segunda-feira, 28 de agosto de 2017

" O velho samurai: como responder adequadamente a uma provocação. "

" O velho samurai: como responder adequadamente a uma provocação.

Uma das muitas frases atribuídas a Buda diz que “estamos neste mundo para viver em harmonia. Aqueles que sabem disso não lutam entre si”. Uma frase sábia que pode ser útil para responder a uma provocação de forma adequada. Então, vamos conhecer a história do velho samurai.
Há muito tempo, nas proximidades de Tóquio, vivia um velho samurai. Tinha vencido muitas batalhas e por isso era muito respeitado. No entanto, seu tempo como lutador já havia passado.

Toda a sua sabedoria e experiência era aproveitada pelos jovens que o velho guerreiro ensinava. Nessa época, havia uma lenda em torno desse velho samurai: ele era um guerreiro tão formidável que conseguia vencer qualquer rival, por mais valente que fosse.

No verão, apareceu na sua casa um famoso guerreiro conhecido por ser pouco cavalheiro. O seu caráter provocador criava muito desconforto nos seus adversários que “baixavam a guarda” movidos pela raiva e atacavam cegamente. Por isso, ele desejava vencer o velho samurai, para aumentar a sua fama dentro da própria lenda que ele pretendia escrever com a sua atitude.

No entanto, este guerreiro das artes escuras não conseguiu provocar o velho samurai. Por mais que ele tentasse, o samurai não desembainhava a sua espada. Então, o guerreiro se deu por vencido e se sentiu muito humilhado.

Os alunos do velho samurai ficaram muito chateados com essa atitude; consideraram que era uma covardia do seu professor. Então, censuraram o samurai por não lutar e ele respondeu que um presente que não é aceito pertence a quem o enviou. Da mesma forma, a raiva, o ódio e os insultos não aceitos pertencem a quem os proferiu. Exceto se você os aceitar e assumir como seus, é claro.

O que podemos aprender com a história do velho samurai

Como você pode imaginar, podemos aprender lições valiosas com a história deste velho e sábio samurai. Porque todos nós carregamos muita insatisfação, raiva, frustração, culpa e medo. No entanto, isso não significa que devemos compartilhar a nossa frustração com as outras pessoas.

“Agarrar-se à raiva é como segurar um carvão quente com a intenção de jogá-lo em alguém; você mesmo se queima”.
  – Buda –

No entanto, por mais cargas que carreguemos, sempre encontraremos outras pessoas muito mais tóxicas do que nós mesmos. Pessoas destrutivas que se disfarçam com a intenção de ajudar para prejudicar, gerar culpa, diminuir os nossos esforços, alimentar nossos medos e inseguranças.

Mas se formos capazes de responder sem reagir, poderemos manter essa serenidade que é tão necessária em todos os momentos. Isto é, se você não aceitar a provocação, respondendo de forma consciente e evitando os seus presentes tóxicos, evitará o contágio do seu veneno.

Responder à provocação de forma consciente

Se aprendermos a responder conscientemente às provocações em vez de reagir prontamente, será mais difícil nos ofender. Desta forma, não ficaremos indefesos, não nos sentiremos atacados por futilidades. Para isso é muito útil:

Descobrir o que nos faz reagir e em quais situações perdemos o controle. Assim, poderemos racionalizar para evitar essas explosões.
Deixar o passado para trás. O que está feito está feito; não podemos viver com vergonha ou medo do que aconteceu há muito tempo. É preciso aprender com os erros para que não se repitam. A aprendizagem é precisamente o que nos fortalece e nos dá segurança, apesar de sermos ou não bem-sucedidos.
Controlar as emoções será muito útil. Se nos deixarmos levar, é fácil perder o controle. Se racionalizarmos, conseguirmos identificar o que pode nos causar sofrimento, estaremos preparados para evitar qualquer toxicidade.
“Qualquer palavra que pronunciamos deve ser escolhida com cuidado, porque as pessoas que irão ouvi-la serão influenciadas para o bem ou para o mal”.
 – Buda –

Portanto, está em nossas mãos agir como o velho samurai diante de uma provocação: aceitar ou rejeitar o que o outro pretende que assumamos como nosso. "

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

O desespero de Sinéad O’Connor e a desumanização da sociedade.

