiloso."

( Osho )

Amor e Ego não podem estar juntos.

Amor e Ego não podem estar juntos.

“Conhecimento e ego ficam perfeitamente bem juntos, mas amor e ego não podem ficar juntos. Eles não podem fazer companhia um ao outro. Eles são como a escuridão e a luz. Se a luz está lá a escuridão não pode estar. A escuridão pode estar apenas se a luz não estiver lá. Se o amor não está lá o ego pode estar. E vice-versa, se o ego é descartado, o amor chega por todas as direções. Ele simplesmente começa a derramar-se em você por todos os lugares”.

Osho, The Secret, Capítulo # 1

Se você não tiver nenhum ego...

Se você não tiver nenhum ego,
não importa se alguém diz que você é um idiota
ou se alguém diz que você é um gênio.

Não importa... são opiniões dos outros.

Você sabe quem você é
– você não depende da opinião dos outros.

Seu ego depende.

Seu ego o mantém um escravo da sociedade
dentro da qual você vive.

Comumente as pessoas pensam que o ego é uma coisa preciosa.

Ele não é nada mais do que a escravidão delas.

OSHO

segunda-feira, 10 de julho de 2017

“Torna-te quem tu és” . Por Erick Morais Morais

Galeano, com a sua incrível arte de “galeanear”, diz que mais do que feitos de átomos, nós somos feitos de histórias. Não à toa, Drummond em um dos seus versos disse que “Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar”. Sendo assim, não existem pessoas iguais, tampouco há como colocar todos em uma mesma forma e tentar estabelecer uma padronização de comportamento, gostos, sonhos e histórias. Todavia, tenho a impressão de que há uma tentativa muito forte e eficiente de estabelecer uma certa “ordem” entre as histórias perambulantes que formam o ser presente no homem.

Não é raro ver pessoas tristes, desestimuladas, desanimadas, cansadas da vida; o que se reverbera nos índices cada vez mais altos de pessoas com depressão, ansiedade, síndrome do pânico e tantos outros transtornos psicológicos. Essa conjuntura é um contrassenso ao alto grau de desenvolvimento tecnológico que a sociedade alcançou, afinal, o jargão diz que somos melhores que ontem, pois somos a geração do progresso, do mundo na palma da mão. E diante desse paradoxo fica a questão: será que precisamos disso tudo para sermos felizes? Ou melhor, essa estrutura em que o mundo se organiza permite que as pessoas sejam quem elas são?

Apesar de ser fundada sobre a liberdade, a sociedade contemporânea, em verdade, criou algo muito mais próximo de um mito do que da realidade. A liberdade que é colocada para que possamos usufruir é uma “liberdade” extremamente limitadora e direcional. Devemos seguir padrões rígidos de comportamento e se por ventura tentamos nos desviar, somos punidos e cobrados a retornar. Se livrar dessas amarras, então, é algo que cobra um alto preço psicológico, pois uma vez sendo seres sociais, é extremamente difícil nadar no sentido contrário ao que aponta a correnteza.

Dessa maneira, como é possível que os indivíduos possam ser de fato felizes se não são sujeitos? Isto é, não possuem autonomia sobre as suas próprias vidas. Não há possibilidade de vida feliz sem liberdade, ainda que esta diante da nossa precariedade não possa ser atingida em sua totalidade, o que também não significa que não possamos e devamos ter autonomia sobre as nossas próprias vidas, cabendo a cada indivíduo, assim, seguir o caminho que melhor apraz o seu espírito e traz vigor a sua alma.

Em outras palavras, é preciso que o indivíduo tenha autonomia suficiente para buscar a si mesmo, conhecendo as suas interioridades a fim de encontrar ou construir no mundo exterior pontes que se liguem a sua humanidade. Dessa forma, é insignificante termos diminuído as distâncias geográficas, se aumentamos a distância de nós mesmos, pois a viagem mais importante que ainda temos que fazer é o mergulho nas profundezas do nosso ser.

