sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

“Um apelo ao mundo: o caminho para a paz em tempos de divisão”. De O 14º Dalai Lama, Tenzin Gyatso, é o líder espiritual do Tibete e Prêmio Nobel da Paz.


O 14º Dalai Lama, Tenzin Gyatso, é o líder espiritual do Tibete e Prêmio Nobel da Paz. Escreveu este artigo com Franz Alt, jornalista de TV e autor de best-seller. Este texto é uma adaptação extraída de seu novo livro, “Um apelo ao mundo: o caminho para a paz em tempos de divisão”.


Quando o presidente dos Estados Unidos diz “Primeiro a América “, ele está fazendo com que seus eleitores se sintam felizes. Sou capaz de entender isso. Mas, de uma perspectiva global, esta afirmação não é relevante. Hoje em dia, tudo está interconectado.

A nova realidade é que somos todos interdependentes uns com os outros. Os Estados Unidos são uma nação que lidera o mundo livre. Por essa razão, peço ao seu presidente que pense melhor sobre questões de âmbito global. Não há fronteiras nacionais quando se trata de proteção climática ou de economia global. Tampouco há fronteiras religiosas. Chegou a hora de entendermos que somos todos seres humanos iguais neste planeta. Quer desejemos ou não, precisamos coexistir.

A história nos diz que quando as pessoas perseguem apenas seus próprios interesses nacionais, há conflitos e guerras. Essa visão é míope e estreita. É também não realista e desatualizada. Vivermos juntos como irmãos e irmãs é o único caminho para a paz, para compaixão, para a presença mental e para termos mais justiça.

Chegou a hora de entendermos que somos todos seres humanos iguais neste planeta. Quer desejemos ou não, precisamos coexistir.

A religião pode, até certo ponto, ajudar a superar a divisão. Mas só a religião não será suficiente.

Neste momento, a ética secular global é mais importante do que as religiões clássicas. Precisamos de uma ética global que possa acolher os que creem em alguma religião e os que não creem em religião alguma, incluindo os ateus.

Meu desejo é que, um dia, a educação formal dê atenção à educação do coração, que ensine o amor, a compaixão, a justiça, o perdão, a presença mental, a tolerância e a paz. Essa educação é necessária, desde o jardim de infância até o ensino médio e as universidades. Refiro-me a aprendizagem social, emocional e ética. Precisamos de uma iniciativa mundial para educar o coração e a mente nesta era moderna.

Atualmente, nossos sistemas educacionais são orientados principalmente para valores materiais e para o treinamento do intelecto. Mas a realidade nos ensina que não chegamos à razão exclusivamente através do intelecto. Precisamos colocar mais ênfase nos valores internos.

A intolerância leva ao ódio e à divisão. Nossos filhos devem crescer com a ideia de que o diálogo, e não a violência, é a maneira melhor e mais prática de resolver conflitos. As gerações mais jovens têm uma grande responsabilidade em garantir que o mundo se torne um lugar mais pacífico para todos.

Mas isso só poderá se tornar realidade se educarmos, não apenas o cérebro, mas também o coração.

Os sistemas educacionais do futuro devem dar maior ênfase ao fortalecimento das habilidades humanas, como o afeto, o senso de unicidade, a humanidade e o amor.

Vejo ainda mais claramente que o nosso bem-estar espiritual não depende da religião, mas da nossa natureza humana inata – nossa afinidade natural pela bondade, pela compaixão e por cuidar dos outros. Independentemente de se pertencer a uma religião ou não, todos nós temos uma fonte fundamental e profundamente humana de ética dentro de nós mesmos. Precisamos nutrir essa base ética da qual nós todos compartilhamos.

A ética, ao contrário da religião, é fundamentada na natureza humana. Por meio da ética, podemos trabalhar na preservação da criação. A empatia é a base da coexistência humana. Creio que o desenvolvimento humano depende da cooperação e não da competição. A ciência nos confirma isso.

Precisamos aprender que a humanidade é uma grande família. Somos todos irmãos e irmãs: fisicamente, mentalmente e emocionalmente. Mas ainda nos concentramos demasiadamente em nossas diferenças em vez de nossas semelhanças. Mas ao final, cada um de nós nasceu da mesma maneira e morrerá da mesma maneira.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

13 conselhos de Buda para viver de forma mais tranquila.

Existe, segundo Buda, uma forma de viver momentos difíceis de uma maneira mais tranquila e o segredo tem a ver com atitude, separamos 13 conselhos deixados para aqueles que passam por essa situação:

1) AS COISAS SÃO O QUE SÃO
A nossa resistência às coisas é a principal causa do nosso sofrimento. Este acontece quando resistimos às coisas como elas são. Se não se pode fazer nada, relaxe. Não lute contra a correnteza, aceite ou então se consuma em seu sofrimento.

2) SE VOCÊ ACHA QUE TEM UM PROBLEMA, VOCÊ TEM UM PROBLEMA
Repare que tudo é olhado através de uma perspectiva. Em um determinado momento as coisas parecem difíceis, no outro não. Sabendo disso, caso tenha uma dificuldade escolha entendê-la como um desafio, uma oportunidade de aprendizado. Se enxergá-la como um problema, essa dificuldade será certamente um problema.

3) A MUDANÇA COMEÇA EM VOCÊ MESMO
Seu mundo exterior é um reflexo do seu mundo interior. Temos o hábito de achar que tudo ficará bem quando as circunstância mudarem. A grande verdade, no entanto, é que as circunstâncias só mudarão quando essa mudança ocorrer em nosso interior.

4) NÃO EXISTE APRENDIZADO MAIOR DO QUE FALHAR
O fracasso não existe!!! Entenda isso de uma vez por todas. Todas as pessoas de sucesso já falharam diversas vezes. Aproveite suas falhas como um grande aprendizado. Se fizer isso, na próxima vez estará mais perto do sucesso. A falha é sempre uma lição de aprendizado.

5) SE ALGO NÃO ACONTECE COMO O PLANEJADO, SIGNIFICA QUE O MELHOR ACONTECEU

Tudo acontece de forma perfeita, até quando dá errado. Muitas vezes, quando olhamos para trás, percebemos que aquilo que consideramos errado, na verdade foi o melhor que podia ter acontecido. No entanto, quando dá certo, certamente estamos alinhados com nosso propósito de vida. O universo sempre trabalha a nosso favor.

6) APRECIE O PRESENTE

Nós só temos o momento presente! Portanto não o deixe passar perdendo tempo com o passado. Valorize seu momento presente pois ele é único e importante. É a partir dele que cria sua vida futura.

7) DEIXE O DESEJO DE LADO

A maioria das pessoas vive a vida guiadas pelos desejos. Isso é extremamente perigoso, um desejo não satisfeito transforma-se em uma grande frustração. Frustação desencadeia uma energia negativa muito forte e retrai seu crescimento. Procure entender que tudo o que precisa vai chegar até você se cultivar sua felicidade incondicional. Pratique uma mente isolada, só assim suas emoções permanecerão felizes ou neutras.

8) COMPREENDA SEUS MEDOS E SEJA GRATO POR ELES

O medo é o contrário do amor, é quem mais atrapalha sua evolução caso não saiba entendê-lo. No entanto ele é importante na medida em que fornece uma grande oportunidade de aprendizado. Quando enfrenta e vence o medo, se torna mais forte e confiante. Superar seus medos requer prática, o medo é apenas uma ilusão e, acima de tudo, é opcional.

9) EXPERIMENTE ALEGRIA

Existem pessoas que se divertem com tudo o que lhes acontece. Mesmo na pior situação, riem de si mesmas. São pessoas felizes que enxergam crescimento em tudo. Essas pessoas aprenderam que é importante focar na alegria e não nas dificuldades. O resultado é que atraem muito mais situações felizes do que tristes.

10) NUNCA SE COMPAREM COM OS OUTROS

Você é único, veio aqui com uma missão só sua. E ela é tão importante quanto a de qualquer outra pessoa. Mesmo assim se não conseguir evitar comparações, compare com quem tem menos que você. Isso é uma ótima estratégia para perceber que tem sempre muito mais do que precisa para ser feliz.

11) VOCÊ NÃO É UMA VÍTIMA

Você é sempre o criador de suas experiências! Tudo o que lhe acontece foi atraído por você mesmo e extremamente necessário pra seu aprendizado. Quando algo que considera desagradável acontecer com você, agradeça e pergunte: “Por que será que atraí isso para minha vida?”, “O que preciso aprender com essa experiência?”.

12) TUDO MUDA

Isso também vai passar…palavras de Chico Xavier. Tudo nessa vida é dinâmico, tudo muda em um segundo. Portanto, não fique se lamentando. Caso não saiba o que fazer, não faça nada. O universo não para de mudar, crescer e se expandir, sendo assim espere, por que tudo vai passar.

13) TUDO É POSSÍVEL

Milagres acontecem todos os dia, e nós mesmos é que somos responsáveis por eles. Confie e acredite nisso. Na medida em que conseguir sua mudança de consciência, encontrará em você o poder de realizar milagres. É tempo de mudar e entender sua importância, a possibilidade que você tem de mudar o mundo. Acredite!!!!

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Confrontos não provam que você é melhor, apenas o igualam ao outro. Autoria desconhecida

Antigamente, quando uma pessoa mentia para mim, eu me sentia tão irritada e até mesmo ofendida a ponto de confrontar a pessoa e desmascará-la onde e quando fosse. Parecia que a mentira, mesmo que nada tivesse a ver comigo, era uma afronta a minha inteligência, a minha capacidade de discernimento, e eu, ariana legítima, não poderia deixar passar e me envolvia em confrontos.

Os anos foram passando e passando… Mudei de cidade e me vi cercada de pessoas maravilhosas, mas também cercada de pessoas que mentem por qualquer coisa. Pessoas viciadas em mentir. E o que fazer? No começo eu brigava com todas elas. Esfregava a verdade na cara delas e do mundo. Partia para os confrontos mesmo.

Os anos foram passando e me dediquei a estudar a mim mesma, como já contei em outros artigos. Meditação, ioga, terapia, leitura… Tudo o que pudesse me mostrar o que tinha dentro de mim, me mostrar a Kássia de verdade. E descobri que o meu incômodo com a mentira veio de muito, muito longe, na infância.
Nunca acreditei em Papai Noel, coelho da Páscoa, “homem do saco”, monstros… (Não sou contra quem acredita, não me entendam mal). Sabia, desde muito nova, que a minha mãe dava um duro danado para nos sustentar e que, em muitas dessas datas, não poderia viver as ceias dos filmes, ganhar as bonecas da moda (não que eu fosse muito fã de bonecas), ganhar os ovos de Páscoa das marcas famosas. Fui criada de forma muito realista. As mentiras que eu ouvia eram para amenizar os problemas ou não criar um. E quando descobri, já era adolescente. Aí, já sabe, não é? Revolta.

Fui pra o mundo muito cedo, sem experiência quase nenhuma. Mas não tinha medo de nada, o que, muitas vezes, pode representar um grande perigo. Lembro que no meu primeiro emprego, em um jornal da minha cidade, eu queria brigar com um juiz que mentiu em uma entrevista dada a mim, foi desmentido por mim, e mandou uma carta resposta me chamando de “jornalistazinha”. Hoje acho cômico, mas na época a vontade de ir nas fuças dele (eu tinha 18 anos) era imensa. Mas lembro que meu superior, na época, me disse: “Isso vai acontecer muitas vezes. A vida é assim”.

Como jornalista trabalhei com esporte, área policial (pela qual eu era apaixonada, já que sou filha de dois) artes, política… E vi que havia uma coisa em comum em todas elas: a mentira! O humorista que me tratava super mal nos bastidores mas, quando ligava o gravador, se tornava a pessoa mais carismática do mundo. O político que abraçava uma pessoa humilde, tomava o café, e depois fazia piada da situação; os jogos visivelmente vendidos; o policial que tinha parceria com o advogado do bandido e com o juiz e, quando o preso chegava a delegacia, depois de meses de investigação, já havia um habeas corpus prontinho e o advogado lá rindo do trabalho dos policiais honestos…

Na vida pessoal vi pessoas mentindo descaradamente para ganhar atenção, status dinheiro… Pessoas mentindo para manter relacionamentos ou terminar. Vi currículos que pareciam piada de tão evidentes que eram as mentiras. Vi pessoas chorarem na frente de outras jurando não terem feito uma coisa que fizeram na minha frente. E o que fazer? Brigar com o mundo? Entrar em confrontos com todos eles? Virar uma justiceira?