" O desespero de Sinéad O’Connor e a desumanização da sociedade. "

Muitos perguntam “Quanto ganhas?”, poucos perguntam “Em que posso ajudar?”; muitos querem saber “Em que trabalhas?”, poucos se preocupam: “És feliz?”
– por António Soares

Esta desumanização é consequência da sociedade de consumo na qual todos somos todos pequenos capitalistas Consumimos e esquecemos quase com a mesma facilidade um produto e uma emoção.

Todos sabemos de um pai abandonado ou uma mãe violentada, um filho rejeitado, um animal espancado. Torna-se ainda mais fácil quando o outro é desconhecido ou um número na engrenagem de uma qualquer indústria. Muitos perguntam “Quanto ganhas?”, poucos perguntam “Em que posso ajudar?”; muitos querem saber “Em que trabalhas?”, poucos se preocupam: “És feliz?”. E afastam-se se não te sentem a utilidade, se não lhes transpira ao faro algum proveito, se lhes fricciona na nuca a maçada que trazes.

O primeiro pecado mortal deveria ser a ingratidão. Humanizar o capitalismo sempre foi utopia; sentir a necessidade humanizar a humanidade é tomar consciência de que talvez nada haja a fazer.
Com depressão, Sinéad O’Connor faz vídeo alarmante sobre a doença
Sinéad O’Connor é uma cantora irlandesa de 50 anos de idade que já lançou dez discos de estúdio e explodiu no mundo inteiro logo na sua estreia com The Lion and the Cobra, de 1987.
Três anos depois veio I Do Not Want What I Haven’t Got e nele aparece a versão incrível de “Nothing Compares 2 U”, do Prince, que tornou uma espécie de marca registrada da artista.
Seu último álbum é I’m Not Bossy, I’m The Boss (2014) e já há algum tempo existem relatos de que Sinéad está passando por problemas bastante sérios relacionados à depressão.

O desespero de Sinéad O’Connor e a desumanização da sociedade.
“De repente todas as pessoas que deveriam te amar e tomar conta de você te tratam como merda. É como uma caça às bruxas.”

“Eu estou completamente sozinha. E não há ninguém na minha vida além do meu médico, meu psiquiatra, o homem mais doce do mundo, que diz que eu sou sua heroína, e essa é a única coisa que me mantém viva no momento. E isso é meio patético”, afirma O’Connor.
Espero que este vídeo de alguma forma ajude, não eu, mas as milhões e milhões de pessoas que são como eu”, diz. “Consegui escapar do meu país, do meu estigma, de tudo o que significava que era ok usar o fato de que eu tenho três transtornos mentais como algo para me bater”, conta O’Connor.

“É o estigma que mata pessoas, não são os transtornos”
“Transtornos mentais são como drogas. Não dão a mínima para quem você é.”

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Não existe pior prisão do que uma mente fechada. Texto de Erick Morais.

Carl Jung disse certa vez que “Todos nós nascemos originais e morremos cópias”. Ao analisar a frase de Jung à luz da contemporaneidade, poderíamos encontrar um enorme problema, uma vez que vivemos em um mundo regido sumariamente pela liberdade. Isto é, o fundamento maior da nossa sociedade é a liberdade, que se ramifica em diversos aspectos, desde o econômico até o comportamental. Entretanto, se olharmos com profundidade, perceberemos que essa estrutura de mundo “livre” existe tão somente no plano teórico e, assim, somos só reprodutores da ordem vigente ou simplesmente cópias, como argumenta Jung.

Obviamente, a nossa cosmovisão sofre influências externas, esse é um processo natural. Da mesma maneira que a vida em sociedade necessita de regras a fim de manter o convívio social dentro de certos limites éticos. Sendo assim, pensar no exercício da liberdade como algo ilimitado é impossível, já que todas as coisas possuem o seu contraponto e limitações. Apesar disso, a existência de pontos limitadores não implica a inexistência da liberdade e o condicionamento irrestrito a valores passados por uma ordem “superior”.

Todavia, é isso que tem acontecido, temos sido escravizados ou, lembrando o João Neto Pitta, “colonizados pelo pensamento alheio”. E pior, por uma ideologia extremamente nociva para nós enquanto seres humanos. Fomos reduzidos a estatística, na qual somos divididos entres os condicionados e os condicionáveis. Ou seja, não existe nessa estrutura a concepção de um ser livre, que exerce a capacidade de raciocínio e afeto para discernir sobre o que quer e deseja. Todos são domesticáveis em potencial.