Assim sendo, não adianta estar de acordo com as normas, com os padrões ou caminhar pelas estradas mais “perfeitas” se ao longo dessa estrada enxergamos tão somente a sombra da nossa existência. Precisamos compreender que se somos feitos de histórias, então, cada um é uma história diferente, em que algumas se dão em poesia, outras se dão em prosa, mas cada um tem a necessidade de contar a sua própria história e, consequentemente, viver enxergando o que somos no que fazemos e o que fazemos no que somos, pois, lembrando mais uma vez Galeano, somos todos foguinhos, com vontade de por meio do nosso fogo iluminar noites escuras, aquecer corpos gelados e incendiar almas dormentes.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

A ruína é o caminho que leva à transformação. Por Erick Morais

Nietzsche diz que “É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante”. Apesar de muito bonito, sabemos que isso na grande maioria das vezes não acontece de modo tão fácil. Por sermos falíveis e finitos, sentimos muita dificuldade em ter uma compreensão mais ampla da vida, entendendo-a como uma sucessão de acontecimentos e ciclos que de alguma forma nos leva ao que somos. E, assim, acabamos por nos afastar ainda mais do nosso eu e, consequentemente, da possibilidade de uma vida feliz e em sintonia com o universo.
Dessa maneira, ao estarmos envolvidos em um problema, ou mais precisamente, em um período ruim das nossas vidas, em que nada parece dar certo, como se nós estivéssemos destinados ao fracasso em todas as áreas de nossa existência; tendemos a mergulhar ainda mais nesse buraco que se abre diante dos nossos olhos. E, assim, quanto mais a situação parece crítica, mais o buraco se abre e, por tabela, nos afundamos nele, buscando de algum modo um refúgio para tudo aquilo que está acontecendo.
O esconderijo, no entanto, se transforma em uma prisão, que nos afasta das outras pessoas, do mundo e, sobretudo, de nós. Nesse processo de “autoperda” vem problemas como depressão, ansiedade, pânico, stress profundo, enfim, tudo que nos afasta ainda mais da busca por equilíbrio e, até mesmo, retira a vontade de continuar vivendo e experimentar o mundo.
Em outras palavras, o que ocorre é que há momentos em que os problemas são tantos que retiram o nosso fôlego e nos sufocam. Enxergamos que a nossa vida é ruim de tal maneira, que ao olharmos para dentro não enxergamos nada. E, dessa forma, a única coisa que queremos é desaparecer nesse vazio.
O que nos falta nesses momentos é um olhar mais perspectivo, isto é, que não esquece todas as possibilidades existentes para ficar preso tão somente a um momento em que as coisas não estão dando certo. Não se trata de não ficar chateado e puto com a vida, e sim, de entender a complexidade e a amplitude da existência. De perceber que momentos ruins, fracassos, decepções, não só são inexoráveis à vida, como também são elementos importantes para o nosso crescimento, amadurecimento e, acima de tudo, aproximação daquilo que somos essencialmente, fator primordial para a felicidade.
Aquilo que somos e que precisamos ser não passa somente pelas escolhas corretas que fazemos e nossos sucessos. Passa, principalmente, pelos erros, pelas quedas, pelas tristezas, pelo caos que se instala dentro da gente. Assim sendo, é preciso que tenhamos um olhar mais contemplativo em relação à vida, não apenas no sentido de educar os olhos para ver e enxergar, mas também para compreendê-la na sua dimensão infinita de ciclos que se iniciam, se renovam e se encerram.
Desse modo, conseguimos perceber que o sofrimento é um sinal que a nossa alma nos manda a fim de demonstrar que as coisas não estão boas e que, portanto, precisamos mudar. Todavia, a mudança não está em nos fecharmos. Ela reside em sair para o mundo e enfrentar o que nos incomoda. Obviamente, esse processo é doloroso, já que ao decidirmos entrar no nosso eu – não para se esconder, como antes – mas para transformar o que já não faz bem para a pessoa que precisamos e queremos ser, muito sangue precisa ser lavado.
Contudo, as dores que enfrentamos nesse processo, que mais do qualquer outra coisa representam uma viagem de autodescoberta, servem com impulso para que caminhemos para novos lugares, novos sonhos e novos prazeres. E, desta vez, muito melhores, porque estamos em muito mais sintonia conosco e com o universo, de maneira que já não vemos uma crise como o fim do mundo, e sim, como a ponte para uma nova estrada, um novo ciclo e uma nova mudança.
Pablo Neruda em um de seus versos diz que: “O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido”. Acredito que Nietzsche concordaria com isso, afinal, de que outro modo podemos dar à luz uma estrela sem que haja sofrimento? O caos, assim, não é algo a ser temido, porque ele é a nossa alma dizendo para aonde quer ir. Da mesma forma que a ruína não é o fim de tudo, mas antes, uma estrada que se abre para o novo, ou se preferirem: o caminho que leva à transformação.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