Confesso que passei por esta fase, como disse anteriormente. Mas ninguém, sim NINGUÉM pode consertar o mundo inteiro. Porém, tem uma coisa que você pode fazer pelo mundo: mudar a você mesmo. Seja honesto com você mesmo, em primeiro lugar. Não minta e ponto final. Eduque-se e saiba respeitar o modo de vida escolhido pelos outros. Eduque seus filhos a serem honestos como você é. Se uma pessoa mente, ela tem um motivo. Antes de prejudicar você, ela está prejudicando a si própria. Porque a mentira vicia. E depois da primeira vem a segunda para sustentar a primeira, e a terceira para sustentar a segunda… E chega a um ponto em que a pessoa não consegue mais parar.

Quantas pessoas se casaram com outras que não amavam para agradar aos pais ou a sociedade e foram infelizes por anos e anos? Quantas pessoas reprimiram sua sexualidade por anos e se tornaram amargas e preconceituosas por não aceitarem a si próprias? Quantas pessoas entraram em forte depressão, tiveram um infarto ou um AVC por estarem tão sufocadas por mentiras que não conseguiam sustentar?

O que vou dizer a seguir pode soar egoísta, mas depois vocês vão entender o porquê: cuide do seu karma, seja bom, honesto e não minta. Pense em você. Ninguém pode sustentar uma mentira por muito tempo. Pode demorar dias, meses, anos… Mas ela sempre vem à tona. Não adianta. Com brigas, confrontos, expondo a pessoa (que já está fazendo isso sozinha), você se desgasta, se estressa, se deprime, se expõe, adoece e pode até morrer. É isso que você quer?
Sei que às vezes é difícil saber que uma pessoa falou uma mentira a seu respeito. Pode magoar muito. Mas, se você age de maneira correta, a mentira não vai se sustentar e o autor vai se autodestruir. É a Lei do Retorno. Ninguém consegue fugir dela.

De que adianta vestir as melhores roupas, comprar os melhores sapatos, ir às melhores festas e estar devendo ao banco ou aos vendedores? De que adianta mentir que sabe fazer um trabalho, ser contratado, e na hora de fazer não conseguir? De que adianta mentir para seus filhos e dormir com a consciência pesada? De que adianta ser infeliz com uma pessoa que não ama para não perder o status de casado ou financeiro? De que adianta reprimir sua sexualidade, chegar aos 60, 70 anos e dizer “quanta coisa eu perdi. Quanto fui infeliz”? De que adianta ter que mudar de salão ou de loja a cada mês porque não pode pagar, mas quer estar sempre alinhada? Uma hora a “casa cai”. Não tem escapatória.

Então, ao invés de bater de frente, deixe a pessoa falar. Cuide de você. É desta forma que mudamos o mundo. Cada um cuidando de si, e quando se sentir pronto, espalhe este amor para mais e mais pessoas (porque quando descobrimos nosso verdadeiro “eu” nos tornamos mais amor). Pequenas ações ajudam. Eu escrevo, conto minhas experiências e mostro às pessoas que elas não estão sozinhas e que sim, há possibilidade de mudar de fogo para um rio calmo. Ainda não alcancei o nível de maturidade emocional e espiritual que busco, mas não vou desistir. E é isso que me motiva a cada dia.

Tenho plena consciência de quem sou, e de que não posso mudar as pessoas. A mudança é um trabalho longo, contínuo e individual no qual estou trabalhando dia após dia. E os resultados vêm. Quando uma pessoa insiste em mentir para mim, me afasto e além de agradecer em minhas orações por ter resolvido a situação, peço pela pessoa. Uma hora ela vai reconhecer o mal que fez ao outro e a si própria, principalmente, e vai mudar de postura. Pode durar até mais de uma encarnação. Mas vai acontecer. Tenha certeza!

Então cuide de você, melhore a você, vença a você. E o Universo o recompensará. Não digo que é difícil (aprendi com uma pessoa muito especial). Digo que é diferente. E tudo que é diferente assusta mesmo. Mas, digo por experiência própria: vale a pena. Confrontos não provam que você é melhor ou pior do que o outro, mas o igualam a ele. Seja diferente.

Namastê

sábado, 25 de novembro de 2017

Os populistas têm geralmente a tendência de fazer promessas totalmente irrealistas.

As reivindicações de fronteiras seguras e justiça social na globalização não são por isso reivindicações que uma sociedade e um governo democráticos possam deixar nas mãos dos populistas de direita, os quais, além disso, põem em causa os princípios do direito internacional plasmados nas Convenções de Genebra - mesmo que, no âmago da sua análise sobretudo vaga e simplificada, possa também residir uma chispa de verdade. Contudo, nem no passado nem no presente, os populistas de direita ou os ditadores de todos os extremismos conseguiram comprovar, nem mesmo em certa medida, estar em condições de resolver problemas de forma pacífica, humana ou duradoura. No final, o seu poder desembocou, quase sem excepção, e à custa das minorias e contra a própria população, em caos, guerra, e opressão.
Os populistas têm geralmente a tendência de fazer promessas totalmente irrealistas. Contudo, mal se veem no poder ou tem nele alguma participação, tornam-se muitas vezes clara a desproporção entre as reivindicações e a realidade. Temos a disposição exemplos suficientes na história que nos demonstram que os governos de populistas da direita, ou com a sua participação, apresentam geralmente duas tendências: ou os interesses dos eleitores são virados de avesso ou as disputas intrapartidárias conduzem a rutura do partido.

Excerto do Livro " Uma Vida Alemã " de Brunhilde Pomsel e Thore D. Hansen ( Pag. 202 & 203 Pgr. 1 )

Prefácio de Rui Marques do Livro " Uma Esperança mais forte do que o mar " de Melissa Fleming.

Prefácio de Rui Marques do Livro " Uma Esperança mais forte do que o mar " de Melissa Fleming.

( A extraordinária história de amor, perda e sobrevivência de uma refugiada  )

Um dos nossos maiores erros quando olhamos para a " crise dos refugiados " é pensar em multidões em marcha, numa massa informe, onde só se percepcionam ruídos e se teme uma " invasão ". Tenho para mim que essa imagem perturba a verdadeira compreensão do que quer dizer a tragédia de cada uma destas pessoas. As massas apagam as pessoas. Tiram-lhes as alma. Na verdade, deveríamos ser capazes de parar em cada uma destas pessoas, sem desviar o olhar, nem acelerar o tempo. Ser capazes de contemplar a sua história individual, no seu sofrimento e na sua coragem, num verdadeiro exercício de empatia. É que só quando conseguimos passar da multidão para a pessoa concreta, é que entramos verdadeiramente neste templo sagrado que é o Ser Humano (...)
O segundo " erro " que cometemos quando pensamos em " refugiados " é escondermos atrás da pergunta " Quem são eles ? " e construirmos um muro de respostas condicionadas pelo medo e pelo preconceito. " São diferentes ", " tem outra religião e outros costumes ", se calhar, " São terroristas " são algumas das respostas que encontramos nesse muro. Nas discussões no espaço público e na dinâmica mediática estamos cheios de exemplos desta perversão  A fogueira do medo arde esses argumentos. Com dolo, ou simplesmente com uma negligência descuidada, muitos vão manipulando o sentir geral a partir dessa pergunta. Vão-nos tornando reféns da desconfiança e empurram-nos para o gesto desumano de fechar a porta a quem nos pede socorro, porque tememos todos os perigos do mundo (...)
Mas que " Quem são eles " não é questão mais importante no quadro atual. A pergunta que devemos fazer é : " Quem somos nós?". Esta é que é a interrogação vital. (...) O que fazemos nós ? Que respostas damos ? Sem álibis, nem desculpas mais ou menos elaboradas, que valores mostramos? Esta resposta mostra-nos ao espelho, porque, em grande medida, somos o que fazemos. A nossa identidade não está nas palavras ou nos tratados e leis que nos regem, nem na narrativa que construímos sobre o nosso sentido solidário ou a nossa civilização humanista. Esta, acima de tudo, no que fazemos, no concreto, perante as crises que estão perante nós.
Finalmente (...) o terceiro erro. Quando cruzamos com este sofrimento humano, não rara vezes, elaboramos sobre os " culpados ".E não nos falta criatividade e cultura política para encontrar uma imensidão de culpados e instâncias responsáveis. Na nossa " indignação de sofá " atiramos em todas as direcções e deixamo-nos consolar um pouco. Encontrados os " culpados " podemos prosseguir a nossa vidinha. Ora a terceira pergunta urgente perante o drama tantos Doaa ( heroína do livro ) é qual é a nossa responsabilidade : o que podemos fazer, concretamente, para abrir " esperanças maiores do que o mar ".

IGNORAR CERTAS PESSOAS NOS TORNA MAIS FELIZES. Texto de Prof. Marcel Camargo

Quanto mais vivemos, mais percebemos que a arte de ignorar certas pessoas é capaz de nos poupar de muitos dissabores, aumentando a qualidade de nosso dia-a-dia. Com o tempo, vamos aprendendo que gastar energia com pessoas e coisas que não merecem um mínimo de consideração é atraso de vida, e que só serve para aumentar a quantidade de nossos cabelos brancos e de nossas decepções acumuladas.

Não dê ouvidos a quem está sempre dizendo que nada vai dar certo, que você não vai conseguir, ou que seus sonhos são utópicos demais. Ninguém nos conhece melhor do que nós mesmos e ninguém tem o direito de nos determinar qual é o real alcance de nosso potencial. Nossos ideais é que alimentam as nossas esperanças, as nossas certezas de que o amanhã virá mais belo e pleno de realizações.

Passe por cima, com dignidade e elegância, das opiniões contrárias, dos pontos de vista que denigrem e diminuem tudo aquilo em que acredita. Poderemos nem sempre estar com a razão, mas jamais deveremos abrir mão do pulsar de nossos sentidos, das crenças que nos sustentam o olhar adiante e que nos impulsionam a seguir sempre em frente, a despeito das adversidades e dos tombos que a vida nos dá.

Atropele seus medos, os temores que emperram os seus passos, que tolhem o seu caminhar da liberdade da qual deve se revestir. Não se contamine pelas negatividades alheias, de gente que nunca ousou desvencilhar-se das amarras das convenções sociais, de gente que nunca saiu do lugar, iludindo-se pela comodidade desconfortante da ilusória zona de conforto em que se amotina.

Não ligue para aqueles que desacreditam de seus empreendimentos, de suas idéias, dos sonhos que embasam a sua busca pela felicidade, em casa, no trabalho, onde for. Mantenha firme o seu propósito de encontrar o amor verdadeiro, o amigo leal, o emprego perfeito, a carreira naquilo em que você é melhor. Nada nem ninguém nos impedirá a construção de um caminho de sonhos palpáveis, caso acreditemos em nós mesmos.

Esqueça as palavras de desânimo e de desmotivação que ouvir pelo caminho, enquanto tenta seguir a luz que ilumina a sua jornada. Lembre-se de que ouvir a voz que vem do seu coração lhe abrirá muitas portas que estarão prontas para recebê-lo diariamente, bem como o levará ao encontro de pessoas que o acompanharão com apoio sincero, amando tudo o que em você é digno de admiração verdadeira. Não guarde dentro de si lixo emocional que os desavisados tentam lhe empurrar, tentando atraí-lo para dentro de suas próprias escuridões.