Esse controle é feito por meio da conversão à sociedade de consumo e seus valores fundamentais, que reduz tudo a um valor mercadológico precário, rotativo e obsoleto. A mídia com todos os seus tentáculos está a serviço do grande capital, que não visa outra coisa a não ser a conversão de mais pessoas, contemplando o deus consumo em seu templo maior: os shoppings centers. Lugar de alegria, satisfação, preenchimento de vazios e liberdade irrestrita, pelo menos teoricamente ou midiaticamente. Mas, em um mundo regido também pelas aparências, pelo espetáculo, o importante não é o que é, e sim, o que aparenta ser, sobretudo, aos olhos dos outros.

Aliás, nesse esquema, não basta ter, é necessário parecer que tenha, expor, mostrar, iludir, ganhar aplausos, tapinhas nas costas, sorrisos falsos e olhar invejosos. Em outras palavras, é preciso confessar ao mundo que você é um vencedor, que é um bom filho de “Deus”, que é recompensado por seguir os seus preceitos, ir ao seu templo e contemplá-lo 24 horas por dia. E existem ferramentas muito úteis para isso, as redes sociais que o digam.

Toda essa teatralidade da vida cotidiana, montada com cortinas que nunca se fecham, é apresentada como verdade e nós — com nossa psique altamente fragilizada — a compramos com extrema facilidade. Para os mais duros na queda, nada que mil repetições não sejam capazes de construir, afinal, como disse Joseph Goebbels, ministro da propaganda na Alemanha Nazista: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”.

Apesar disso, a grande maioria de nós não está revoltada com a sua condição, pelo contrário, aceitamos o jugo de bom grado. Ou pior, o buscamos. É claro que não possuímos o domínio das relações de força na sociedade, não controlamos as leis, o sistema jurídico, tampouco, a mídia. Somos “apenas” espectadores vorazes de uma batalha desigual e opressora. Entretanto, será que não há o que ser feito? Será que não existem alguns pontos de luz que tentam nos iluminar? Eu sei o quanto é difícil se libertar e quão alto é o preço que se paga pela liberdade. Mas de que adianta ter o conforto de uma vida “segura”, se é por meio dessa “segurança” que a servidão e os males decorrentes desta se tornam possíveis?

Como disse Rosa Luxemburgo: “Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem”. É preciso, então, se movimentar, correr, gesticular, falar, até que o som das correntes seja insuportável e nós consigamos despertar de um sonho ridículo que apresenta um espetáculo celestial em meio a um inferno cercado de grades manchadas com sangue, suor e sofrimento. Se uma mente que se abre jamais volta ao tamanho original, a que se liberta jamais aceita retornar à prisão; porque por mais que as condições sejam adversas, o princípio da autonomia está dentro de nós, quando decidimos romper o medo de abrir os olhos e passamos a enxergar. Sendo assim, o cárcere não é criado do lado de fora, é criado do lado de dentro, já que a chave que prende é a mesma que liberta, pois não existe pior prisão do que uma mente fechada.

Filhos educados por pais homossexuais. Palavras de Abílio de Sousa.

Muitos continuam achar que os filhos educados por pais homossexuais vão ser crianças com baixa-estima. Os problemas não são elas. O problema é que estão inseridas numa sociedade repleta de preconceitos onde muitos têm a tendência de apontar o dedo ao invés de compreender.
Abílio de Sousa

Só precisamos de estar despertos, vivos no momento presente." De Thich Nhat Hanh

Podemos sorrir, respirar, andar, e comer as nossas refeições de uma forma que nos permita estar em contato com a abundância de felicidade que está disponível. Somos muito bons a preparar-nos para viver, mas não muito bons a viver. Sabemos como sacrificar dez anos por um diploma, e estamos dispostos a trabalhar muito para arranjar um emprego, um carro, uma casa, e assim por diante. Mas temos dificuldade em lembrar que estamos vivos no momento presente, o único momento em que temos de estar vivos. Cada respiração que nós fazemos, cada passo que damos, pode ser cheio de paz, alegria e serenidade. Só precisamos de estar despertos, vivos no momento presente.


Thich Nhat Hanh