A sociedade é uma " baleia azul ". Palavras de Abílio de Sousa.

A sociedade é uma " baleia azul ".

Revistas de moda tentam nos convencer que existe um padrão de beleza.

Sistema de ensino considera quem aprende lentamente é pouco inteligente.

Quem não consume e não produz é excluído.

Quem pensa ou age diferente é discriminado.

Quem sofre de depressão, alguns, pensam que é preguiça.

Jovens não conseguem arranjar trabalho por falta de experiência.

Pessoas com quarenta anos não consegue trabalho por serem velhos demais.

Adultos com dificuldades em aceitar um " Não ".

Pais idosos abandonados pelos familiares nas urgências dos hospitais e nos lares por não servirem para nada.

As pessoas passam mais tempo olhar para o smartphone e, muitas das vezes, nem reparam quem está ao seu lado.


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Um sistema que não passa de uma transmissão de informações. Texto de Claudio Naranjo

“Temos um sistema que instrui e usa de forma fraudulenta a palavra educação para designar o que é apenas a transmissão de informações. É um sistema que quer um rebanho para robotizar. A criança é preparada, por anos, para funcionar num sistema alienante, e não para desenvolver suas potencialidades intelectuais, amorosas, naturais e espontâneas."

domingo, 4 de junho de 2017

O que é Deus pra você? - Texto de Alfredo Carneiro

Você acredita em Deus? Essa pergunta carrega um sério problema de linguagem. Consideremos que eu pergunte isso para um brasileiro, que é um indivíduo nascido em um país predominantemente cristão, sendo assim, provavelmente ele irá pensar que me refiro ao Deus cristão. Se ele responde que acredita, posso pensar que ele refere-se à Bíblia, logo, estaremos de acordo. Aceitamos a mesma concepção, ainda que normalmente cristãos não vejam Deus como conceito ou concepção.

Contudo, se eu fosse indiano, um brasileiro poderia me responder que acredita em Deus. Isso me deixaria satisfeito, mas ocorre aqui um problema de linguagem: não falamos sobre a mesma coisa. Até mesmo católicos e evangélicos enfrentam problemas de linguagem, pois, convenhamos que são concepções diferentes (um Deus ouve sua mãe e outro não, tendo portanto “personalidades” diferentes).

Por mais que católicos afirmem que o evangélicos não interpretam bem as escrituras (e vice-versa), o fato é que são conceitos diferentes de Deus (qual deles está certo, diria Sócrates, só o Deus sabe). Sendo assim, Deus é um conceito e como tal precisa de um acordo para que a pergunta “você acredita em Deus?” seja respondida. O religioso não pensa assim, afinal, seu Deus é o certo e sua concepção é a certa. Caso contrário não seria religioso.

Se pergunto isso para um ateu, ele pode dizer que não acredita em Deus. Mas ele pode aceitar que existe uma inteligência ordenadora e impessoal na natureza que não “ouve” orações. Dizendo que chamo isso de Deus, ele pode dizer que acredita nessa ideia. De certa maneira, somos ateus de outros deuses, pois cristãos negam a concepção indiana e vice-versa, só para dar um exemplo. Mesmo o ateu é adepto de algo, ou melhor, de um “não deus”, e ele acredita nisso de forma quase religiosa sendo, portanto, um tipo religioso (isso se aceitarmos a concepção de “religioso” enquanto dogmático). Um tipo não religioso não se diz ateu e nem se interessa por conversas dessa natureza.