Ignorarmos aqueles que nos ferem gratuitamente, que querem tão somente nos paralisar, para que estagnemos ao nível da miséria emocional em que se encontram, será uma das atitudes mais sábias e úteis que tomaremos ao longo de nossas vidas. Porque ninguém é capaz de acabar com a grandeza que possuímos aqui dentro, nem ninguém tem poder algum sobre as nossas verdades, a não ser que deixemos. No mais, o que importa é ser feliz, e bem longe de gente chata.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

A produtividade não tem nada a ver com dinheiro mas com felicidade. Via Abílio de Sousa

Quando as pessoas sentirem que fazem parte de um projecto. Que se identificam com o projecto, ou seja, que estejam no seu elemento sentem valorizadas. Ao sentirem valorizadas sentem-se felizes. Ao sentirem felizes produzem mais.
A produtividade não tem nada a ver com dinheiro mas com felicidade.

sábado, 18 de novembro de 2017

Não permita que as pessoas lhe tratem mal só porque você as ama. Texto do Prof. Marcel Camargo

Deixarmos claros os nossos limites é necessário, porque, assim, quem não aceita limite algum não se aproximará de nós e isso será um grande favor a nossas vidas. Mais valem poucos amigos sinceros do que vários sanguessugas em volta da gente.

Ninguém gosta de magoar a quem ama, de ver alguém de quem gosta chateado por algo que saiu da gente. É desagradável sabermos que tem alguém que se sentiu mal por conta de alguma coisa que fizemos ou dissemos. No entanto, não poderemos engolir tudo o que nos desagrada, por medo de que as pessoas fiquem chateadas conosco, ou adoeceremos.

Toda e qualquer relação, seja de amizade, trabalho, seja de amor, necessita passar por algumas turbulências, para que fiquem claros os limites de cada uma das partes envolvidas. As pessoas vão realmente se conhecendo com o tempo e com as rusgas que são superadas através do diálogo, que nem sempre é tranquilo. A verdade de cada um precisa ser transparente, ou o relacionamento aos poucos se desgasta e se desfaz.

Caso sejamos o tipo de pessoa que não consegue lidar com o fato de que nem sempre estaremos agradando, acabaremos acumulando contrariedades dentro de nós. Da mesma forma, algumas pessoas, percebendo isso, não deixarão de se aproveitar de nossas inseguranças, sugando tudo o que puderem, aproveitando-se de nós, uma vez que saberão que não conseguiremos lhes negar nada.

Não podemos permitir que nos tratem de uma forma que não merecemos, somente porque amamos ou não queremos que o outro fique bravo ou magoado por nossa causa. Deixarmos claros os nossos limites é necessário, porque, assim, quem não aceita limite algum não se aproximará de nós e isso será um grande favor a nossas vidas. Mais valem poucos amigos sinceros do que vários sanguessugas em volta da gente.

Amar não significa, de maneira nenhuma, ter que se sujeitar aos mandos e desmandos do outro, porque quem ama de verdade também diz não, também se nega, também aponta o que do outro não aceita receber. Teremos, sim, que abrir mão de algumas coisas, caso queiramos nos relacionar com alguém, porém, nenhum traço de nossa dignidade poderá ser suprimido nesse processo, ou nos distanciaremos cada vez mais do encontro amoroso que nos torna melhores, mais felizes, mais a gente mesmo.


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Perdoe a minha sinceridade, mas fingir não me faz bem! Texto de Karol Pinto

Vivemos cercados por tantas mentiras, por falsidades e joguinhos de interesses, que quando somos sinceros, assustamos ao próximo, desacostumado com a boa e velha honestidade.

Já antecipo de antemão, talvez ser sincero em demasia, não seja a melhor opção. Nem todos sabem lidar com uma boa conversa onde os personagens estão despidos de suas máscaras. Em muitos casos, falar a verdade soa grotesco. E não é esta a intenção.

A política da boa vizinhança é mais bem aceita. Afinal, ironicamente, preferimos interlocuções com aqueles que concordam com o que dizemos. Ser contrariado, sem vitimar-se, é para os fortes. E o mundo, em algumas vezes, faz-me crer, que em sua maioria, é habitado por aqueles que prezam o faz de conta.

Lidar com a verdade, mesmo que num primeiro momento doa, nos impulsiona a resolver um problema e seguir nosso caminho. Somos nós que escolhemos se as verdades que nos sãos ditas, doem ou não. Se queremos caminhar tateando no escuro, ou simplesmente acender a luz e ver o que está bem diante dos nossos olhos.
Ocultar realidades por medo de como seremos compreendidos ou por receio de ferir quem as escuta, é contentar-se com metades, com mentiras. E nem mesmo as mais piedosas, são justificáveis. Não temos em nossas mãos o poder de decidir o que machucará, escutando ou falando, o que é realidade.

É impossível aceitar que na verdade, aquela dita com o coração, exista mais maldade do que a mentira, a falsidade, a utopia e a hipocrisia. O que me dói, é a confiança traída, o cristal quebrado, a escolha alheia daquilo que eu posso ou não lidar com serenidade.

Por medo de nos revelarmos ou magoar aqueles que amamos, nós nos tornamos verdadeiros personagens de um mundo de faz de conta. Escondemos fatos, tentando agradar, esquecendo que a vida não é feita de algodão doce e que para que cheiremos o perfume inigualável de uma rosa, numa manhã qualquer de primavera, vez ou outra, podemos nos espetar em alguns espinhos.

Relações verdadeiras não podem e nem devem ser solidificadas em pilares construídos com mentiras, pudores e receios. A superficialidade não me atrai. Ao contrário, causa-me repulsa.
Prefiro, infinitamente, que a sinceridade a mim direcionada desça em minha garganta como um pirão de água e farinha, do que a falsidade verbalizada e purpurinada com essência de maçã do amor, vestida com uma fantasia de carnaval.

Não precisamos escancarar a realidade como um tapa de mão aberta no rosto do distraído. Porém, jamais, tratemos a verdade como uma face coberta com todos os recursos utilizados num tutorial de maquiagem.

Eu acredito que com pequenas mentiras, perdemos grandes pessoas. Pois a mim, elas perdem agindo com falsidade. Como li um dia desses, por aí, ”a verdade crua sempre será mais bonita que qualquer mentira produzida”.

sábado, 4 de novembro de 2017

Quem se afeiçoa à ferida, nunca se cura. Texto de Vanelli Doratioto

Sabe quando você era criança e ficava cutucando o machucado e ele nunca sarava? Pois é, depois que crescemos, muitas vezes, fazemos o mesmo.

Veja bem, quem se afeiçoa à ferida nunca se cura. Quem se prende ao que traz sofrimento acaba sofrendo para sempre. A vida é feita de ciclos nos quais passamos sim por dores, no entanto, devemos passar e não ficar nelas.

Quem volta para a mesa onde o amor não está mais sendo servido, se alimenta de ingratidão. Quem visita àqueles que trancaram as portas, encontra indiferença. Quem se torna marionete das vontades dos que não se importam, acaba órfão de si.

Deixa a tua ferida sarar. Sem uma morosidade mórbida ou ansiedade louca para isso. O tempo é um ótimo remédio. Deixa ele agir. Deixa ele curar as dores.

É comum que nos afastemos de algumas situações e depois de um tempo, mais fortalecidos, decidamos voltar ao passado para acertar as coisas. Mas ao voltar, comumente, percebemos que por mais evoluídos que possamos estar, existe ali uma situação tóxica que, em momento algum, nem no passado, nem no presente, nem no futuro nos trará qualquer tipo de contentamento.

Algumas pessoas e situações não valem a pena. Alguns caminhos não levam à lugar algum. Nem todos sabem amar. Alguns vivem de fazer sangrar corações. Outros de menosprezar e entristecer.

Alguns até mesmo sentem prazer em usar pessoas como se fossem coisas.

Deixa o tempo soprar tuas feridas! Levanta e segue em frente.

Mostre-se assim bonita e curada. Não adia a tua felicidade cutucando dores que te fazem lembrar de situações tristes e pessoas vazias de amor.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Não estamos presos à roda da vida. Texto de Tenzin Palmo

Não estamos presos à roda da vida. Nós é que a agarramos com força, com as duas mãos. Há uma história que sempre se conta sobre uma forma particular de aprisionar macacos na Índia. Toma-se um coco com um pequeno buraco. Por esse buraco, com tamanho suficiente para passar apenas a mão do macaco, coloca-se um pedaço de doce de coco. O macaco se aproxima, sente o cheiro do doce, coloca a mão no buraco e agarra o doce. Ele fecha a mão para agarrar o doce. e dessa forma não consegue mais tirar a mão do coco. E então o caçador consegue pegá-lo. Nada prende o macaco ali. Tudo o que ele precisava fazer era abrir a mão e estaria livre para fugir. Ele fica ali preso apenas por desejo e apego, que não o permitem seguir. É dessa forma que a nossa mente funciona. O problema não é o doce de coco. O problema é que não conseguimos soltá-lo. Vocês entendem? O problema não é o que temos ou o que não temos, mas o quanto nos agarramos às coisas. 

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

TEM GENTE QUE É TÃO POBRE, QUE SÓ TEM DINHEIRO. Texto de Marcel Camargo

Hoje, em época de valores invertidos, o status conferido à riqueza material é um chamariz que promove a ostentação desmedida e a busca pelo sucesso a qualquer preço. Na ânsia de transparecer posses monetárias, perdem-se, em muito, os traços de humanidade de que deveriam se revestir as atitudes e comportamentos em sociedade. Confunde-se, assim, posses com virtude, salário alto com realização pessoal, conforto material com felicidade plena, o que nem sempre corresponde à realidade dos fatos.

Rico é quem faz aquilo de que gosta, sentindo-se realizado ao trabalhar e tendo certeza de que o que produz é útil não somente a si mesmo. Quem acorda feliz por ter o emprego em que as horas não se arrastarão, quem sente prazer com aquilo que faz. Pobre é quem trabalha com cara amarrada, sem olhar para o lado, sem saber o nome de ninguém das mesas ao lado, por maior que sejam os seus proventos.

Rico é quem está junto à pessoa que ama, sentindo-se amado todos os dias, sorrindo ao olhar nos olhos do amor de sua vida, sempre encontrando as mãos certas para entrelaçar as suas. Quem valoriza e é valorizado pelo companheiro, quem encontra em casa o bálsamo diário às atribulações que a vida traz. Pobre é quem conquista alguém em razão de sua conta bancária, tendo que sustentar aparências pelo resto de seus dias.

Rico é quem tem ao menos um amigo com quem possa contar, alguém que jamais se negará a ajudar, a escutar, apoiar, ou seja, um amigo de verdade. Quem também é esse amigo para o outro, dispondo-se sempre a acolher junto a si tudo a pessoa traz, aconselhando, compartilhando alegrias que se multiplicam e tristezas que se tronam então mais leves. Pobre é quem vive rodeado de pessoas interesseiras e vazias, com quem não troca nada de útil.

Rico é quem consegue ser grato à vida, à família, aos amigos, quem valoriza o que já alcançou na vida, sem se comparar com ninguém. Quem leva a gratidão no coração, valorizando cada passo dado, a saúde, os amores em sua vida, de forma a bastar-se a si mesmo, sem ter tempo para invejar a vida alheia. Quem não tem tempo para prestar atenção naquilo que não lhe diz respeito, pois se encontra ocupado em ser e em fazer gente feliz. Pobre é quem tem tempo de sobra para deturpar a vida de todo mundo.

Rico é quem preza, acima de tudo, o amor por si mesmo e por quem caminha ali juntinho. Quem não se deixa abalar por miudezas, quem não sucumbe aos tombos, nem perde a fé e as esperanças que motivam a sua jornada. Quem emana energia positiva, pois sabe que devemos trocar positividade com gente do bem, afastando-nos de pessoas negativas e mesquinhas. Pobre é quem semeia o ódio e a desesperança.

Infelizmente, muitas amizades, casamentos e relacionamentos em geral vêm se pautando pela valorização dos bens e do que o outro possa oferecer em troca em termos monetários. Na verdade, o que torna tudo melhor é o amor que carregamos enquanto vivemos e nos relacionamos, pois tudo o mais pouco durará, caso não seja construído sobre sentimentos verdadeiros. Porque será sempre o amor que nos sustentará e nos dará a força necessária ao ir em frente, mesmo que de ônibus, a pé, não importa. Quem ama e é amado, afinal, já encontrou o maior tesouro de sua vida.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

É caricato quando o indivíduo não sabe ouvir a si mesmo, por norma, paga um especialista para ser ouvido!! Via Abílio de Sousa

Desde muito novo, sobretudo nas sociedades ocidentais, o indivíduo é ou tem sido educado para evitar a solidão e o silêncio.
O solidão e o silêncio são apenas usados para serenar a agonia e não como um processo para aumentar a auto-estima.
Sociedades que impedem indivíduos confortarem-se consigo mesmo, ou melhor dizendo, lidar com as suas " sombras " resulta indivíduos, frustrados, neuróticos, depressivos e extremamente agressivos.
Por isso não fiquemos admirados pelas notícias de violência na sociedade em que vivemos tais como:
" Namorado mata namorada com um machado ",
" Marido mata esposa e filha adolescente com múltiplas facadas por ciúmes ",
" Ex.marido mata o filho menor porque não conseguir viver longe dele ", etc...
Ainda se pensa que estas situações só acontecem aos outros!!
É caricato quando o indivíduo não sabe ouvir a si mesmo, por norma, paga um especialista para ser ouvido!!

domingo, 22 de outubro de 2017

Manifesto Anti-leitura, por José Fanha

Manifesto Anti-leitura, por José Fanha

Abaixo a leitura, pim!

Andam por aí elementos suspeitos que se escondem nas sombras das bibliotecas e chegam a ir as escolas para espalhar um vício terrível e abominável especialmente junto dos mais novos! Dos mais tenros! Dos mais ingénuos! Um vício que se chama

LEITURA!

Os passadores dessa droga dura, os dealers da leitura transformam simples cidadãos em leitores! Em mortos vivos! Em gente que entrega a sua vida aos livros, às histórias, aos romances, aos poemas, gente que se esquece de tudo o mais!

Abaixo a leitura,pim! Abaixo os leitores, pum!

O leitor é um doente!

O leitor é um viciado!

O leitor se esquece de tudo mais só para ler!

Cuidado com eles! Porque o pior de tudo é que a leitura pega-se! Cuidado com os leitores! Afastai-os de vós! Protegei vossos filhos!

Morra a leitura, morra! Pim!

Uma geração que lê é uma geração que pensa!

Uma geração que lê é uma geração que duvida!

Uma geração que lê é uma geração que questiona!

Uma geração que lê é uma geração que critica!

Uma geração que pensa e duvida e questiona e critica não engole qualquer patranha que lhe queiram enfiar! Não obedece! Não se baixa! Não se cala! Uma geração que lê e pensa é um perigo para a civilização ocidental e para o país!

Abaixo os leitores! Morra a literatura! Morra! Pum!

Esta gentinha põe-se a ler em vez de trabalhar, de verter o seu suor a bem da nação, de aceitar paciente e responsavelmente que lhe retirem a assistência médica, o subsídio de doença, a reforma, o teatro, a música! As cuecas, se necessário for!

Esta gentinha que lê perde-se a interrogar as medidas necessárias e urgentes para o bem do mercado, dos bancos, dos acionistas que são quem faz andar o país!

Quem lê ainda por cima diverte-se! Entretém-se!

A ler, os leitores viajam! E aprendem! E refletem! E riem! Choram! E sonham!

Morra a leitura, pim! Pam! Pum!

A leitura faz conhecer personagens imorais como o débil Carlos da Maia e a desavergonhada Eduarda da Maia, sua irmã, e bruxas repelentes como a dama de pé de cabra do Alexandre Herculano ou a Blimunda do “Memorial do Convento”.

Seres inúteis e irreais como o Gato Zorbas da “Gaivota e do Gato que a ensinou a voar”.

Criaturas atrevidas, desobedientes e revolucionárias como o João-sem-medo, o Pinóquio, o Tom Sawyer, o Oliver Twist!

E loucos como o cigano Melquíades e o coronel Buendía dos “Cem anos de Solidão”.

A leitura faz-nos viajar por lugares mal frequentados como a ilha do tesouro, o beco das sardinheiras do Mário de Carvalho, os mares do “Mobby Dick”, a Buenos Aires de Borges, a Paris de Marcel Proust, a Londres de Oscar Wilde, a Moscovo de Tolstoi!

A leitura faz-nos rir de pessoas sérias como o conde de Abranhos, o Sancho Pança ou o escriturário Barthleby.

Já para não falar dos autores, meu Deus! Esses seres abjetos! Os escritores que escrevem livros e livros sem um pingo de vergonha! Deviam ser presos! Encerrados num jardim zoológico! Condenados aos trabalhos forçados! À morte! À cadeira elétrica!

Camões, por exemplo, era um marginal que andava sempre à espadeirada. E se fosse só isso, ainda podíamos perdoar. A luta, a pancadaria, a guerra não são reprováveis. Podem até ter uma função muito positiva na nossa sociedade!

Mas esse tal Camões escrevia entre espadeiradas!!! Escrevia estrofes e mais estrofes! Sonetos que enchem livros e que continuam a gastar papel que podia ser poupado para fazer pacotes de castanhas ou relatórios anuais da administração das empresas.

E o Bocage? Dizia impropérios! Palavrões! E até na poesia deixava a marca da sua pouca vergonha! Se escrevesse pornografia nós aceitávamos esses palavrões! Tinham uma função social! Mas poesia…!

E não esqueçamos essa histérica e louca Florbela Espanca, essa desavergonhada, essa grande doida, que queria amar! Deixai-nos rir! Se amasse o seu marido uma vez por semana cumpria a sua obrigação! Se fosse amante do chefe lá do escritório, estava a contribuir para uma gestão equilibrada do produto interno bruto! Mas não! Ela vertia nos versos o seu desejo de amar este, aquele, e mais o outro!

E lembremos Álvaro de Campos que é uma invenção torpe, um sujeito que nunca existiu de fato! Puro delírio! Personagem frágil e contraditória! E Ricardo Reis que também não existia! Nem Alberto Caeiro! Nem Bernardo Soares!

Tudo obra do delírio do Sr. Fernando Pessoa que escrevia cartas de amor devia ter tido vergonha e dedicar-se à sua profissão pobre mas honrada de escriturário! E de muitos mais escritores poderíamos falar! Gente horrível, que só gosta de mexer na miséria e na lama, gente carregada de maldade que nos fala da queda dos anjos e de amores de perdição, de barrancos de cegos, de lobos que uivam, de versículos satânicos!

E até quando escrevem sobre gente feliz, tem de ser gente feliz com lágrimas!

E há quem os leia! Quem sofra com eles! Quem toque carinhosamente nos seus livros sem saber que o veneno entra pelos olhos que lêem e pelos dedos que folheiam! E depois da leitura de uma página, por vezes depois da leitura de um só parágrafo já não há remédio! Eles já são leitores! Estão apanhados irremediavelmente pelo canto de sereia da leitura! A possibilidade de salvação é extremamente diminuta!

Os livros deviam ser reciclados e transformados em lenços de papel! Em solas de sapatos! Em bolas de futebol! Livrai-vos de os ler! Ou melhor! Queimem-nos! Lembrem-se daqueles que ao longo da história tentaram salvar-nos queimando pilhas e pilhas de livros!

Digamos com eles, abaixo os livros! Morra a leitura! Morra, pim!

Os livros fazem-nos afastar da realidade, da economia! Do mercado! Do futuro!

Uma ponte é feita com ferro e cimento e não com livros!

No tribunal, o advogado não defende um criminoso com poesia!

Na sala de operações o cirurgião não abre os órgãos de um doente com um romance!

Ninguém se deixa corromper por um soneto!

Abaixo a prosa! Abaixo a poesia! Abaixo o ensaio!

Morra a leitura, morra! Pim!

E temos de falar das bibliotecas, essas casas sombrias onde o vício é permitido! Pais! Protegei os vossos filhos! As bibliotecas são autênticas salas de chuto de porta aberta ao público! E estão carregadas e alto abaixo de livros! E os livros estão à vista! Pior ainda, os livros estão à mão de qualquer criança ingénua! E alguns até têm ilustrações, bonecos que tornam a leitura mais fácil e a perdição mais próxima! E o pior é que podem ser requisitados e levados para a casa, para o seio da família onde vão espalhar a sua ação desagregadora e malfazeja!

Morra a leitura! Morram as bibliotecas! Pim! Pam! Pum!

Mas há esperanças para o futuro!

Por alguma razão muitos dos nossos melhores e mais impolutos dirigentes só leem resumos! Ou extratos da conta bancária! Quanto ao resto, nada! Nem uma palavra! Nem uma linha!

E quando lhes perguntam o que andam a ler, muito perspicazmente, eles inventam títulos de livros que não existem para lançar o engano e, quiçá, salvar alguém dos terríveis vícios da leitura!

Sigamos o exemplo que muitos dos nossos dirigentes e gerentes e gestores nos apontam! Há que ter a coragem de dizer bem alto:

A leitura prejudica gravemente a ignorância!
E sem ignorância o país não progride! Não crescem os juros! Não se investe nas off-shores! O estado não vende empresas abaixo do preço aos particulares! O preço da gasolina não sobe!

Acabemos de vez com a leitura! Abaixo a leitura! Pim! Pam! Pum!

Se puserem um livro à vossa frente, caros amigos, cuidado! Desviem o olhar! Não abram nem uma página! Pode bastar um verso para contaminar! Um homem que lê pode desejar viver num mundo melhor! Pode de repente sentir as lágrimas correrem-lhe pela cara abaixo! Pode querer subitamente ajudar os aflitos! Pode abraçar estupidamente um amigo ou beijar os lábios de uma rapariga bela como um raio de sol a iluminar a mais bela rosa do jardim!

Por isso é preciso fechar as portas aos antros de leitura! Sabemos que pode parecer doloroso mas é fundamental arrancar de vez os livros das mãos dos viciados e impedi-los de ler uma linha sequer! Se for preciso tapai-lhes os olhos! É preciso preparar o futuro dos nossos filhos! Não lhes dar ilusões, nem sonhos, nem alegrias! Nem dúvidas, nem sabedoria, nem nada!

Abaixo as bibliotecas! Abaixo os livros! Morra a leitura de uma vez por todas! Morra!

Pim! Pam! Pum!

O hábito de ler é o que nos torna mais humanos, diz a ciência. Por Giovana Feix

A gente já sabia, mas os estudiosos confirmaram: ser um leitor de ficção te faz ter mais empatia pelo próximo.

Você pode estar precisando de uma desculpinha para ler mais, ou de um empurrãozinho para decidir qual será sua próxima leitura. Também pode estar, simplesmente, querendo entender um pouco melhor essa coisa bem louca chamada “humanidade”.

Em qualquer um destes três casos, nós temos boas notícias: para a ciência, tem ficado cada vez mais claro o quanto quem lê literatura de ficção desenvolve o ~dom~ da empatia muito mais do que quem não lê.

Por “ficção”, não nos referimos à científica – e sim a romances, a histórias inventadas. Daquelas que nos transportam diretamente para a cabeça de um ser que, na verdade, não existe.

Em meados do século passado, surgiu a Teoria da Mente, descrita pela revista Science como “a capacidade humana de compreender que as outras pessoas têm crenças e desejos, e que eles podem ser diferentes de tuas próprias crenças e desejos”.

Um estudo publicado em 2013 na mesma revista descobriu, justamente, que os leitores de literatura de ficção costumam se sair melhor, quando testados a respeito da Teoria da Mente. Ou seja: eles compreendem melhor o fato de que os seres humanos têm opiniões diferentes.

Em julho deste ano, outra pesquisa sobre empatia e a leitura examinou como essa relação é poderosa.
Entre os participantes, alguns foram convidados a ler o conto Saffron Dreams, da autora paquistanesa Shaila Abdullah, enquanto outros só foram informados sobre como a história se desenrolava.