Deus e a filosofia da linguagem

A filosofia da linguagem se pergunta essas coisas: “o que é Deus para você?” ou “o que é verdade para você?”. Ela se pergunta essas coisas para evitar problemas de linguagem. A filosofia quer saber qual o conceito adotado, mas, agindo assim, pode ferir visões religiosas (um religioso diria: “ora, o Deus único é o conceito único”). Wittgenstein afirmou que existem coisas que não podem ser ditas, e Deus seria uma delas. Ele aconselha que não procuremos imediatamente o significado de uma palavra no dicionário, mas, antes, perguntemos a quem disse tal palavra (o significado é dado pelo significante). Deus, portanto, é uma palavra e precisa de uma definição. Se não consigo defini-la, melhor então não dizê-la.

O conselho de Descartes

Descartes deu um valioso conselho para os crentes de todas as crenças. Filósofo viajante que era, afirmou: “É bom conhecer outras culturas para que não julguemos ridículos os hábitos de outros povos, como fazem aqueles que nada viram”. Sobre Deus, seria bom guardar para nós nosso conceito, pois, ele será sempre pessoal e incomunicável. Se meu conceito me deixa pleno e satisfeito, ele será o Deus do meu coração. Que importa o que outros pensam sobre algo tão íntimo? Contudo, se meu Deus obriga que outros aceitem meu conceito, então chegou a hora de rever meus conceitos. Ou estudar um pouco de filosofia da linguagem.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

A Era das Bolhas - Por Erick Morais

Não é preciso muita coisa, basta um assunto um pouco mais polêmico e a histeria coletiva se instaura. Insultos, xingamentos, farpas são trocados em algo que deveria ser um diálogo, a troca de ideias, de argumentações, de vivências, acerca de alguma coisa. E nesse processo de ruptura cognitiva e comunicativa, há a formação das bolhas. Isoladas, sozinhas, e extremamente sensíveis ao toque do outro, acima de tudo, se este outro pensa diferente.
Contemporaneamente, com o desenvolvimento das tecnologias da informação e, consequentemente, o aperfeiçoamento da internet e suas redes sociais, cada indivíduo, isoladamente, passou a adquirir um porta-voz, um espaço em que pode dizer tudo que pensa sobre qualquer coisa. É como se existissem especialistas para tudo, embora o mundo ande mais sem respostas do que nunca.
Evidentemente, a possibilidade de possuir um espaço autonomamente para discorrer sobre o que se pensa é algo extremamente maravilhoso para a comunicação. No entanto, para que esta ocorra, faz-se necessário a presença de um interlocutor. Ou seja, para todo aquele que fala, é preciso que exista alguém que escute. Sem esse processo não há o estabelecimento de um canal comunicativo, e sim, de um espelho que apenas reflete o que eu mesmo falo. Do mesmo modo que acreditar que a comunicação se baseia somente em aceitações, likes e corações é ingenuidade ou falta de entendimento de como funciona verdadeiramente uma rede social.
Nesse sistema, têm-se pessoas sedentas por falar, mas jamais desejosas por ouvir, implicando, por conseguinte, a dificuldade da comunicação, embora, paradoxalmente, se viva em um mundo cercado de cabos e fios. Esse problema do ouvir já era anunciado por Rubem Alves, que certa feita disse:

“Sempre vejo anunciando cursos de oratória. Nunca vi curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir.”