Depois, todos eles foram expostos a fotografias de olhares, e estimulados a supor o que cada um dos fotografados estava pensando e sentindo.

Os que leram o conto viam com empatia semelhante os rostos de pessoas árabes e de pessoas brancas – diferente daqueles que não o leram.

Entre um livro de ficção e uma biografia, portanto, você já pode ter certeza do que escolher, para a próxima leitura. Aproveite!

Resiliência: ser forte apesar das tempestades. Texto de Gema Coelho

Há pessoas que são caracterizadas pela sua grande capacidade de resiliência. São precisamente aquelas que têm como arma sua capacidade de se manter à tona diante das dificuldades, e encaram a dificuldade como aprendizado.

Elas sabem que a imunidade ao sofrimento é impossível e compreendem que as tempestades que tornam nossos dias mais obscuros também são oportunidades para se superar. Elas se enchem de valor e continuam, tendo como mantra prosseguir para crescer, apesar das adversidade.

Resiliência no dia a dia

A resiliência é um conceito que adquiriu grande relevância nos últimos anos. Sobretudo a partir de perspectivas como a psicologia positiva que estão mais interessadas em investigar quais são as características que permitem que as pessoas superem uma adversidade, deixando em segundo plano a compreensão daqueles fatores que aumentam a probabilidade de um transtorno mental.

Ser resiliente do ponto de vista da psicologia é ser capaz de enfrentar a adversidade e sair fortalecido.

Quando falamos de resiliência, costumamos pensar em eventos traumáticos como a perda de um ente querido, sobreviver a um acidente ou a situações de abuso… Mas no nosso dia a dia também ocorrem situações complexas que temos que enfrentar. Não é preciso ser uma catástrofe; superar qualquer dificuldade cotidiana como enfrentar as críticas, conseguir se superar ou começar o dia com um sorriso depois de um período de tristeza também é ser resiliente.

Todos temos as nossas próprias batalhas com as quais lidar e os nossos próprios recursos para enfrentá-las de uma forma ou de outra, temos apenas que descobri-los.

Características das pessoas resilientes

Há pessoas que são resilientes porque tiveram um exemplo de resiliência a seguir, como seus pais ou um irmão, mas outras aprenderam a lidar e a superar as pedras do caminho sozinhas: aprenderam a partir da tentativa e erro, tornaram-se fortes a partir das suas próprias cicatrizes.

Isto nos indica que a resiliência é uma habilidade que todos podemos desenvolver e, portanto, praticar. Para isso, é necessário gerir adequadamente os nossos pensamentos e emoções. Canalizá-los através do canal que nos dê mais controle sobre eles é fundamental.

A seguir iremos contar algumas das principais características das pessoas resilientes para que você possa começar a praticá-las.
Sabem se adaptar às mudanças

As pessoas resilientes têm a capacidade de serem flexíveis quando o vento sopra com força. Elas sabem que ir contra as circunstâncias as fará perder energia e optam por ter uma mente aberta diante de opiniões e circunstâncias diferentes.

Elas se desprendem de suas crenças antigas, preconceitos e inseguranças para se vestirem com novos trajes que as acompanham nos tempos de mudança. Elas não se adaptam por resignação, mas sim porque sabem que existem outros mundos diferentes que não são errados só por serem distintos.

“A água supera tudo porque se adapta a tudo.”
-Lao Tse-

Apoiam-se em suas forças

As pessoas resilientes conhecem a si mesmas. Elas sabem o que é aquilo que as machuca e incomoda, e compreendem que o suporte fundamental do seu bem-estar depende de cuidarem de si mesmas.

As pessoas resilientes sabem identificar os seus pontos fracos, mas também os seus pontos fortes para colocá-los em prática quando for necessário.
Elas usaram sua vontade de lutar, sua motivação, seu esforço e suas habilidades como o alicerce para seguir em frente. Mas, sobretudo, elas respeitam a si mesmas e as levam em conta, porque sabem que conhecer a si mesmo é o passo fundamental para crescer e estabelecer relações saudáveis com os demais.

“Cada pessoa é uma ilha em si mesma, em um sentido muito real, e só pode construir pontes em direção a outras ilhas se efetivamente desejar ser ele mesmo e estiver disposto a se permitir.”
-Carl Rogers-
Sabem que aceitar é necessário para avançar

As pessoas resilientes sabem que a adaptação é a companheira aliada do progresso e da mudança. Porque só quando aceitamos o que está acontecendo conosco é que poderemos começar a trabalhar para melhorar isso. Caso contrário, se continuarmos negando, a única coisa que estaremos fazendo é dar mais força à situação.

As pessoas resilientes sabem que aceitar é compreender e enfrentar, não se dar por vencidos.

Consideram que ninguém é imune ao sofrimento

Ser resiliente não quer dizer que uma pessoa não tenha feridas, mas sim que apesar delas, a situação adversa foi construtiva de algum modo. Ela foi capaz de aceitar a dor e, ao invés de mergulhar nela, optou por aprender.

As pessoas resilientes sabem que se proteger da dor e se esconder por trás de um escudo nem sempre vai funcionar, já que fugir as afastaria da possibilidade de compreender o que acontece com elas e de continuar crescendo.
Como você pode ver, é possível aprender a ser resiliente. Na verdade, este teria que ser um ensinamento fundamental nas escolas. Sempre vale a pena aprender estratégias para melhorar e continuar crescendo, e a resiliência é essa capacidade que nos permite ser fortes apesar do vento soprar com força, nos adaptando da melhor forma possível aos solavancos que compõem as perdas, as decepções, os traumas e os fracassos.

Você também é resiliente, não esqueça. Ou você nunca teve que superar nenhuma dificuldade ou situação na sua vida? Pense e lembre-se daquela vez em que você foi corajoso apesar do medo, em que se jogou de cabeça dentro da piscina…

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

A violência doméstica não escolhe classe social. Via Abílio de Sousa


Este tipo de violência é o resultado de problemas ou traumas não ultrapassadas no passado de dois seres que decidiram estabelecer uma relação. Esconder o problema ou evitar o confronto com o problema, tentar resolver sozinho o problema, conduz a um aumento da agressividade emocional. Torna o indivíduo inseguro, frustrado.
Coloca-se todos estes ingredientes numa panela de pressão sobre o lume da raiva, o resultado é de uma violência descomunal que tudo o que toca, destruí.
Se os indivíduos não forem educados a lidar com as sombras que residem dentro de si, menos dia mais dia , elas emergirão nas profundezas do seu ser como um vulcão em erupção carregado de actos sem sentido que,consequentemente, originarão mortes e prisões tornando-se capas de revistas de fofocas, programas televisivos e mais um assunto para os telejornais!!

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Quanto mais livre for, mais junto o amor fica. Texto de Marcel Camargo

“O amor é isso. Não prende, não aperta, não sufoca. Porque, quando vira nó, já deixou de ser laço.” (Mário Quintana)

A gente perde emprego, deixa de ser amado, vê as pessoas indo embora, vê o dinheiro sumir, porém, ninguém nos tira as verdades que carregamos dentro do peito. Não somos donos de nada nem de ninguém, não controlamos o daqui a pouco, nem temos poder algum sobre os acontecimentos da vida. Ninguém é de ninguém. Nada é de ninguém.

Uma das atitudes mais descabidas que há vem a ser essa necessidade de querer se achar dono do outro, determinando-lhe os rumos de vida, controlando os seus passos, querendo que aja conforme aquilo que ditamos. Tiranizar o semelhante é um comportamento covarde e injusto, pois ninguém tem o direito de limitar as dimensões dos sonhos de liberdade de alguém.

O mesmo se aplica ao amor. Pessoas devem ficar juntas, sendo parceiras e companheiras por livre e espontânea vontade, de ambas as partes. Infelizmente, muitos confundem relacionamento com prisão, parceria com obrigação, afeto com devoção. E, assim, acabam por privar o parceiro de tudo aquilo em que não estejam incluídos, afastando-o de amigos, de eventos, até mesmo da família.

Amor não tem amarras, simplesmente porque sentimento não tem limites claros, são infinitos, imensuráveis, ilimitados. Sentimento se expande, se multiplica, pois sua natureza é livre e espontânea. Não dá para tentar prender o que não consegue se diminuir, delimitar-se, o que não tem medida. O amor verdadeiro se instala e pronto, ficando de bom grado onde é regado e livre.

Quem quer trair trai, não importa o que o outro faça, não importa o que o outro diga, porque trair é uma decisão de quem não assume compromisso, só finge. Por mais que o parceiro prenda, a liberdade sempre lutará por ocupar todo e qualquer espaço inalcançável, pois é disso que ela se alimenta, dessa ânsia pelo infinito.

Quem fica, é porque ama, trazendo toda a verdade que seu peito carrega e, por isso mesmo, não precisa de que o outro lhe diga o que fazer, com quem sair, para onde ir ou não ir. Quem fica, ali está porque realmente quer. Deixe que vá quem você ama, pois ele voltará, e o fará porque precisa de seu amor. É assim que o amor fica.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

É Proibido. Poema do poeta chileno Pablo Neruda.

É Proibido

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

INVEJA - OSHO . O Livro da Sabedoria, vol. II

INVEJA
Inveja é comparação.
E nós fomos ensinados a comparar;
Fomos condicionados a comparar, a sempre comparar.
Alguém tem uma casa melhor, alguém tem um corpo mais bonito, alguém tem mais dinheiro, alguém tem uma personalidade mais carismática: compare.
Continue comparando você com todo mundo que passar e uma grande inveja será o resultado; é um subproduto desse condicionamento.
Caso contrário, a inveja desaparece se você deixar cair a comparação. Então você simplesmente sabe quem você é e você não é ninguém mais e não há necessidade de ser, também.
É bom que você não se compare com as árvores, caso contrário você vai começar a sentir muita inveja: por que não está verde? E por que a existência foi tão dura com você - sem flores?
É melhor que você não se compare com os pássaros, com os rios, com as montanhas, senão você vai sofrer. Você só se compara com os homens, porque é assim que você foi condicionado; você não se compara com pavões e papagaios.
Caso contrário, sua inveja seria mais e maior: você estaria tão sobrecarregado pela inveja que não estaria apto a viver.
A comparação é uma atitude muito tola, porque cada um é individualmente único e incomparável. Uma vez que este entendimento se estabelece em você, a inveja desaparece.
Cada um é único e incomparável. Você é apenas você mesmo: ninguém nunca existiu como você e ninguém nunca vai ser como você. E você não precisa ser como qualquer outra pessoa também.
A existência só cria originais; Ela não acredita em cópias de carbono.

Ser ovelha implica atribuir a responsabilidade dos nossos actos ao pastor. Via Abílio de Sousa

Ser ovelha implica atribuir a responsabilidade dos nossos actos ao pastor. A maioria dos crimes contra a Humanidade foram feitas dessa maneira.
Atrocidades horríveis realizadas por mentes obedientes. Mentes que não puseram em causa os seus próprios actos.

As nossas escolas transformaram-se em fábricas enormes para a produção de robôs.

" As nossas escolas transformaram-se em fábricas enormes para a produção de robôs. Nós já não mandamos os nossos filhos para a escola para serem ensinados e para que lhes sejam dadas ferramentas para pensar; nem sequer para serem informados ou adquirirem conhecimentos, mas para serem "socializados" - o que, na semântica actual significa serem submetidos ao sistema e forçados a se conformar. "
Robert Lindner, (1956)

Oração do Amor Próprio. Texto de Meire Oliveira

Que eu saiba primeiro me encontrar, antes de me doar.

Que eu possa respeitar os meus próprios limites e aprender a dizer não quando essa é a minha real vontade e direção.

Nos erros que cometo, que eu possa me olhar com todo amor e compaixão, pois sei que faço e dou o meu melhor, que eu aprecie a autogratidão.

Em cada alegria celebro a grandeza de ser quem sou, sem querer ser uma imagem que pintaram de mim, esse tempo acabou.