Desse modo, toda vez que alguém discorda de um argumento dado, ao invés de haver uma análise racional acerca do que foi dito e, por conseguinte, a construção de um contra-argumento, buscando enxergar a problemática em um panorama mais amplo; ocorre o lançamento de palavras que destroem a possibilidade da formação de um diálogo e, consequentemente, um debate no plano das ideias, de forma racional, humana e respeitosa.
Há, assim, o fortalecimento das bolhas e da perda da função da linguagem, que é reduzida constantemente a um patamar de animalidade. Os sujeitos fechados em si mesmos, não conseguem enxergar o que os cerca, vivendo como ilhas afetivas, isoladas de todo e qualquer pensamento estranho. Vivendo como “medianeras”, paredes sem janela, vida sem abertura para o novo.
“As pessoas, as cidades, o mundo está cheio de gente fechada, não só pela arquitetura, mas pessoas fechadas em si, em sua solidão, em seu mundo. Pessoas que foram “construídas” como medianeiras, paredes sem janela, vida sem abertura para o novo.”
Contudo, sendo a comunicação de vital importância para o desenvolvimento humano do indivíduo, o que podemos esperar de uma sociedade que vai na contramão da comunicabilidade?
Talvez a resposta esteja no crescimento das intolerâncias, dos preconceitos, dos extremismos, dos fundamentalismos, demonstrando mais uma vez a paradoxalidade dos nossos tempos, bem como, a urgente necessidade de revisitar o nosso ser, buscando compreender que existimos enquanto seres sociais e, portanto, precisamos estar abertos ao novo, já que janelas fechadas tornam o ambiente completamente sufocante e irrespirável. O que só pode levar a autodestruição, porque sem ar puro, nem mesmo as bolhas conseguem se manter cheias.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

As crises nos acordam para as coisas boas que não percebemos - Por Erick Morais

Saramago costumava dizer que o destino tem que dar muitos rodeios antes de chegar a qualquer parte. Ou seja, a vida tem seus próprios caminhos, coisas que não controlamos, suas ironias, suas voltas, de modo que sempre haverá o inesperado e dificuldades para enfrentar. Sempre haverá desilusões, quedas e ultrapassagens. No entanto, ainda que os momentos de crise sejam horríveis, eles podem significar um despertar, pois como diz Sean (Robin Williams) no filme Gênio Indomável: “As crises nos acordam para as coisas boas que não percebemos”.

Não há como escapar, todos nós um dia passaremos por um momento que colocará o nosso emocional no chão, a mente perturbada, cercados de desilusão e desespero. Não há como escapar porque “A vida não te dá traves de proteção” e a dor e o sofrimento são inerentes à vida, assim como o amor e a alegria.

Embora não haja como escapar, no meio da dor parece que percebemos quem somos de fato e o que queremos da vida. Sem pressões externas, sem a sociedade, é apenas o eu e o mim dialogando e, assim, conseguimos enxergar sem máscaras a constituição do nosso ser e o que ele grita desesperadamente para fazermos. Por isso, as crises nos acordam para o que não percebemos, porque elas nos acordam da vida, muitas vezes, no controle remoto, fazendo-nos enxergar aquilo que na trivialidade do cotidiano deixamos passar, enquanto fingimos estar tudo bem.

Como disse, ninguém quer sofrer e não acredito que fomos feitos para isso. Todavia, nos momentos de tensão surgem coisas maravilhosas, a meu ver, porque nesses momentos permitimos estar mais próximos do que realmente somos. Dessa maneira, as crises podem nos levar a um processo de autoconhecimento e, por conseguinte, de maior felicidade, já que ninguém é verdadeiramente feliz sendo um forasteiro de si próprio.

As crises nos mostram que podemos mudar, que não devemos nos acostumar, que há sempre algo a fazer com o que a vida fez conosco. Da mesma forma que nos faz perceber o que realmente nos faz feliz, nos mostra que devemos valorizar as pessoas que em momento algum largam a nossa mão, e faz com que o nosso olhar possua mais doçura para enxergar as belezas que explodem aos nossos olhos, mas não somos capazes de perceber.

Rubem Alves certa feita disse que foram as desilusões que o levaram a ultrapassagens, isto é, sem as desilusões que sofrera, ele jamais seria o Rubem que conhecemos. Concordo plenamente com ele, pois sei que sem as minhas crises, eu jamais seria quem sou hoje. Sei também o quão doloroso é esse processo, mas sei que de muitas dores vem a alegria, como a mulher que senti a dor do parto, mas se regozija com a beleza da vida. As nossas crises são como um parto. É necessário enfrentá-las se quisermos renascer, já que lembrando mais uma vez Rubem Alves: “Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses”.

terça-feira, 16 de maio de 2017

O LIVRO DA LUZ.