Com carinho eu me cuido e me amparo a cada passo, a cada queda. Sei que minha força se refaz no meu tempo, e nele meu coração celebra.

ue eu não me critique ou me culpe, drenando assim minha própria energia. Que eu saiba respeitar o meu tempo de florescer a cada dor, que eu possa também me permitir a alegria.

Que antes de eu cuidar do outro, eu olhe para a minha vida, regue o meu jardim para que a doação não me deixe um buraco e eu me sinta depois dolorida.

Que eu não abandone a mim mesma, esperando que alguém venha me salvar, ao invés disso que eu saiba me olhar com amor e me curar.

sábado, 30 de setembro de 2017

Como você está interpretando a vida? Texto de Maria Cristina Ramos Britto

Os pensamentos estão sempre conosco, mesmo quando não lhes damos atenção. Eles são inquilinos da mente que acumulam ideias como alguns juntam quinquilharias: são (pre)conceitos e crenças, reunidos ao longo da vida, costurados por influência da família, da escola, da sociedade que se tornam certezas, mesmo que não tenham evidências de que sejam corretos. O que significa isso? Que você pode acreditar em coisas que o fazem sofrer e elas existirem apenas em sua cabeça.

Quer um exemplo? Você supõe que, se for a uma festa, ficará ansioso e as pessoas vão ignorá-lo.

Você antecipou uma série de eventos sem qualquer prova de que eles acontecerão, partindo do pressuposto de que é inábil e não sabe se comportar em grupo. Na verdade, são as crenças que tem a respeito de si mesmo que desencadeiam emoções e comportamentos desadaptativos, no caso, não ir à festa, por exemplo, que reforçarão os pensamentos (sou incapaz de manter relacionamentos), as emoções (frustração, fracasso, tristeza) e os comportamentos (evitação, isolamento). Você criou um cenário catastrófico que não tem base real.

Isso não quer dizer que todos os pensamentos estejam errados, apenas que, vivendo no automático regido pelas crenças de desamor, desvalor e desamparo, a maioria das situações de vida serão encaradas como dolorosas, ameaçadoras, difíceis, perigosas, e reforçarão os comportamentos que levem a evitá-las, que intensificarão as emoções negativas, que vão corroborar as crenças de desamor, desvalor e desamparo. Percebeu o círculo vicioso?

Em resumo, pensamentos não são fatos, e é preciso estar atento à qualidade dos mesmos. Se são frequentemente negativos, exagerados e antecipam apenas situações catastróficas, desconsiderando outros cenários possíveis, é preciso reestruturá-los. Isso não significa trocar os pensamentos negativos por positivos, mas ter uma visão mais realista de todas as circunstâncias, e assim poder enfrentar melhor até mesmo as desfavoráveis. Na escala de cores, entre o preto e o branco há uma infinidade de tons, e na vida também existem nuances que muitas vezes são esquecidas.

Para terminar: se estiver difícil encarar seus problemas, procure ajuda. A terapia cognitivo-comportamental é breve, objetiva e orientada para resultados.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Então temos de perguntar a nós mesmos… o que há dentro da minha xícara?

Você está segurando uma xícara de café quando alguém chega e encosta ou balança seu braço, fazendo com que derrame o café por todo lado. Por que você derramou o café?

“Bem, porque alguém encostou em mim, é claro!”

Resposta errada.

Você derramou o café porque o café estava na xícara.

Se dentro houvesse chá, você teria derramado chá.

O que quer que esteja dentro da xícara é o que será derramado.
Portanto, quando a vida chega e balança você (algo que com certeza irá acontecer), seja o que for que esteja dentro de você irá sair.

É fácil fingir até que você seja chacoalhado.

Então temos de perguntar a nós mesmos… o que há dentro da minha xícara?

Quando a vida fica difícil, o que derrama?

Alegria, gratidão, paz e humildade?

Ou fúria, amargura, palavras e ações duras?

Você escolhe!

Hoje vamos nos esforçar para encher nossas xícaras com gratidão, perdão, alegria, palavras de afirmação para nós e aos outros, bondade, gentileza e amor.

Autor desconhecido

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Até o coração mais forte cansa de ser maltratado. Texto de Valéria Amado

Até a personalidade mais forte se cansa de ser maltratada, boicotada e manipulada. Porque o coração forte não é um coração frio, muito menos imune à maldade e ao carinho com segundas intenções. Todos nós temos limites; no entanto, as personalidades acostumadas a “resistir” são as que mais sofrem, as que mais demoram a reagir.

Algo que muitas vezes se entende de forma errônea é que a pessoa emocionalmente forte é alguém que sabe controlar seus sentimentos. Nos dias de hoje, apesar da facilidade com que lidamos com os termos associados à “inteligência emocional”, ainda mantemos ideias equivocadas, como pensar que as emoções, por exemplo, são o oposto da razão.


“Um coração é uma riqueza que não se vende nem se compra: se presenteia.”
-Gustav Flaubert-

Ao imaginar um coração forte, visualizamos quase instantaneamente uma pessoa barricada por trás de uma armadura forte, alguém que mantém a cabeça fria e o olhar firme para manter o controle sobre esse mundo complexo, às vezes doloroso e exigente, que é o universo das emoções e dos sentimentos. No entanto, a personalidade forte nem sempre apresenta este tipo de arquitetura psicológica.

A resistência ou força emocional muitas vezes responde ao compromisso pessoal que uma pessoa mantém com as outras. É se manter firme para prestar ajuda quando os outros caem, tentando ser sempre úteis, próximos. São perfis que se alçam como o mastro de um barco em uma noite de tormenta, são o pilar onde todos se apoiam, a rocha onde todos põem seus pés para atravessar os rios…

Elas parecem fortes, até que um dia se rompem ou simplesmente cansam. Propomos que você reflita sobre isso.

O coração cansado de ser forte

Muitas vezes, quando uma pessoa recorre à terapia para buscar ajuda, a primeira coisa que ela expressa é seu cansaço. Elas sentem um esgotamento que nunca haviam experimentado antes, estão sobrecarregados, exasperados, e com a clara sensação de ter chegado no limite de suas forças. Seus exames médicos não revelam quaisquer problemas de saúde, no entanto, perderam “sua respiração vital”.

Algo que deveríamos deixar muito claro a respeito da intervenção psicológica ou da psicoterapia é que não são apenas pessoas com personalidades instáveis que a solicitam, não são apenas perfis com necessidades clínicas ou pacientes que precisam de estratégias adequadas para gerir suas emoções e seus problemas.

Às vezes, chegam pessoas bem cientes de que o nível de seu estresse as ultrapassou. Estão em dia com diversos mecanismos de enfrentamento, conhecem a atenção plena e outras ferramentas que tentaram aplicar sem obter benefício algum. Sua capacidade de desempenho e de autocuidado foi tão diluída pelo cansaço que são incapazes de se reconhecer diante do espelho. Mas eu era uma pessoa muito forte! O que aconteceu comigo?

O que aconteceu é que o seu cérebro disse ‘chega’. Quando aprofundamos um pouco mais em suas realidades pessoais, descobrimos sempre o grande excesso de responsabilidade que carregam sobre seus ombros, sobre seu coração. Na verdade, mais que pessoas fortes, elas são personalidades acostumadas a praticar uma resistência extrema e pouco higiênica, onde não existe autoproteção.

São mulheres e homens acostumados a calar suas necessidades para aparentar força e, assim, ser essa luz constante e sempre perdurável para os outros. No entanto, o que muitas vezes eles recebem em troca é amargura, egoísmo e solidão.

Simples conselhos para as pessoas cansadas de ser fortes

Vamos visualizar por um instante uma esteira. A pessoa que precisa ser forte se acostumou a manter um ritmo muito elevado em termos de velocidade e de exigência em sua vida. Ela se sente orgulhosa de si mesma, seu coração é muito forte, e pensa que vai poder manter esse ritmo por toda sua vida.

“Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.”
-Antoine de Saint Exupéry-

No entanto, mais cedo ou mais tarde chegam as câimbras, a dor e o esgotamento. A esteira continua se movendo na mesma intensidade, as pessoas ao seu redor continuam com o mesmo nível de demanda e de exigência sem ver o mau estado de seu colega, familiar, parceiro ou amigo. No entanto, o nosso protagonista chegou ao limite e não sabe como parar essa esteira, essa espiral destrutiva.

O que deveríamos fazer neste caso? Diminuir o ritmo, reduzir a intensidade? Absolutamente. O mais adequado nesta situação é parar: nosso coração precisa se recuperar.

É hora de cuidar de si mesmo

Você não precisa de uma pausa nem de parar ao longo do caminho. Você precisa ser forte para si mesmo e não só para os outros, e para isso você deve fazer mudanças, focar as encruzilhadas vitais e cotidianas de uma forma mais harmônica, consistente e saudável.


 Tire alguns segundos para pensar nas seguintes propostas:

Renuncie aos conflitos, problemas ou situações que não têm solução. Você já perdeu muito tempo e energia em coisas e pessoas que não valem a pena.

Não espere que as pessoas ajam da forma que você agiria. Essa é uma forte característica da frustração.

Comece a tomar consciência das suas necessidades, escute-as todos os dias e dê prioridade a elas.

Lembre-se, acima de tudo, de que você não é um herói. Sua função não é tornar possível o impossível, você não é mago nem arquiteto de pontes de um lugar onde não há bancos. Você também não pode salvar o impossível nem dar felicidade a quem não sabe o que é alegria, respeito ou reciprocidade.

Aprenda a cuidar emocionalmente de si mesmo, aprenda a ser forte também para a sua própria pessoa.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

ESTA ENTREVISTA COM AUGUSTO CURY DEVERIA SER LIDA POR TODOS OS PAIS.

O famoso autor e psiquiatra Augusto Cury deu uma entrevista pra lá de interessante a revista Cláudia, sobre a educação das crianças. Confira:

– Nunca tivemos uma geração tão triste

Nunca tivemos uma geração tão triste, tão depressiva. Precisamos ensinar nossas crianças a fazerem pausas e contemplar o belo. Essa geração precisa de muito para sentir prazer: viciamos nossos filhos e alunos a receber muitos estímulos para sentir migalhas de prazer. O resultado: são intolerantes e superficiais. O índice de suicídio tem aumentado. A família precisa se lembrar de que o consumo não faz ninguém feliz. Suplico aos pais: os adolescentes precisam ser estimulados a se aventurar, a ter contato com a natureza, se encantar com astronomia, com os estímulos lentos, estáveis e profundos da natureza que não são rápidos como as redes sociais.

Pais precisam criar intimidade com os filhos

Pais que não cruzam seu mundo com o dos filhos e só atuam como manuais de regras estão aptos a lidar com máquinas. É preciso criar uma intimidade real com os pequenos, uma empatia verdadeira. A família não pode só criticar comportamentos, apontar falhas. A emoção deve ser transmitida na relação. Os pais devem ser os melhores brinquedos dos seus filhos. A nutrição emocional é importante mesmo que não se tenha tempo, o tempo precisa ser qualitativo. Quinze minutos na semana podem valer por um ano. Pais têm que ser mestres da vida dos filhos. As escolas também precisam mudar. São muito cartesianas, ensinam raciocínio e pensamento lógico, mas se esquecem das habilidades sócio-emocionais.

Incentivar mais e criticar menos

Em vez de apontar falhas, os pais devem promover os acertos. Todos os dias, filhos e alunos têm pequenos acertos e atitudes inteligentes. Pais que só criticam e educadores que só constrangem provocam timidez, insegurança, dificuldade em empreender. Os educadores precisam ser carismáticos, promover os seus educandos. Assim, o filho e o aluno vão ter o prazer de receber o elogio. Isso não tem ocorrido. O ser humano tem apontado comportamentos errados e não promovido características saudáveis.