"(...) É a vida, amigo, é a vida quem te dá tudo. Absolutamente tudo. A vida dá-te tudo, desde o ar que respiras até à roupa que vestes, os filhos que tens, os amigos, a tua educação, dinheiro, emprego, relações. Já reparaste na quantidade de coisas e pessoas que a vida já te deu? Porque é que ficas sempre a olhar para o que não tens? Porque querias ter. E querer é ego.
Achas-te no direito de ter um certo número de coisas, mas em nome de quê? Quem tas deu? Quem te disse que eram tuas? Foi o teu ego que te encheu a cabeça com a ilusão de que tens direito a tudo. Faço-te uma proposta. Esquece tudo. Fica a zeros. Considera que não és dono de nada. De absolutamente nada. Tudo é da vida. E agora, devagar, começa a percepcionar todas as coisas que a vida já te deu. Tudo o que tens recebido.
Começa a ver, uma a uma, cada coisa que a vida se disponibilizou a oferecer-te, cada coisa, cada pessoa, cada emoção. E tenta sentir a gratidão por tantas coisas já recebidas. Deixa essa gratidão crescer no teu peito. Deixa que ela invada com a sua frequência excepcional a tua energia. E nunca mais vais ver a vida da mesma maneira.(...)" O LIVRO DA LUZ.

Triste destino é o homem morrer conhecido de todos, mas desconhecido a si mesmo. Por Erick Morais

Por que a solidão assusta tanto as pessoas? Será que o encontro consigo mesmo é tão assustador? Pascal já dizia que os homens sentem enorme dificuldade em olhar-se no espelho sem máscaras, pois o encontro entre o eu e o mim sempre é doloroso. Em outras palavras, o autoconhecimento, tão importante para o crescimento emocional, depende de uma dose de solidão. No entanto, na sociedade contemporânea a solidão parece não agradar muito as pessoas.

Vivemos o tempo inteiro em multidões, sejam elas reais ou virtuais, de modo que evitamos ao máximo estar sozinhos. É como se quiséssemos evitar o encontro com aquilo que de alguma forma nos fará olhar a ordem estabelecida de outra forma e, por consequência, se afastar da manada. É sempre mais fácil seguir a manada, se adequar ao protocolo social, do que ser um inadequado que se guia pelo seu próprio querer.

Sendo assim, procuramos andar aglomerados, fazendo as mesmas coisas, comportando-se da mesma maneira, ainda que não haja uma vontade imanente de fazer tais coisas ou agir de determinada forma. Não nos damos conta que somos apenas reprodutores da vontade de terceiros que não tem nada a ver conosco.

Essa adequação acontece em grande parte pelo medo da solidão. Obviamente, somos seres sociais, como atentou Aristóteles. Logo, precisamos conviver com outras pessoas, ter boas relações, o que, aliás, é muito bom para o indivíduo. Todavia, também é necessário que o indivíduo tenha tempo para si, em solidão, a fim de que possa avaliar a sua vida, tomar decisões sem pressões alheias, rever seus atos, reaver seus relacionamentos, etc. Esse processo faz com que o indivíduo possa se conhecer melhor (autoconhecimento) e conhecendo-se melhor, perceberá o que de fato o faz feliz.

Se fugirmos o tempo inteiro da solidão, nunca nos conheceremos verdadeiramente e, assim, nossa vida não terá identidade própria, mas antes, seguirá os ditames de outras vidas. Quantas vezes estamos imersos o tempo inteiro em relações e nos comportamos de determinada forma, e quando nos afastamos percebemos que aquelas pessoas e aquele comportamento não se coadunavam com o que somos?

Ficar um sábado em casa, assistindo a um filme ou lendo um livro, ao invés de sair com os amigos pode ser uma ótima experiência, em que na tranquilidade do silêncio das vozes alheias, podemos perceber coisas que passam despercebidas no dia a dia, em que estamos envoltos por um sem número de pessoas (sejam reais ou virtuais). E, assim, descobrimos muito sobre nós mesmos e, sobretudo, sobre o que não somos.

Esse processo de autoconhecimento não é fácil, uma vez que ao descobrirmos mais sobre nós mesmos, poderemos deixar de achar muitas coisas, as quais fazíamos, interessante, incluindo pessoas. Por isso, de forma genérica, as pessoas buscam passar a maior parte do tempo “conectadas”, como se a solidão não possuísse qualquer utilidade.

O que buscamos, na verdade, é fugir das dores que o autoconhecimento promove, já que sabendo o que se é e buscando-se o que se quer, há grande chance de sermos vistos como loucos e de deixarmos de ser uma peça interessante para o grupo. Afinal, em um mundo que vive sob ditaduras, como a da felicidade, todos agem do mesmo modo, fazem as mesmas coisas, são bem sucedidas e estão sempre felizes, não é interessante ter alguém que viva do jeito que lhe apraz, que pense por si só e não siga as regras do jogo.

A vida em sociedade é necessária e extremamente importante, desde que cada um possa ser o que de fato é. Somente, assim, criam-se relações de verdade, com raízes e sinceridade e não troca de conveniências, em que se busca tão somente a fuga do medo de estar só. A verdadeira felicidade está em buscar o que realmente faz o coração terno. Portanto, às vezes, a solidão é importante para que possamos saber o que faz o coração terno, e não apenas reproduzir o que o protocolo social diz ser o caminho da felicidade.
Em hipótese alguma a solidão deve ser adotada como morada. Mas, visitá-la de vez em quando é tão importante quanto se relacionar com alguém, pois precisamos saber o que somos para que possamos dar o que há de mais puro e verdadeiro em nós. Antes de vivermos uma relação, é preciso saber o que somos, e isso só aprendemos na companhia da solidão. Pois, como dizia Francis Bacon:

“Triste destino é o homem morrer conhecido de todos, mas desconhecido a si mesmo.”

Amar uma divindade... Palavras de Abílio de Sousa

Amar uma divindade com o intuito de obter dividendos é como amar o(a) parceiro(a) para que os nossos caprichos infantis sejam satisfeitos.
Quando o nosso agir vivem a função do interesse, tornamo-nos falsos!

Tolerar é permitir que o outro seja outro, mas você não é obrigado a omitir-se. Por Josué Ghizoni


Tolerar significa suportar, aceitar. Para tolerar preciso desenvolver a flexibilidade, a condescendência, a aceitação.

Isto é fácil?
A Programação Neurolinguística (PNL) tem como um dos seus pressupostos básicos o seguinte: O meu mapa não é o território. Compreender que cada um vê o mundo de acordo com sua realidade interna. Para compreender, aceitar, tolerar o modo, o pensar, o agir do outro, preciso “colocar o seu sapato”, ou seja, colocar-me no lugar do outro e ver a partir do seu mapa interno. Aí vamos perceber que a pessoa tem toda a razão.

De fato, não é fácil a convivência com quem pensa diferente. Mas certas práticas ou a aquisição de certas virtudes, como essa da tolerância ou da flexibilidade facilitam em muito a boa convivência social.

A ONU considerou a tolerância tão importante para a paz mundial que criou o Dia Internacional da Tolerância: 16 de novembro. Isto devido às intolerâncias no campo religioso. Por sinal, dois campos onde mais se carece de tolerância é mesmo no campo religioso e no campo político. A melhor atitude de tolerância no campo religioso é você admitir que a possibilidade de salvação existe fora daquilo em que você acredita como único caminho. Salva-se o quem segue sua consciência e não uma religião.
Foi o filósofo Espinosa quem primeiro defendeu a tolerância com argumentos objetivos, mostrando que a violência e a imposição não podem promover a fé.

Tolerar é suportar e o Apóstolo Paulo fala isto mesmo: “Suportai-vos uns aos outros”. Deixar o outro ser outro. Isto não significa que não tenho responsabilidade diante do agir das pessoas. Jesus mesmo pede para corrigir o irmão. A Bíblia pede aos pais para corrigirem os filhos. Suportar ou tolerar não quer dizer omitir-se.