Mais brincadeira, menos informação

Criança tem que ter infância. Precisa brincar, e não ficar com uma agenda pré-estabelecida o tempo todo, com aulas variadas. É importante que criem brincadeiras, desenvolvendo a criatividade. Hoje, uma criança de sete anos tem mais informação do que um imperador romano. São informações desacompanhadas de conhecimento. Os pais podem e devem impor limites ao tempo que os filhos passam em frente às telas. Sugiro duas horas por dia. Se você não colocar limite, eles vão desenvolver uma emoção viciante, precisando de cada vez mais para sentir cada vez menos: vão deixar de refletir, se interiorizar, brincar e contemplar o belo.

Conselho final para os pais

Vejo pais que reclamam de tudo e de todos, não sabem ouvir não, não sabem trabalhar as perdas. São adultos, mas com idade emocional não desenvolvida. Para atuar como verdadeiros mestres, pai e mãe precisam estar equilibrados emocionalmente. Devem desligar o celular no fim de semana e ser pais. Muitos são viciados em smartphones, não conseguem se desconectar. Como vão ensinar os seus filhos e fazer pausas e contemplar a vida? Se os adultos têm o que eu chamo de síndrome do pensamento acelerado, que é viver sem conseguir aquietar e mente, como vão ajudar seus filhos a diminuírem a ansiedade?

Pois, é uma das crenças que confunde bondade com estupidez!! De Abílio de Sousa

Uma das crenças que quase todos nós fomos educados que deveríamos sentir culpados por não colocar os outros em primeiro lugar e a nossa pessoa deveria ser renegada para segundo plano!
Pois, é uma das crenças que confunde bondade com estupidez!!

“As escolas preparam alunos para os hospitais psiquiátricos”, diz Augusto Cury

O psiquiatra e escritor Augusto Cury lançou uma campanha de combate ao jogo Baleia Azul. A ideia é promover nas redes sociais o debate entre jovens e também com os pais.

Cury é crítico ao atual sistema de ensino e acredita que a pressão escolar, o excesso de informação e atividades está prejudicando as crianças e jovens.

Para ele, as crianças se tornaram escravas da informação e não têm mais tempo para viver a infância. Ainda que os pais, “desesperados”, assumam seus erros, ele acredita que é nas escolas que estão as grandes falhas. Ao focar unicamente no pensamento lógico, as instituições de ensino deixam de lado o controle emocional.

Em entrevista exclusiva ao Viver Bem, o psiquiatra colocou em xeque o uso da internet, que, segundo ele, está criando vícios e doenças, como a síndrome do Pensamento Acelerado, e afeta cerca de 80% de pessoas no mundo.

Como melhorar a inteligência emocional?

A inteligência emocional não está inserida no código genético, ela é aprendida. Só que nós estamos falando de uma outra inteligência agora, que é a inteligência da gestão da emoção. Inteligência emocional é como se fosse uma montanha, a gestão da emoção é você implodir essa montanha, pegar os blocos, usar argamassa, pisos, azulejos e construir os vários edifícios. E quais são os edifícios? Aprender a pensar antes de reagir, trabalhar perdas e frustrações, filtrar estímulos estressantes, proteger a emoção, gerenciar a ansiedade, se reinventar no caos, desenvolver resiliência, trabalhar perdas e frustrações, ser generoso, ser altruísta e não ser autopunitivo.

E como a internet tem influenciado na gestão das emoções?

A internet trouxe acessibilidade, expansão da produtividade, democratização das informações, mas trouxe também efeitos colaterais gravíssimos. Um deles é a intoxicação digital. Celulares podem viciar como drogas estimulantes, apresentando sintomas da síndrome de abstinência como a cocaína. Por exemplo, quando você retira por um ou dois dias o celular de um jovem que usa o aparelho por 3 ou 4 horas diariamente, ele vai ter síndrome de abstinência. Os sintomas são irritabilidade, baixa limiar para frustração, um tédio intenso, dificuldade de lidar com perdas e frustrações, transtorno do sono e, às vezes, humor depressivo. São as características básicas de uma síndrome de abstinência. E outra consequência importante: a geração minuto. Ou seja, tudo para eles têm que ser rápido e pronto. Essa geração aumentou os níveis de ansiedade numa velocidade nunca antes vista.

Como se caracteriza essa ansiedade?

É uma ansiedade que eu tive o privilégio de descobrir e a infelicidade de saber que grande parte da população é acometida por ela. Chama Síndrome do Pensamento Acelerado. Pensar é bom. Pensar com consciência crítica é ótimo. Pensar demais e sem gerenciamento é uma bomba contra a saúde emocional.

Quais os sintomas dessa síndrome?

Os sintomas são acordar cansado, dor de cabeça, dores musculares, sofrimento por antecipação, dificuldade de proteger a emoção nos focos de tensão, dificuldade de conviver com pessoas lentas, transtorno do sono e déficit de memória. Se tiver dois ou três sintomas, já caracteriza a síndrome do pensamento acelerado. Essas pessoas precisam reciclar sua forma de vida, senão serão futuros pacientes de psiquiatras, médicos psicossomáticos ou de clínicos gerais.

A internet é a grande causadora de tudo isso?

A causa é, em primeiro lugar, o excesso de informação. Uma criança de 7 anos de idade tem mais informações do que um imperador romano, uma de 8 a 9 anos tem mais informações que Sócrates, Platão e Aristóteles. Em segundo lugar, o excesso de atividade. Infelizmente nós estamos assistindo a um trabalho infantil escravo intelectual. Crianças que têm tempo para tudo, mas não têm tempo para ter infância. Têm mil atividades, mas não conseguem lidar com o tédio e a ansiedade inerente à psique humana.

E qual o papel da educação, dos pais e professores, diante disso?

Antigamente, os pais nunca assumiam que erraram na educação. Agora, como digo no livro que estou lançando (“20 Regras de Ouro para Educar Filhos e Alunos” Ed. Academia de Inteligência), os pais estão tão desesperados que já assumiram que falharam. E as regras de ouro precisam ser trabalhadas na educação, caso contrário, vamos continuar no erro. As escolas preparam os alunos para os hospitais psiquiátricos. Essa educação cartesiana que bombardeia o córtex cerebral com milhões de dados está doente.


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Não aceite migalhas! Afinal, você nasceu completo, não é? Texto de Neuropsicóloga Clínica e Coach, BRUNA MOREIRA.

Todas as coisas que hoje são realidade nasceram primeiro no pensamento de alguém. E esse alguém só conseguiu transformar esse pensamento em realidade porque acreditou que era possível. Acreditando ser possível, ele pôde fazer acontecer.

Pensando desta forma, sabemos que tudo é possível e que podemos ser seres humanos brilhantes, incríveis e com amor-próprio. Podemos fazer muitas coisas sem ninguém, podemos ser cada dia mais inteligentes, buscando somente aquilo que agregue em nossas vidas, diariamente vemos e conversamos com pessoas, e desses encontros podemos usufruir e aprender algo ou somente nos decepcionar com algumas pessoas, as quais, possivelmente, não precisamos que façam parte de nossa vida.

Mas porque algumas pessoas insistem em ser rodeados de pessoas que não agregam em nada e só lhes fazem mal?

Então, não espere que alguém enxergue o seu valor, comece essa tarefa por você, decida ver a si mesmo com olhos de amor e não de piedade e entenda que você não merece qualquer coisa.

Você não merece migalhas. Queira muito e queira por inteiro. Seja amigos, conselhos, amores, favores. Assim como você deve recusar as migalhas, não seja este tipo de indivíduo com os outros.

Porque ninguém nasceu para implorar nada a ninguém. Recupere seu amor-próprio, ajude-se, ame-se, valorize-se! Não espere que os outros façam o que você não é capaz de fazer por si mesmo!

Você não precisa de alguém para completá-lo(a), porque não há vazios, não há espaços para migalhas e incertezas.
Você já é inteiro(a). Queira alguém que o(a) transborde. Porque ninguém nasceu para implorar nada de ninguém, muito menos amor.

Recupere seu amor-próprio, cuide-se, ame-se, valorize-se! Não espere que os outros façam o que não é capaz de fazer por si mesmo!

domingo, 10 de setembro de 2017

Não duvide das pessoas que foram quebradas pela vida! Texto de Marcel Camargo.

“ Gosto das pessoas que foram quebradas pela vida, existe uma beleza única nas suas rachaduras.” (Zack Magiezi)

É complicado tentar comparar ou mensurar sofrimento, porque as pessoas recebem e digerem o que vem da vida, conforme aquilo que possuem dentro delas; trata-se de algo muito pessoal. A dimensão que os acontecimentos tomam depende da forma como cada um encara o mundo, dos valores e crenças que carrega, independentemente de qualquer outra coisa. Talvez a dor seja proporcionalmente mais intensa, quanto maior a quantidade de expectativas que ela quebre.

As pessoas reagem de forma diferente aos mesmos acontecimentos, com maior ou menor intensidade. Ademais, certos indivíduos externam o que sentem sem pestanejar, enquanto outros prendem mais fortemente, somente para si, as escuridões que seu íntimo enfrenta.

Por essa razão é que se torna um tanto quanto injusto compararmos as dores das pessoas tão somente nos baseando no que elas nos mostram. Dentro de muitos, há tempestades dolorosas se formando.
Embora não possamos comparar o sofrimento, ao menos conseguimos discernir que certos acontecimentos machucam muito, de uma forma avassaladora, retirando o chão de qualquer um. Existem tragédias que sequer imaginamos em nossas vidas, tais como a perda de um filho, a perda de todo um patrimônio, uma deformação física abrupta, uma doença terminal, condições adversas extremas. Infelizmente, ninguém está livre de ter de enfrentar a perda do que lhe é vital.
Há inúmeros exemplos por aí, à nossa volta, de gente que sobrevive ao que parecia impossível de se suportar, ao que nada mais traz do que desesperança, desespero e dor. Provavelmente, até entre nossos colegas, existem pessoas que já atravessaram os corredores amargos das escuridões dolorosas e sobreviveram. Porque são humanos e as pessoas são incríveis, possuem uma capacidade interminável de se reinventarem, de se fortalecerem e de se reergueram de novo e de novo, sobrevivendo ao que parece inconcebível, impossível.

E o que move, no fundo, a todos os sobreviventes, que não sucumbem ao que parece intolerável, é a esperança. Sim, esperança, fé, olhos fixos adiante, no horizonte de possibilidades que ainda estarão por vir, na certeza de que há um porquê por detrás de cada tombo nesta vida.

Esperança na própria força, nas pessoas, esperança no amor. Porque quem tem amor dentro de si jamais estará desamparado, ainda que esteja sozinho.

ENTENDER OS OUTROS . José Luís Peixoto - in 'Em Teu Ventre'

ENTENDER OS OUTROS

Entender os outros não é uma tarefa que comece nos outros. O início somos sempre nós próprios, a pessoa em que acordámos nesse dia. Entender os outros é uma tarefa que nunca nos dispensa. Ser os outros é uma ilusão. Quando estamos lá, a ver aquilo que os outros vêem, a sentir na pele a aragem que outros sentem, somos sempre nós próprios, são os nossos olhos, é a nossa pele. Não somos nós a sermos os outros, somos nós a sermos nós. Nós nunca somos os outros. Podemos entendê-los, que é o mesmo que dizer: podemos acreditar que os entendemos. Os outros até podem garantir que estamos a entendê-los. Mas essa será sempre uma fé. Aquilo que entendemos está fechado em nós. Aquilo que procuramos entender está fechado nos outros.

José Luís Peixoto - in 'Em Teu Ventre'

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Lembro os pais cujos filhos vão começar mais um ano lectivo. Texto de Abílio de Sousa

Pais.
Não cabe os professores educar os seus filhos pois é uma tarefa que vos compete.

Pais.
Digam aos seus filhos se aprenderem devagar não significa que são menos inteligentes que os colegas pois cada ser humano é inteligente ao seu ritmo.

Pais.
Digam aos seus filhos se tiverem notas negativas não é fim do mundo pois como tudo na vida, quem nunca fracassou jamais saberá o significado de Sucesso. Pois quem nunca sentiu o sabor da derrota jamais saberá o significado de Vitória.

Pais.
Digam aos seus filhos ter boa instrução não significa boa educação.