Sem sombra de dúvida que tolerar é permitir que o outro seja outro, que pense diferente. Saber conviver pacificamente com aquele que pensa diferente no campo religioso e político é, sem dúvida, um dos maiores desafios do mundo atual.

O mundo é uma Baleia Azul. Texto de Marta Guerreiro.

O mundo é uma Baleia Azul
As doenças mentais estão aqui e não é de ontem, não é do jogo que começou na Rússia, não é da conta da Netflix — é da vida
Texto de Marta Guerreiro.

Subitamente, as redes sociais ficaram inundadas com artigos de ajuda para pessoas com depressão. Subitamente, as crianças estão a ser avisadas sobre os perigos online e os perigos das doenças mentais. Subitamente, aquilo que devia ser feito todos os dias está a ser feito agora e até aqui tudo bem. Agora vou questionar: até quando? Talvez até a série 13 Reasons Why deixar de ser tão falada ou até o jogo da Baleia Azul deixar de ser notícia.

No mundo real somos séries sobre suicídio e somos baleias azuis, cor-de-rosa, pretas, brancas e amarelas. As doenças mentais estão aqui e não é de ontem, não é do jogo que começou na Rússia, não é da conta da Netflix — é da vida. No mundo real, as crianças, pré-adolescentes, adolescentes e adultos precisam de aconselhamentos e precisam de valorização quando têm doenças como ansiedade ou depressão. A automutilação, para quem não sabe, é um vício como o tabaco e, por favor, poupem-me os discursos das chamadas de atenção. Mesmo que seja assim, não acham que é necessário socorrer e entender as motivações?

Aquilo que ainda me deixa mais intrigada são as pessoas que passaram e passam por estas doenças mas conseguem continuar a usar estas modas, citações ou referências como piada, utilizando mecanismos para se rirem da dor. Piadas sobre violações são horríveis, mas sobre suicídio não faz mal? O complexo de vítima não tem que ser lido como desespero, mas pela falta de empatia e constante chamada de atenção. Não existe nada de errado em lermos ou vermos coisas que nos fazem sentir tão mal que decidimos não sair da cama. Mentira.

A depressão não nos deixa sair da cama, não é desleixo ou preguiça nossa. Essas coisas que nos deixam na corda-bamba entre a vida e a morte podem ser: discussões, fim de relações, imagens de filmes que nos recordam situações graves da nossa vida ou até mesmo — rufos — redes sociais. As redes sociais estão de mão dada com o bullying, perseguição, gozo gratuito e falta de empatia. As redes sociais não são levadas a sério, mas são causadoras de ansiedade, pânico, depressão e comportamentos autodestrutivos — muito antes até de serem utilizadas para “jogos” que atingem pessoas em risco por já estarem psicologicamente doentes. A depressão, como costumo colocar a pessoas não informadas, é como ter um pé partido e existem assuntos, imagens, palavras ou conversas que se transformam num tijolo enorme e esse tijolo é atirado para aquele pé partido. A recuperação demorará mais e a dor aumenta; acrescenta, não se vê — mas está ali. A depressão não existe apenas enquanto as séries disserem que sim. A depressão não está ali apenas enquanto adolescentes morrem vítimas de jogos que utilizam o desequilíbrio psicológico para o término da vida. A depressão está, esteve e vai estar em violência doméstica, ambientes familiares desequilibrados, objectivos não concretizados, violações, bullying, em cyberbullying.

A sociedade é, por si só, uma Baleia Azul: ignora os riscos, desvaloriza as doenças psicológicas, incentiva a não-empatia e procura justificações para as situações às quais fecharam os olhos. As famílias dizem que são “fases”, as mangas cobrem os cortes, os professores “até deixam passar”, as amigas lá se afastam e o mundo deixa as pessoas — doentes — sozinhas. Peço desculpa pela falta de etiqueta mas o que o sistema grita a esta gente é: "desenmerdem-se". Depois choram e revoltam-se mas só até jogar o Benfica ou haver um episódio especial da novela da noite. Desta vez têm um jogo para culpar. Anteontem eram cassetes, amanhã o que será?