Pais.
Digam aos seus filhos que ter Cultura e Respeito está para além de diplomas ou certidões académicas.

Pais.
Digam aos seus filhos que há vida fora do recinto escolar. Competências que se aprende em casa como lavar louca, ir ao lixo, arrumar o quarto, praticar desporto, desligar o smartphone por algumas horas, ir ao biblioteca, ter tempo para eles mesmos, aprender a cozinhar, etc...

Pais.
Digam aos seus filhos que a felicidade não depende do exterior. Ensine-lhes ter amor-próprio para que no futuro não mendiguem amor e amizade.
Eduque-lhes a ser o que quer ser e não o que a sociedade quer que eles sejam.
Eduque-lhes a viver os seus sonhos ao invés de viver os sonhos dos outros.


Pais, desejo aos vossos filhos UM BOM ANO LECTIVO!


Abílio de Sousa










segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A necessidade de ser popular nos afasta da nossa essência. Autor que desconheço.

A sociedade competitiva na qual vivemos provoca uma necessidade de ser popular aos olhos das pessoas que nos rodeiam, por sobrevivência e adaptação, para obtermos o que desejamos e conseguir não sair da “normalidade”.

Esta necessidade de ser popular pode surgir em qualquer situação e em qualquer meio. É muito comum na atualidade as pessoas se exibirem nas redes sociais com a intenção de serem populares.

O exemplo mais claro disso está no Facebook, onde tenta-se conseguir o maior número possível de “curtidas”. E muitas pessoas dedicam um grande tempo de suas vidas para realizar verdadeiras peripécias virtuais, mostrando toda a sua vida íntima para chegar ao maior número de curtidas.

A sedução para conseguir ser popular

Ainda que o termo sedução costume ser empregado como um comportamento sexual para atrair a quem gostamos, nos valemos da sedução como um recurso para sermos populares em qualquer âmbito de nossas vidas.

A sedução é algo que todas as pessoas irão desenvolver ao longo do tempo. Desde que somos bebês tentamos seduzir para conseguir o que desejamos.

A sedução é uma capacidade inata que nos ajuda a sobreviver; o bebê com seu sorriso e sua ternura está preparado para seduzir, para que sem muito esforço, com um leve gesto apenas, ele possa chamar a atenção de seus cuidadores e obter o que precisa.

O mesmo ocorre em situações cotidianas como uma entrevista de trabalho, na relação com os pais, com a família, com os amigos/as, com o parceiro/a, etc. Nestas ocasiões surge o nosso repertório de sedução; lançamos mão de comportamentos precisos, como utilizar as palavras que os outros querem ouvir, sorrir e mostrar nesse momento o melhor de nós mesmos.

udo é focado em querer ser popular e conseguir aquilo a que nós nos propusemos. Isto não precisa sequer ser consciente, sai de forma automática diante a oportunidade de uma interação na qual podemos obter um benefício pessoal.

“A sedução poderia ser considerada como o conjunto de expressões e manifestações de uma pessoa, seus aspectos físicos, comportamentais, particulares, sua forma de ser, tudo isto é produto de sua história e trajetória vital e que produz em seu conjunto ou em alguns aspectos, a atração de algumas pessoas”.

(Fina Sanz)

A necessidade de ser popular para nos sentirmos bem

Quando o fato de querer ser popular se converte em uma necessidade, de tal modo que fazemos o possível para agradar ao máximo a todas as pessoas, nós estamos perdendo a nós mesmos, deixamos para trás a nossa essência e a nossa honestidade.

Nos esquecemos assim, por completo, do que realmente queremos, já que nos adaptamos a todo tipo de circunstâncias relacionadas a outras pessoas. Além disto, eventualmente descobriremos que é impossível agradar a todos, e que a frustração será constante em nossas vidas.

Tentar ser popular com todo mundo é deixar de ser você mesmo para adquirir a forma que melhor se encaixe à outra pessoa. Com isso, não estamos mostrando o que somos e estamos perdendo toda a nossa essência e encanto particular.

Esse encanto é o que as pessoas gostam, e por isso elas irão nos aceitar tal e como somos. Se ficarmos criando falsas expectativas, em algum momento seremos desmascarados e os relacionamentos podem terminar por causa da mentira.

 “Não conheço a chave do sucesso, mas sei que a chave do fracasso é tentar agradar a todo mundo”
(Woody Allen)

Nosso encanto particular, encontrado em nossa verdadeira essência, é o que nos enriquece e nos cerca de pessoas honestas e de confiança, para que possamos estabelecer vínculos realmente estáveis e satisfatórios, sem barreiras que nos impeçam de nos mostrar como somos.

Encontrar nossa essência passa pela aceitação de nossos erros e de nossos defeitos, além de reconhecer e valorizar nossas virtudes e potenciais.

Seduziremos mais quando gostarmos de nós mesmos, quando nos permitirmos ser nós mesmos e quando valorizarmos a pessoa que somos. Seguiremos com a segurança de não precisar ser popular para nos sentirmos bem. Já que o essencial, antes de mais nada, é gostar de si mesmo…

“O homem, em sua essência, não deve ser escravo, nem de si mesmo, nem dos outros, mas sim amante. Sua finalidade única deve ser o amar”.
(Rabindranath Tagore)

PERCEBEMOS A EDUCAÇÃO DE UMA PESSOA PELA MANEIRA COMO ELA DISCORDA DE NÓS. TEXTO DE MARCEL CAMARGO

Existem muitos tiranos por aí, prontos a ditar regras aos outros, impondo suas ideias e não aceitando serem contraditos, em hipótese alguma. Não sabem ouvir não, não suportam ser contrariados – os adultos mimados vida afora.

A maneira como lidamos com o que frustra nossas expectativas e com quem nos rejeita diz muito sobre quem somos, da mesma forma acontece com nossas discordâncias. Ao longo dos dias, teremos que discordar de muitas pessoas, teremos que argumentar e fazer valer o nosso ponto de vista, teremos que confrontar várias pessoas que pensam completamente diferente de nós, inclusive convivendo com muitas delas em ambientes que nos forçarão a isso.

Não conseguiremos fugir a locais de trabalho, a salas de aula, a encontros sociais, onde haja quem discorde de nós, onde nem todos pensarão como nós. E ouviremos gente confrontando-nos em nossas convicções, desequilibrando nossas verdades, algumas vezes de forma deseducada e agressiva.

Porque a muitos será impossível repensar os próprios caminhos – não sejamos nós quem não reflete sobre si mesmo.

É extremamente saudável quando podemos confrontar nossas ideias com ideias contrárias, uma vez que é assim que rompemos com o que impede os avanços a que temos direito, à medida que oxigenamos nossa mentalidade. O mundo vive em constante transformação e essa ressignificação também deve fazer parte de nós, enquanto nos ajustamos frente ao novo, que sempre vem.

Infelizmente, muitas pessoas confundem argumentação com gritaria, com imposição, como se todos fôssemos obrigados a falar amém a tudo que elas dizem, como se estivessem sempre certas. Existem muitos tiranos por aí, prontos a ditar regras aos outros, impondo suas ideias e não aceitando serem contraditos, em hipótese alguma. Não sabem ouvir não, não suportam ser contrariados – os adultos mimados vida afora.

Por permanecerem presos ao egocentrismo, por recusarem-se a crescer, acabam se destemperando além da conta quando se veem confrontados no que julgam ser inquestionável, inabalável. E encontram no tom de voz alto e na agressividade recursos com que tentam esconder a incapacidade de defender o que querem com mínima coerência. Como dizem, carroças vazias são as mais barulhentas.

Bom mesmo é encontrar quem discorda de nós e consegue desenvolver uma discussão equilibrada, rica e produtiva. É somente assim que o conhecimento se espalha e a gente se torna melhor. Não existe quem consiga se desenvolver rodeado somente de ovelhas dóceis e obedientes, pois são as diferenças que nos tornam únicos e especiais, à nossa maneira. Mas com educação, por favor.


segunda-feira, 28 de agosto de 2017

" O velho samurai: como responder adequadamente a uma provocação. "

" O velho samurai: como responder adequadamente a uma provocação.

Uma das muitas frases atribuídas a Buda diz que “estamos neste mundo para viver em harmonia. Aqueles que sabem disso não lutam entre si”. Uma frase sábia que pode ser útil para responder a uma provocação de forma adequada. Então, vamos conhecer a história do velho samurai.
Há muito tempo, nas proximidades de Tóquio, vivia um velho samurai. Tinha vencido muitas batalhas e por isso era muito respeitado. No entanto, seu tempo como lutador já havia passado.

Toda a sua sabedoria e experiência era aproveitada pelos jovens que o velho guerreiro ensinava. Nessa época, havia uma lenda em torno desse velho samurai: ele era um guerreiro tão formidável que conseguia vencer qualquer rival, por mais valente que fosse.

No verão, apareceu na sua casa um famoso guerreiro conhecido por ser pouco cavalheiro. O seu caráter provocador criava muito desconforto nos seus adversários que “baixavam a guarda” movidos pela raiva e atacavam cegamente. Por isso, ele desejava vencer o velho samurai, para aumentar a sua fama dentro da própria lenda que ele pretendia escrever com a sua atitude.

No entanto, este guerreiro das artes escuras não conseguiu provocar o velho samurai. Por mais que ele tentasse, o samurai não desembainhava a sua espada. Então, o guerreiro se deu por vencido e se sentiu muito humilhado.

Os alunos do velho samurai ficaram muito chateados com essa atitude; consideraram que era uma covardia do seu professor. Então, censuraram o samurai por não lutar e ele respondeu que um presente que não é aceito pertence a quem o enviou. Da mesma forma, a raiva, o ódio e os insultos não aceitos pertencem a quem os proferiu. Exceto se você os aceitar e assumir como seus, é claro.

O que podemos aprender com a história do velho samurai

Como você pode imaginar, podemos aprender lições valiosas com a história deste velho e sábio samurai. Porque todos nós carregamos muita insatisfação, raiva, frustração, culpa e medo. No entanto, isso não significa que devemos compartilhar a nossa frustração com as outras pessoas.

“Agarrar-se à raiva é como segurar um carvão quente com a intenção de jogá-lo em alguém; você mesmo se queima”.
  – Buda –

No entanto, por mais cargas que carreguemos, sempre encontraremos outras pessoas muito mais tóxicas do que nós mesmos. Pessoas destrutivas que se disfarçam com a intenção de ajudar para prejudicar, gerar culpa, diminuir os nossos esforços, alimentar nossos medos e inseguranças.

Mas se formos capazes de responder sem reagir, poderemos manter essa serenidade que é tão necessária em todos os momentos. Isto é, se você não aceitar a provocação, respondendo de forma consciente e evitando os seus presentes tóxicos, evitará o contágio do seu veneno.

Responder à provocação de forma consciente

Se aprendermos a responder conscientemente às provocações em vez de reagir prontamente, será mais difícil nos ofender. Desta forma, não ficaremos indefesos, não nos sentiremos atacados por futilidades. Para isso é muito útil:

Descobrir o que nos faz reagir e em quais situações perdemos o controle. Assim, poderemos racionalizar para evitar essas explosões.
Deixar o passado para trás. O que está feito está feito; não podemos viver com vergonha ou medo do que aconteceu há muito tempo. É preciso aprender com os erros para que não se repitam. A aprendizagem é precisamente o que nos fortalece e nos dá segurança, apesar de sermos ou não bem-sucedidos.
Controlar as emoções será muito útil. Se nos deixarmos levar, é fácil perder o controle. Se racionalizarmos, conseguirmos identificar o que pode nos causar sofrimento, estaremos preparados para evitar qualquer toxicidade.
“Qualquer palavra que pronunciamos deve ser escolhida com cuidado, porque as pessoas que irão ouvi-la serão influenciadas para o bem ou para o mal”.
 – Buda –

Portanto, está em nossas mãos agir como o velho samurai diante de uma provocação: aceitar ou rejeitar o que o outro pretende que assumamos como nosso. "